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Cartas para ti II

18.08.2014

(manhã)
A vida tem-me mostrado a importância de aproveitar cada momento. Ao início, quando as pessoas que mais gostava se ausentavam, doía, ficava triste. Aos poucos, com o hábito e a experiência das despedidas constantes e pessoas que só podiam ficar perto durante algum tempo, percebi que mais forte e mais importante do que a ausência, é a forma como as pessoas se mantêm presentes e como aproveitamos o tempo que felizmente temos juntos.
Por isso, deixei de me colocar questões como "como teria sido se esta pessoa tivesse ficado...?" ou outras coisas do género, porque me prendem a possibilidades imaginárias que não vão acontecer. 
Então, digo-te que pensares no que poderia acontecer se não tivesses de partir, é uma pergunta interessante, com infinitas respostas possíveis, mas não deixes que te prenda e te afaste daquilo que somos e vivemos quando estamos juntos. Sei que não o fazes - pelo menos acredito nisso.
Talvez o escreva para me lembrar a mim também de não o fazer.
Eu sei que ainda tenho muito para crescer e acredito que apareceste e entrámos de rompante na vida um do outro por alguma razão. Acredito que tens muito para me ensinar, mesmo que não o saibas e talvez me vás ensinar sem sabê-lo também.
Vou-me repetir, mas não me interessa. Não é fácil encontrar pessoas assim e eu sinto-me feliz por te ter encontrado. Não tinha vontade de escrever há muito tempo e de repente há uma forma que me puxa, ma faz pegar no caderno e na caneta e escrever sem parar. Vontade de viver já tinha, mas confesso que acrescentaste um ingrediente extra e uma motivação ainda maior para viver esta vida, sem lmites. Porque és uma prova viva de que quanto menos pensamos nas coisas ou estamos obcecados em encontrar ou ter algo, mais depressa o que desejamos (por vezes, sem sabermos que o desejamos, de facto) acontece.
Tens algo de muito bom em ti. Algo que cativa as pessoas. Ainda não percebi se é a voz, o olhar, a forma como dizes o que dizes de forma tão clara ou apenas a tua postura em relação ao mundo que te rodeia. 
Seja o que for, é cativante e refrescante.

(tarde)
Já alguma vez te aconteceu ter pensamento sobre a morte que te surgem na mente sem dares por eles? Eu já. Já os tive no bom sentido e no mau. Já pensei várias vezes que podia morrer nesse momento e ficaria feliz, porque não tinha nada mais a acrescentar à minha vida. Sinceramente, acreditava que não tinha muito mais a viver e entre tudo de bom que já me tinha acontecido e a escuridão em que me via, mais valia entregar-me à escuridão e deixar-me cair.
Sim, já passei por isso e lutei contra a minha mente para não fazer nada que me viesse a custar esta maravilhosa vida. Podemos falar sobre isso, um dia, se quiseres, mas não era sobre isso que te queria falar hoje.
Hoje queria falar-te dos momentos em que me senti tão plena que pensei que se morresse nesse momento a minha vida tinha sido cheia, cheia de amor, de sorrisos e felicidade. Momentos em que pensei "estou tão feliz que podia morrer". Já tiveste momentos assim? Eu acho que são momentos de extase, de felicidade plena, momentos em que estou completamente entregue ao momento. Talvez seja loucura minha pensar assim, mas é a verdade. Há momentos em que não me importava de morrer e gostava que as pessoas soubessem disso, para não ficarem tristes um dia em que eu morra.
Eu bebi cada momento contigo, saboreei-os ao máximo. Ouvi a tua voz falar de todas as coisas que sabes e gostas, ouvi-a falar de ti, da tua vida, do que te rodeia. Gosto sempre de ouvir a tua voz e, por vezes, ouço-a na minha cabeça, só para relembrar e relaxar. Olhei-te nos olhos como já não me lembrava de olhar para ninguém e disfrutei dos silêncios partilhados. Senti o teu toque todas as vezes e todas as vezes o meu corpo estremeceu, no conforto e prazer dos teus braços e abraços. Saboreei cada momento mesmo, de verdade. E, neste momento, só me passa pela cabeça voltar a tocar-te, abraçar-te, apertar-te... sei lá, passa-me pela cabela ter-te, passa-me pela cabeça o teu cheiro e parece que estás mesmo aqui. Não estás. Mas isso não é triste, é bonito. E foi nesses momentos contigo também que pensei que podia morrer, por me sentir tão bem. Não morri. Mas sei que hei-de pensar e senti-lo novamente e ainda bem. Hei-de voltar a recordar-te também. E, sabes uma coisa? É tão bom. É bom viver-te, mas é bom também recordar-te e quase sentir-te.

Obrigado, obrigado por me ajudares a sentir tão bem que podia morrer agora, e morria feliz.

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