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Para os meus putos preferidos VIII

Surges sempre com um ar distante e um pouco desafiador. Por alguma razão sempre achei piada ao teu jeito. Um gozão, gingão e com um sorrido maroto nos lábios. Falamos pouco e confesso que não quis dar muita confiança, não quis arriscar muito, por medo de estar a forçar demasiado uma ligação que ainda não tinha sentido da tua parte. Não derrubar as tuas barreiras e desrespeitar-te, preferi ir mostrando a minha presença devagarinho, tentando dar-te a entender que te via e te respeitava, até chegar ao momento de te conseguir conhecer melhor, ver melhor, falar melhor. E foi assim, um rápido momento que passou num flash e se calhar para ti não teve grande importância. Eu senti que se estabeleceu uma ligação e fiquei contente. Foi a minha vitória nesse dia. Ter estado contigo, ter trocado algumas palavras contigo e ter falado, ainda que ao de leve de algo que te é íntimo.
Sei que são as pequenas coisas que vos tocam e conquistam. Sei que também não vale a pena forçá-las, porque se não for genuíno, vocês percebem logo e a reação é completamente oposta, afasta-vos. Por isso não quis fingir nada contigo, nem mostrar um interesse falso. Mas quando falámos e a conversa surgiu, tudo o que disseste era o foco da minha atenção. Percebi, de uma forma muito simples, um dos teus sonhos, esperanças e expectativas, que foi cortado; percebi que contavas com alguém que te tivesse amparado e recebido para não teres de estar ali, mas essa pessoa te falhou, por razões que são suas; percebi que de repente viste em mim uma utópica ligação a esse teu sonho e os teus olhos brilharam de esperança.
Para mim foi uma vitória, mas também uma derrota. Por não ser essa ligação, por não te poder dar mais, por não ter dado mais esperança a esse teu sonho. Mas ter visto esse brilho nos teus olhos, ainda que por instantes, fez-me ganhar o dia e fez-me acreditar que é possível ser esse menino cheio de esperança mais vezes.

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