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Para os meus putos preferidos VI

Hoje foram a tua inocência, a tua carência e o teu carinho que fizeram o meu dia.
O meu coração ficou quentinho e aconhegado com o teu olhar de ternura. Nasceu um sorriso na minha cara, um sorriso sincero. Depois destes dias cinzentos, soube tão partilhar momentos tão simples contigo.
Os teus gestos foram tão simples, mas denunciaram a tua carência. As tuas mãos a agarrarem a minha camisola, sem te aperceberes sequer e sem te aperceberes que eu me apercebia, como quem não quer ficar sozinho. A tua procura em tocares-me, com os pés nas pernas, seja como for, só para saberes que tens ali alguém, que estou contigo, que não estás só. E não estás.
Nem sempre estou lá, nem sempre posso estar. Poderia estar mais, nem sabes o quanto falho nisso, acho que não te apercebes, mas falho. Mas quero tornar isto uma missão minha também: sempre que lá estiver, estar lá para ti. Porque tu mereces. Porque muita coisa te aconteceu tão cedo, porque de repente te viste separado de toda a tua família, longe de tudo (ou quase tudo) o que tu conhecias... Eras e és tão novo, para um desafio tão grande. Mas olha o quão bem te estás a safar! E eu acredito em ti, e acredito que também não sou a única a acreditar. Estamos lá para ti. Quero estar lá para ti. Podes continuar a agarrar a minha camisola, podes continuar a pedir para jogar no telemóvel, podes a dar-me pequenos pontapés só para saberes que estou ali ao lado, podes continuar a pedir carinhosamente um beijinho de despedida... Podes continuar, pequeno piolho, eu estou aqui, eu gosto, esses teu pequenos gestos, quase inconscientes, são pequenos carinhos tão simples e bons.

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