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Vem. Põe um bom vestido em cima, calça uns sapatos caros, maquilha-te. Transforma-te e vem.

Mesmo que não sejas tu própria a vir, vem, o que interessa é que estejas, ainda que não sejas realmente tu.

Vou. Mas vou sem esse bom vestido, sem esses sapatos caros e sem pinturas na cara. Vou eu. Vou com um vestido e uns sapatos, é verdade. Porém ainda sou eu que vou. 
Não me consigo mudar. Não tenho jeito para vestidos caros, nem sapatos de salto alto, e muito menos para maquilhagem. Porque essa não sou eu. Nem sequer vou mexer no meu cabelo, porque o meu cabelo é assim e mudá-lo seria mudar-me. Decidi que não quero mudar.
Aparecerei porque estaremos todos juntos e porque também lá estarão pessoas que deixaram saudades e outras que deixarão mais tarde. Vou. Talvez vá por alguma força maior que não me deixa dizer que não. Mas essa mesma força que há em mim diz-me para não me perder naquilo que não sou, para não esquecer a essência do meu mundo que quero defender e proteger. Não esquecerei aquilo que sou. Irei apenas eu, nem mais nem menos. Sem máscaras. Eu vou, com um vestido e uns sapatos. Vou.

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a vontade

Às vezes, vem a vontade a vontade de te ver sempre de estar contigo sempre de esquecer que tudo o resto existe e aí, venho embora, e procuro voltar a mim prefiro ter essa vontade aguentá-la,  diluí-la no tempo esticá-la,  fazendo-a durar, do que acabar com ela logo de uma só vez rapidamente, sem pensar e quase sem sentir então escrevo penso, pinto,  sonho,  grito, abraço essa vontade e trago-a comigo lá no fundo do peito como companhia E quando te volto a ver deixo-a sair para a sentir de novo e deixar que me invada e me faça feliz por te ver por te ter por estar contigo  e sentir novamente aquela vontade louca sem sentido de esquecer tudo o resto e sou só ali contigo eu e a vontade e todos os outros sentimentos e sensações e tudo e tudo. Para depois voltar a mim para que possa voltar para ti sem me esquecer de quem sou e de quem tu és independentes um do outro.
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