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Às vezes.

Sempre gostei de seguir os meus sentimentos e emoções. Muitas vezes, vivo com o coração a saltar-me da boca e os sentimentos à flor da pele. Sei que vivo muita coisa a mil, o bom e o mau, a felicidade e a tristeza, mesmo que seja por momentos, sei que as sinto a níveis altíssimos - porque me entrego. Conheço pessoas que se fecham e se afastam, que não mostram logo o que sentem e se defendem, protegem-se de possíveis riscos. Acho que já fui mais assim, mas desde há uns tempos para cá, desisti e tenho tentado viver se maneira diferente, simplesmente porque acho que não vale a pena esconder o que sinto. Nunca gostei de viver no vazio e ficar a pensar no que poderia ter feito ou vivido. Confesso que por vezes, o tiro sai-me pela culátra, meto-me em situações complicadas e, por vezes, sofro um bocadinho... no final, acredito sempre que valeu a pena. Mas ultimamente, tenho pensado muito nas consequências de ser assim.

Às vezes, acho que as pessoas não me levam a sério, acham que não penso nas consequências, que penso pouco antes de agir, que sou meia destrambelhada.
Às vezes, sinto que por me entregar e ser sincera, perco amizades porque me entrego cedo demais, e depois é difícil para as outras pessoas manter uma amizade.
Às vezes, acho que as pessoas me vêem como uma rapariga que só quer borga e andar de roda no ar e que, na verdade, não se entrega nem mostra sentimentos.
Às vezes, acho tudo isso e penso "como é que as pessoas podem estar tão erradas a meu respeito, quando eu sou tão verdadeira com elas?"

Eu posso não assumir compromissos em algumas relações que tive/tenho... mas isso não significa que não me entregue de corpo e alma e que não ame com o coração cheio. Porque a verdade é que amo. Mas não tenho a certeza que as pessoas vejam isso. Para mim o amor demonstra-se nas pequenas coisas, na preocupação, carinho, liberdade e aceitação incondicional... nunca pensei que o meu amor dependesse de um compromisso/exclusividade numa relação. Às vezes deixa-me um pouco triste que as pessoas vejam esta minha visão da vida como um motivo para não confiarem em mim, quando eu não poderia ser mais sincera nas minhas ações e sentimentos.

Às vezes, acho que deveria controlar-me um pouco mais, tentar pensar um pouco mais e não me deixar levar pelos sentimentos no momento. Mas se a vida é o momento, este momento, o agora, de que outra forma poderia eu viver? De que forma poderia eu ser mais eu, se não seguindo aquilo que é a minha vontade, se não seguindo aquilo que quero?

Sim, acho que muita gente tem uma ideia errada de mim; sim, com muita pena minha acho que perco amizades que gostava de ter acima de qualquer atração e custa-me. Custa-me principalmente perder as amizades de pessoas que gosto, porém, de que serviria manter amigos que não me vêem tal como sou? Com os quais não consigo/posso ser real?





São só reflexões. Reflexões que surgiram ao perceber que, ao amar incondicionalmente e ao querer ser livre e dar liberdade, afasto algumas pessoas. A vida às vezes é assim. Quando duas pessoas têm objetivos ou visões diferentes, mais vale perceberem que de facto o melhor é não estarem juntas e tentarem (talvez, quem sabe), manter uma boa amizade e uma memória dos bons momentos que tiveram juntos enquanto um.

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