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Mensagens

A perfeição é uma merda. É tudo o que me apetece dizer hoje. Andamos tão preocupados para tentarmos fazer tudo bem, tudo justo, tudo perfeito. Porquê? Para quê? Para quem? Depois paramos, olhamos para dentro e é um vazio. Um buraco enorme no local onde deveria estar aquilo que somos e sentimos. Onde deveria estar aquilo que queremos. Mas fica só um vazio, que até poderia estar cheio de perfeição e mais umas quantas ideias utópicas, mas não está. É um vazio cheio de frustração, tristeza e culpa. Porque a perfeição é uma merda, uma expectativa exagerada que podemos por em cada pontinho da nossa vida, que apenas tem o objetivo de se rir na nossa cara. Eu só quero olhar para dentro e reconhecer-me.  E eu não sou um vazio, não é isso que quero ver. Também não sou perfeição, não é isso que quero encontrar.

Entre a solidão e as pessoas

Vagueio por aí, sei lá onde vou. Podem perguntar ao meu cérebro, também não deve saber. Só quero andar, procurar não-sei-o-quê. Quero estar sozinha no meio de pessoas, no meio da cidade. Faz-me sentir viva. Faz-me sentir próxima, mas sem ter que me dar. Por isso, passeio-me tantas vezes, sem destino, vou com a máquina na mão, procuro estar em contacto com o que sinto, com as minhas emoções, atenta ao presente: no meu corpo e à volta dele. Reparo nos pormenores. Percebo que, por vezes, olho para um sítio e apetece-me chorar. Emociona-me. Se calhar recorda-me de outros tempos, se calhar faz-me imaginar outras vidas. E choro. Percebo que, por vezes, a vista da cidade é a minha melhor companhia, relaxa-me, enche-me de tranquilidade. Nem preciso de pôr música no telemóvel, ela toca diretamente na minha mente, em sintonia com o que vejo, com o que penso e sinto, no momento. Vagueio por aí, entre a solidão e as pessoas. Entre um cansaço de mim e uma vontade incessante de me conhecer mel...

comecei a divagar...

Há coisas que nunca nos explicam. Crescemos sem saber coisas tão importantes. Um dia hei-de perceber porque fazem tabu de coisas tão importantes na nossa vida. Dizem que o amor é importante, mas depois têm medo de falar sobre o bicho que é "fazer amor". Eventualmente, tentam até proibir esse ato tão pecaminoso. Não é afinal aquilo que deveríamos fazer todos os dias? Fazer, ser, dar? Ninguém ensina que fazer amor pode acontecer com alguém do mesmo sexo. Ninguém ensina que fazer amor com várias pessoas. Ninguém ensina que fazer amor é uma coisa boa, sempre. Ninguém ensina que fazer amor é uma partilha. Ninguém ensina que fazer amor é ser, estar e sentir no momento. Ninguém ensina que fazer amor pode acontecer num caso de uma noite. Ninguém nos ensina que podemos amar imenso uma pessoa e não conseguir fazer amor com ela. Ninguém nos ensina que há uma diversidade imensa de fazer amor e nenhuma delas é mais certa do que a outra. Ninguém nos ensina que não é por fazemos ...
Dizem que em vez de desistir, temos de aprender a parar e descansar. Eu acho que também é importante aprendermos a distinguir: distinguir o que vale a pena. Há situações em que parar e descansar não é o suficiente, na verdade, não muda nada. Só faz com que permaneça tudo igual, durante mais tempo. Só acalmamos a nossa mente, mas o contexto está igual. E não era a mente que queríamos mudar. Não era na mente que estava a questão. Era fora, e parar e descansar, não permitiu mudança. Há situações em que vale a pena. Afastamo-nos da situação, vemos de fora, ganhamos perspetiva e conseguimos ver o panorama geral do que se passa. Conseguimos compreender, agora, depois de pararmos e descansarmos, o que antes nos parecia incompreensível. A nossa mente mudou, avançou e isso fez com que o mundo à nossa volta ganhasse novos contornos, novas cores. Parar, fez sentido. Acredito que é importante sermos capazes de ver a situação de fora, colocarmo-nos no papel do outro, de outros. Praticarmos ...

A saúde mental é para todos.

Tive problemas de ansiedade, depressão e alimentação. Foram anos confusos para mim. Mesmo agora, relembrando, tudo é uma enorme confusão. Sei que me senti sozinha, mesmo quando não estava. Sei que houve pessoas que se afastaram. Sei que houve pessoas que não compreenderam. E outras que nunca se aperceberam. Eram dias passados em casa, sem fazer nada, numa apatia que me prendia à cama ou ao sofá. Levantava-me ao fim do dia e arranjava-me o melhor que podia com a pouca energia que tinha para que ninguém se apercebesse ao chegar a casa.  Eram dias passados a comer tudo o que houvesse em casa, principalmente chocolates e fastfood, e se fosse preciso ir comprar algo mais ao supermercado ia; depois também eram dias de mau estar; e dias sem comer, só a beber chá e água. Eram dias em que não conseguia sair de casa, em que estar fora de casa era altamente desconfortável e assustador. Lembro-me de faltar a formações que gostava; lembro-me de cancelar coisas com amigos; lembro-me de e...

Crescemos juntos

Digo-lhes constantemente que, é bom focarmo-nos nos aspetos positivos da vida, mas que é importante também dedicarmos tempo a refletir e explorar os sentimentos que consideramos mais desagradáveis. Fechá-los num espacinho pequeno no fundo da nossa mente ou do nosso coração não é solução, digo-lhes. Se os deixarmos lá, sozinhos, eles vão crescer sem regras e sem perceberem que também têm o seu lado bom. E vão começar a sair cá para fora de forma desorganizada, desadequada, por vezes, sem os controlarmos. Lembrem-se, cresceram sem regras: nunca se falou deles, nem com eles. Vamos ter tristeza, medo, frustração, raiva, nojo descontrolados, a passear pela nossa mente, sem nós querermos, e depois vão sair cá para fora sem nos apercebermos, em atitudes reativas e até determinado ponto, inconscientes. Digo-lhes tudo isto, explicando da melhor forma que posso para que eles possam entender a importância de falar destes sentimentos. Dizemos tantas vezes que são sentimentos maus, podemos chamar...

Pausar

Pausar Parar Ficar preso. Bloqueado  entre dois tempos Nem ali Nem acolá Dois tempos que não existem Um já foi O outro ainda será Quem saberá? Como se fosse possível parar quando o relógio continua a marcar as horas quando o tempo continua a avançar e julgamos nós ousamos nós dizer que vamos  fazer uma pausa na nossa vida,  iludidos na ideia  de que conseguimos parar tudo para pensar e concertar o que está errado. Porque é isso que queremos Abrandar a velocidade tornar o erro menos grave fazer a falha mais pequena. Sarar a ferida em pausa, para não doer. E se conseguirmos fazer isso,  não seria tão bom? Mas será que conseguimos depois avançar sem ficarmos parados no tempo nesse período de pausa pode o botão ficar bloqueado e  nunca mais avançarmos? Será que conseguimos  tornar as coisas certas e regressar à velocidade normal  das vidas e continuar a viver, a rir, a par...