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S. João, S. João dá cá um balão para me animar!

Percebi hoje que as festas e feriados populares para mim são como o baile de finalistas do liceu. Não lidei com essa questão no baile, mas lido com isso neste tipo de festas, sempre, ou quase sempre. Faço planos, converso com amigos, combinamos programas...Descombino com algumas pessoas porque já tenho coisas marcadas. E chego à última hora sem par, sem ninguém, sem sitio para estar. Acabo as noites a sentir-me só, a sentir o copo meio vazio. Acabo a noite com inveja, remorsos e raiva. E não gosto. Sinto falta de ter alguém. Sinto falta de ter a família junta para celebrar estas festas, mas percebo que cada um tem o seu programa e que não têm de me incluir nele. Sinto falta de ter aquele grupo de amigos, aquele que está sempre lá, independentemente do que acontecer, aquele grupo que nunca diz que não, que nunca nos deixa na mão (estão a  ver ao estilo amigas do "Sexo e a Cidade"? Tipo, isso. Aquelas amigas que combinando ou não, aparecem sempre). Eu sinto falta disso, de tudo isso. E sei que é estúpido. Mas acabo estas noites a sentir-me triste e só. Enquanto a cidade toda festeja, enquanto toda a cidade bebe e celebra junto da família e amigos, enquanto todos passeiam, cantam e dançam, enquanto até a minha mãe sai com os amigos e me diz que vai "celebrar à moda antiga" com uma direta... eu estou em casa. São 23h15 da noite, eu tenho 22 anos e devia estar a celebrar e a aproveitar a noite, mas não. Estou em casa. E porque é que isso me afeta tanto, me irrita, me chateia? Se calhar, se fosse uma vez isso não acontecia. Mas já não é a primeira vez que sinto que me deixam na mão (mesmo que não o façam intencionalmente), já não é a primeira vez que me sinto "abandonada" à última hora. E pronto. Só para dizer que tinha vontade de aproveitar esta linda noite de S. João, mas não o vou fazer. Fica para a próxima. Afinal, há muitos fins de semana para gozar, muitas noites para sair. Afinal há mais noites para encontrar os amigos, para partilhar bons momentos, para dançar e cantar, para sorrir. Gostava que hoje fosse uma dessas noites. Mas, paciência, não foi.

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