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Mensagens

Pensamentos perdidos num café enquanto bebo um fino.

Olho à minha volta e questiono-me, tantas vezes.  O que é que eu ando aqui a fazer?  O que andamos todos aqui a fazer?  Preocupamo-nos com merdices, pequeninas e continuamos com as nossas vidas tristes. Rotina e mais rotina, para ali e para aqui. Vai para o trabalho, Vai para casa, conta o dinheiro vai às compras come alguma coisa bebe um fino fuma um cigarro e mais qualquer coisa dorme sonha esquece o mundo sê feliz sê o que quiseres acorda repete. e repete tudo de novo. Para quê? Porquê? Caio na rotina, assim sem me aperceber. E do nada, a vida torna-se uma sucessão de momentos aborrecidos, sem emoção nenhuma que lhe valha, que lhes dê significado. São só momentos emq ue consigo dizer que estou viva, porque estou ali a vivê-los, estou ali a passar o tempo... Mas estou a senti-los? É mesmo aí que quero estar? Se me fosse dada toda a liberdade do mundo, sem qualquer julgamento ou obstáculo, era aí que eu estava? Ou estaria eu do...

A minha mente é a minha casa

A minha mente é um mundo um buraco gigante em que caio me perco me magoo  e, no final, sobrevivo. Acho que é um buraco fundo assustador, talvez. Não entra aqui muita gente. Já eu, raras vezes saio de lá já não sei viver noutro lugar este buraco é a minha casa faltam-lhe paredes e tetos é confusão entre tempo e espaço. E, por muito louco estranho escuro, que seja é lá que me encontro. Muitas vezes, também é lá que me afogo é lá que sinto que o mundo me engole sem pedir permissão. É lá que tudo se torna demasiado e é lá que ganho clareza é lá que tudo acontece. A realidade é demasiado estranha para mim talvez tenha muita luz muita cor. Na realidade, também estou sozinha. Pelo menos aqui, posso estar comigo.

Vai querer repetir?

Vai querer repetir? Vou sim, por favor, é tão simpático da sua parte vir-me perguntar. Por favor, traz-me mais um copo mais uma memória mais uma mágoa mais uma ferida traz-me mais um sorriso também  um beijo na testa. Por favor, ama-me mais uma vez traz-me mais tempo mais um beijo mais um abraço mais uma noite, quem sabe. Sim, vou querer repetir, por favor. Dá-me mais do que quiseres mais. Odeia-me Ama-me. Bate-me Protege-me. Escolhe. Mas dá-me algo mais. Mais do que isto mais do que ser mais do que existir faz-me sentir. Dá-me algo que faça tudo isto todo o nada ter sentido. Sim, por favor, traga-me mais uma cerveja,  obrigada e depois a conta está na minha hora de ir embora.
A perfeição é uma merda. É tudo o que me apetece dizer hoje. Andamos tão preocupados para tentarmos fazer tudo bem, tudo justo, tudo perfeito. Porquê? Para quê? Para quem? Depois paramos, olhamos para dentro e é um vazio. Um buraco enorme no local onde deveria estar aquilo que somos e sentimos. Onde deveria estar aquilo que queremos. Mas fica só um vazio, que até poderia estar cheio de perfeição e mais umas quantas ideias utópicas, mas não está. É um vazio cheio de frustração, tristeza e culpa. Porque a perfeição é uma merda, uma expectativa exagerada que podemos por em cada pontinho da nossa vida, que apenas tem o objetivo de se rir na nossa cara. Eu só quero olhar para dentro e reconhecer-me.  E eu não sou um vazio, não é isso que quero ver. Também não sou perfeição, não é isso que quero encontrar.

Entre a solidão e as pessoas

Vagueio por aí, sei lá onde vou. Podem perguntar ao meu cérebro, também não deve saber. Só quero andar, procurar não-sei-o-quê. Quero estar sozinha no meio de pessoas, no meio da cidade. Faz-me sentir viva. Faz-me sentir próxima, mas sem ter que me dar. Por isso, passeio-me tantas vezes, sem destino, vou com a máquina na mão, procuro estar em contacto com o que sinto, com as minhas emoções, atenta ao presente: no meu corpo e à volta dele. Reparo nos pormenores. Percebo que, por vezes, olho para um sítio e apetece-me chorar. Emociona-me. Se calhar recorda-me de outros tempos, se calhar faz-me imaginar outras vidas. E choro. Percebo que, por vezes, a vista da cidade é a minha melhor companhia, relaxa-me, enche-me de tranquilidade. Nem preciso de pôr música no telemóvel, ela toca diretamente na minha mente, em sintonia com o que vejo, com o que penso e sinto, no momento. Vagueio por aí, entre a solidão e as pessoas. Entre um cansaço de mim e uma vontade incessante de me conhecer mel...

comecei a divagar...

Há coisas que nunca nos explicam. Crescemos sem saber coisas tão importantes. Um dia hei-de perceber porque fazem tabu de coisas tão importantes na nossa vida. Dizem que o amor é importante, mas depois têm medo de falar sobre o bicho que é "fazer amor". Eventualmente, tentam até proibir esse ato tão pecaminoso. Não é afinal aquilo que deveríamos fazer todos os dias? Fazer, ser, dar? Ninguém ensina que fazer amor pode acontecer com alguém do mesmo sexo. Ninguém ensina que fazer amor com várias pessoas. Ninguém ensina que fazer amor é uma coisa boa, sempre. Ninguém ensina que fazer amor é uma partilha. Ninguém ensina que fazer amor é ser, estar e sentir no momento. Ninguém ensina que fazer amor pode acontecer num caso de uma noite. Ninguém nos ensina que podemos amar imenso uma pessoa e não conseguir fazer amor com ela. Ninguém nos ensina que há uma diversidade imensa de fazer amor e nenhuma delas é mais certa do que a outra. Ninguém nos ensina que não é por fazemos ...
Dizem que em vez de desistir, temos de aprender a parar e descansar. Eu acho que também é importante aprendermos a distinguir: distinguir o que vale a pena. Há situações em que parar e descansar não é o suficiente, na verdade, não muda nada. Só faz com que permaneça tudo igual, durante mais tempo. Só acalmamos a nossa mente, mas o contexto está igual. E não era a mente que queríamos mudar. Não era na mente que estava a questão. Era fora, e parar e descansar, não permitiu mudança. Há situações em que vale a pena. Afastamo-nos da situação, vemos de fora, ganhamos perspetiva e conseguimos ver o panorama geral do que se passa. Conseguimos compreender, agora, depois de pararmos e descansarmos, o que antes nos parecia incompreensível. A nossa mente mudou, avançou e isso fez com que o mundo à nossa volta ganhasse novos contornos, novas cores. Parar, fez sentido. Acredito que é importante sermos capazes de ver a situação de fora, colocarmo-nos no papel do outro, de outros. Praticarmos ...