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às vezes queria fazer-te pequenino esmagar-te encolher-te dar-te uma forma qualquer como a um pedaço de barro ou plasticina para poder sei lá meter-te no bolso e andar contigo todo o dia tocar-te beijar-te admirar-te ter-te em mim junto a mim mas penso também que se fosses assim  pequenino metia-te no bolso ou na carteira e de repente, podia perder-te deixar-te cair ao tirar uma moeda ou podias sair  pelo buraco do bolso velho num momento qualquer em que eu não notasse e só ao final do dia chegasse a casa e fosse tirar-te do bolso para te juntar à minha pele daria pela tua falta e não teria como te encontrar então prefiro-te assim como tu és mesmo que não te tenha em mim sempre prefiro-te assim com toda a liberdade  de seres e estares e viveres e amares fora do meu bolso ou carteira prefiro-te assim do teu tamanho natural com tudo aquilo que és prefiro-te assim e vivo-te sempre que posso e é sempre bom guardando-te sempre ...
no meio de uma tentativa de que não sejas nada para mim de que seja tudo controlável para que possa parar quando quiser quando eu bem entender porque a minha vontade é que prevalece e porque parto do princípio de que para os outros nunca é nada de muito importante de repente vejo-te como um centro toda a luz cai em ti o sol ilumina-te a sombra foge de ti e eu assusto-me. não tem a ver contigo é que na verdade o meu mundo não tem muitas pessoas e de repente a tua presença  traz outra magia outra energia que é boa  mas diferente e de repente  fico um pouco perdida. parece-me tudo simples e não quero complicar está tudo tão bem assim sem pensar demasiado só seguindo a onda do que sinto do que me dás e nem a liberdade que nos envolve e nos permite ser mais com outras pessoas me afasta, pelo contrário parece que isso até me atrái mais e me puxa  me excita até e me faz querer mais  deste abraço apertado de liberdade.

hoje não chove em mim

Chove. Chove imenso lá fora. Mantenho-me dentro, no quentinho. A cama é demasiado confortável para sair e não há nada que me chame para a vida cinzenta lá fora. Por isso, fico aqui, no aconchego do edredon que me abraça. E penso ou medito. Deixo os meus pensamentos surgirem e desaparecerem conforme lhes apetece. Em imagens, sons, cores, vozes, cheiros, palavras. Vão e vêm. Tento perceber o que sinto que cada coisa que me surge, mas não as prendo. Tudo flui num misto de realidade, sonho e pensamento, numa espécie de familiaridade estranha. O meu corpo está leve, a minha mente também. Vale a pena dedicar tempo a estar sozinho e aproveitar a nossa própria companhia. Aprendemos a sentir conforto, ao invés da solidão que sentíamos inicialmente, ou que julgávamos sentir. Demorei tempo a saber parar e apreciar estes momentos e, por vezes, ainda me custa. Mas ultimamente cada vez menos. Talvez seja porque estar sozinha me surge agora como uma opção, e não como obrigação, então há uma certa s...

Pensamentos perdidos num café enquanto bebo um fino.

Olho à minha volta e questiono-me, tantas vezes.  O que é que eu ando aqui a fazer?  O que andamos todos aqui a fazer?  Preocupamo-nos com merdices, pequeninas e continuamos com as nossas vidas tristes. Rotina e mais rotina, para ali e para aqui. Vai para o trabalho, Vai para casa, conta o dinheiro vai às compras come alguma coisa bebe um fino fuma um cigarro e mais qualquer coisa dorme sonha esquece o mundo sê feliz sê o que quiseres acorda repete. e repete tudo de novo. Para quê? Porquê? Caio na rotina, assim sem me aperceber. E do nada, a vida torna-se uma sucessão de momentos aborrecidos, sem emoção nenhuma que lhe valha, que lhes dê significado. São só momentos emq ue consigo dizer que estou viva, porque estou ali a vivê-los, estou ali a passar o tempo... Mas estou a senti-los? É mesmo aí que quero estar? Se me fosse dada toda a liberdade do mundo, sem qualquer julgamento ou obstáculo, era aí que eu estava? Ou estaria eu do...

A minha mente é a minha casa

A minha mente é um mundo um buraco gigante em que caio me perco me magoo  e, no final, sobrevivo. Acho que é um buraco fundo assustador, talvez. Não entra aqui muita gente. Já eu, raras vezes saio de lá já não sei viver noutro lugar este buraco é a minha casa faltam-lhe paredes e tetos é confusão entre tempo e espaço. E, por muito louco estranho escuro, que seja é lá que me encontro. Muitas vezes, também é lá que me afogo é lá que sinto que o mundo me engole sem pedir permissão. É lá que tudo se torna demasiado e é lá que ganho clareza é lá que tudo acontece. A realidade é demasiado estranha para mim talvez tenha muita luz muita cor. Na realidade, também estou sozinha. Pelo menos aqui, posso estar comigo.

Vai querer repetir?

Vai querer repetir? Vou sim, por favor, é tão simpático da sua parte vir-me perguntar. Por favor, traz-me mais um copo mais uma memória mais uma mágoa mais uma ferida traz-me mais um sorriso também  um beijo na testa. Por favor, ama-me mais uma vez traz-me mais tempo mais um beijo mais um abraço mais uma noite, quem sabe. Sim, vou querer repetir, por favor. Dá-me mais do que quiseres mais. Odeia-me Ama-me. Bate-me Protege-me. Escolhe. Mas dá-me algo mais. Mais do que isto mais do que ser mais do que existir faz-me sentir. Dá-me algo que faça tudo isto todo o nada ter sentido. Sim, por favor, traga-me mais uma cerveja,  obrigada e depois a conta está na minha hora de ir embora.
A perfeição é uma merda. É tudo o que me apetece dizer hoje. Andamos tão preocupados para tentarmos fazer tudo bem, tudo justo, tudo perfeito. Porquê? Para quê? Para quem? Depois paramos, olhamos para dentro e é um vazio. Um buraco enorme no local onde deveria estar aquilo que somos e sentimos. Onde deveria estar aquilo que queremos. Mas fica só um vazio, que até poderia estar cheio de perfeição e mais umas quantas ideias utópicas, mas não está. É um vazio cheio de frustração, tristeza e culpa. Porque a perfeição é uma merda, uma expectativa exagerada que podemos por em cada pontinho da nossa vida, que apenas tem o objetivo de se rir na nossa cara. Eu só quero olhar para dentro e reconhecer-me.  E eu não sou um vazio, não é isso que quero ver. Também não sou perfeição, não é isso que quero encontrar.