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Às vezes, dou por mim a viver momentos de viragem. Momentos de insight sobre a vida, sobre mim, sobre quem sou e quem quero ser. E, se isto pode acontecer em momentos de reflexão comigo própria, também pode acontecer em situações banais do dia-a-dia, nas quais, de repente, se dá um click.
Ontem tive um desses momentos, numa situação social perfeitamente normal. Não foi nada de especial, mas às vezes falamos e defendemos ideias e nem sempre as sentimos mesmo dentro de nós, apesar de querermos. Para mim, ontem foi o momento de de perceber e sentir de facto algumas coisas. 

De facto, não faz sentido preocuparmo-nos com o que os outros pensam. Haverá sempre críticas, por muito que tentemos fazer tudo de acordo com o que os outros gostam. Haverá sempre quem não goste. Haverá sempre quem ache estúpido, sem sentido, errado aquilo que fazemos ou dizemos. Pelo menos a uma primeira vista, pelo menos se não nos conhecerem bem. Tentar viver segundo aquilo que os outros gostam e acham que é certo, não nos ajuda a viver. Tira-nos autonomia, tira-nos amor pela nossa vida e, sinceramente, não creio que nos dê nada de mais. Não há grandes benefícios. Sim, se calhar conseguimos ter muita gente por perto que "gosta" de nós. Mas na verdade também estamos sempre a viver uma fachada. 

Às vezes, para mim é difícil encontrar o meu lugar num grupo, mesmo em grupos em que conheço toda a gente e me dou muito bem com as pessoas e me sinto confortável. É difícil, acho eu, devido a essa "preocupação" que estava sempre escondida na minha mente. O que os outros vão dizer e achar e...e...e...
E gostava de ser mais como esta pessoa ou mais como aquela, porque pareciam ter sucesso com a sua forma de agir. Mas cada pessoa é uma pessoa e não é só a forma de agir que conta, é a pessoa no seu todo. Eu posso ter exatamente a mesma ação que outras pessoas, mas ser interpretada de outra forma.

A vida é nossa e as ações também.
Mais vale vivermos autenticamente, assim as pessoas que temos ao nosso lado sabem quem somos e se gostam de nós e nos aceitam, gostam e aceitam-nos como um todo e nós somos mais livres.


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