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O meu maior vício.

Em alguns momentos, acredito piamente que sou uma pessoa de vícios. De certa forma, acredito que vem um pouco da minha família, temos algumas histórias de vícios, umas acabaram melhores que outras mas a vida é mesmo assim. Eu acredito também que sou uma pessoa de vícios, procuro viver com eles e retirar deles o máximo de prazer, sem deixar que me controlem, mas nem sempre é fácil.
Tudo o que traz mais felicidade à minha vida é viciante e eu procuro cada vez mais e mais tê-lo na minha vida, de forma incansável e, por vezes, descontrolada. Não é uma vicio, por si só mau... de certa forma, acho que toda a gente devia procurar viver mais e mais daquilo que a faz feliz.
Tudo o que me faz feliz, me vicia e neste conjunto de coisas que me fazem feliz há espaço para muito. Exemplos? Algumas drogas, alcoól (especialmente vinho), comida, sexo, amor. Eu explico-me melhor, calma.
Algumas drogas e alcoól fazem-me feliz, retiram-me um peso de cima e ajudam-me a olhar para a minha vida de uma forma leve e descontraída. Gosto de beber vinho, porque torna o meu riso ainda mais fácil e a única coisa que sinto é uma liberdade ainda maior do que a que sinto no meu dia-a-dia. O mesmo acontece se fumar um charro. Sei que podia facilmente viciar-me nestas duas coisas, perder o controlo e perder-me a mim. Felizmente, para mim, é uma àrea um tanto ou quanto sensível na minha vida e sempre soube que era um caminho que não queria percorrer. Porque, sim, sabe-me bem, beber um copo de vinho (ou mais) regularmente e muito raramente fumar um charro... mas sabem também porque é que sabe bem? Porque nesses momentos estou rodeada de pessoas que gosto, com quem me sinto bem... então, também é nessas pessoas que sou viciada (mais um vício para a coleção). A droga e o alcoól poderiam ser um grande vício e também a minha destruição, mas felizmente, o seu efeito não chega a esse ponto. Não procuro uma felicidade sozinha e isolada ou vazia.
Já a comida tem tido um papel interessante na minha vida. Já fui a pessoa mais controlada em relação à alimentação e já perdi o controlo todo. Já deixei de comer e já comi tudo e mais alguma coisa num curto espaço de tempo. E continuo a balançar na minha vida entre controlar e perder o controlo e, talvez seja o aspeto em que eu tenho mais dificuldade em manter-me estável e saudável. Não sei como, encontrei na comida uma forma de ajudar a calar a inquietação, melancolia e agitação que sinto tantas vezes dentro de mim... uma forma errada de lidar com esses sentimentos, mas num curto espaço de tempo parece sempre que resulta. Mas nunca resulta de verdade e é preciso bastante força de vontade para não o fazer de novo, para não me empanturrar de novo com tudo o que encontro na dispensa e no frigorífico para encher o vazio que sinto. Creio que nem sempre é um vazio, é mais um misto de sensações que não sei interpretar e vejo-o como um vazio que quero encher. Outra e outra vez, até não o sentir mais.
Amor e sexo... Hum. Acho que é mais simples explicar. São coisas diferentes, pelo menos para mim, mas a sua explicação talvez não seja assim tão distinta. Encontrar alguém de quem gosto e com quem me sinto plena ao partilhar o meu dia-a-dia, é uma sensação sem igual. De certa forma, o amor ajuda-me a lidar e a compreender melhor o tal vazio que às vezes sinto. A única diferença (relação à comida) é que o amor o faz de forma mais saudável e duradoura... ajuda-me a encontrar a verdadeira razão para sentir esse vazio, em vez de simplesmente enchê-lo e tentar tapá-lo. Além disso, o amor, gostar de alguém e ser gostado - principalmente gostar de alguém que me deixa gostar de si - dá-me uma enorme sensação de bem estar e plenitude na vida. É como atingir o auge... é, no limite, como apanhar uma grande moca ou uma grande bebedeira - metaforicamente - pois fico mais descontraída, mais alegre e mais leve e livre (sim, livre, o amor não deve ser uma prisão, a meu ver, mas a mais pura forma de liberdade)... mas ao contrário das drogas e alcoól, atira-me para um caminho de companheirismo e de vivência com outras pessoas e não de solidão ou isolamento. O amor é o auge, para mim, o vício mais puro de todos e o mais saudável. O sexo, por si só, funciona como a comida, para mim, oferece-me uma forte sensação de prazer momentâneo, demasiado forte e inexplicavelmente bom. Se for só sexo é só isso... se for aliado ao amor é como chegar ao auge do auge, o momento em que o mundo pára de rodar, não há tempo, não há espaço, não há palavras nem sons. Só sensações, corpo no corpo, toques e olhares. Só existem as pessoas que estão a partilhar esse momento, que parecem suspensas no ar, no meio do universo.
Se há alguns vícios que quero controlar... há outros que quero continuar a manter. O amor é um deles e repito: o amor é, para mim, o melhor vício de todos. E é a falta de amor que alimenta todos os outos vícios... O amor é um vício e é em si mesmo a resposta para "curar" os outros vícios.
O amor é meu maior vício e aquele que me faz mais feliz.
 

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