Avançar para o conteúdo principal

Onde está a ética dos veterinários?


Não entendo como num mundo que dizemos tão evoluído continuamos a ver os animais como seres inferiores ao ser humano e que, portanto, não são portadores dos direitos mais básicos que o ser humano reconhece instintivamente para si. Se no outro dia eu tivesse visto um senhor no meio da rua ferido e tivesse chamado um ambulância, esta teria vindo imediatamente (ainda que pudesse demorar algum tempinho...), porque obviamente estava uma vida em jogo. Mas não, o que eu vi no outro dia foi um gato ferido, com o pescoço aberto e ferido numa pata, magro, fraco, apenas cheirava os meus dedos que tentavam chegar-lhe. Não tinha dinheiro, nem manta, nem nada. Ia a passar e vi-o. Inês, vamos lá. Primeira tentativa, liguei para a veterinário do meu gato a pedir ajuda, mas como estão longe deram-me o contacto de um veterinário mais próximo. Ok. Segunda tentativa: Clínica XX "Boa tarde, estou a ligar-lhe porque encontrei um gato aqui na Rua XX, está ferido e fraco e eu queria fazer alguma coisa, ajudá-lo", "Pode pegar numa manta e trazê-lo ou pô-lo numa caixa", "Olhe, eu estou no meio da rua e não tenho nada comigo, além disso tenho medo de o magoar visto que ele está muito ferido, será que como é aqui perto não podem vir cá buscá-lo?", "Pois, é complicado, só se o trouxer numa manta ou caixa, sabe nós não podemos salvar todos os animais de rua". Revolta! Eu não lhe estava a pedir para salvar todos os animais de rua, estava a pedir para salvar um, porque estava num estado muito mau, mas a resposta que tenho é sempre a mesma: "Se a menina se responsabilizar por ele e pela consulta e tratamentos...". Noutra altura talvez o fizesse, mas era-me mesmo impossível, não tinha como responsabilizar-me por aquele gatinho e fico revoltada comigo mesma.

Porém, questiono-me onde está a ética dos veterinários? Talvez fosse uma disciplina que deveria ser mais rigorosa quando estão a tirar o curso. Não lhes ensinam que os animais têm direitos e merecem respeito, tal como nós? Não lhes ensinam a fazer o melhor possível e a tentar salvar os animais que forem possíveis, tal como se faz nos hospitais? Não lhes ensinaram a não negar tratamento a um ser frágil e necessitado? Mas que raio afinal é que aprendem? A ser máquinas? A só verem o lucro?
Continuo a perguntar-me o que lhes teria custado viram ajudar a pegar no pequenito e levá-lo para a clínica, dar-lhe banho, comida e água, desinfectar os ferimentos e deixá-lo repousar sossegado por uma noite? Já não pedia mais. Talvez depois eu pudesse ajudá-lo de outra forma. Talvez ele depois conseguisse recuperar por si. Talvez, agora não sei dele. E o que me custa é que provavelmente a veterinária que me atendeu já nem se lembra dele. Perdoa-me.

Comentários

Believer disse…
Inês ao ler o teu texto, revi-me por completo.também eu vi um gato na rua, e tentei por tudo salvá-lo, mas a veterinária "Animal Care" no Padrão da Légua pura e simplesmente não quiseram saber! Paguei 110 euros, por um gato que não era meu, e como não pude pagar mais, deixaram-no morrer. Durante dois dias nâo dormi, e ainda cheguei a ir là reclamar a falta de "carinho" que tiveram. Só e apenas dinheiro. Como eu te percebo...na altura também escrevi no meu blog...para acalmar talvez. Revolta e sobretudo magoa viver num paìs assim

Mensagens populares deste blogue

a vontade

Às vezes, vem a vontade a vontade de te ver sempre de estar contigo sempre de esquecer que tudo o resto existe e aí, venho embora, e procuro voltar a mim prefiro ter essa vontade aguentá-la,  diluí-la no tempo esticá-la,  fazendo-a durar, do que acabar com ela logo de uma só vez rapidamente, sem pensar e quase sem sentir então escrevo penso, pinto,  sonho,  grito, abraço essa vontade e trago-a comigo lá no fundo do peito como companhia E quando te volto a ver deixo-a sair para a sentir de novo e deixar que me invada e me faça feliz por te ver por te ter por estar contigo  e sentir novamente aquela vontade louca sem sentido de esquecer tudo o resto e sou só ali contigo eu e a vontade e todos os outros sentimentos e sensações e tudo e tudo. Para depois voltar a mim para que possa voltar para ti sem me esquecer de quem sou e de quem tu és independentes um do outro.
No meio da confusão, às vezes, o universo tem a sua forma de nos desafiar e de nos fazer parar. Perco-me entre a procura de pessoas, vivências, experiências e tudo o que possa haver para fazer, encontrar e visitar. Quando, na verdade, preciso de olhar para dentro, respirar e procurar em mim um lugar de calma e felicidade.  Então, lá vem a magia de estar prestes a partir numa mini viagem sozinha, algo que nunca antes fiz. E, talvez fosse demorar demasiado tempo a fazê-lo, porque partilhar me parece sempre mais interessante do que guardar só para mim. E porque apesar de parecer excitante a ideia de ir sem ninguém, ter alguém parece dar uma segurança e conforto extra.  Mas se as viagens são como a vida, então isto faz sentido. Vai sozinha, segue o teu caminho. As pessoas, entretanto, aparecem, se assim quiseres... e desaparecem também. Se sou capaz de seguir pela vida sem a necessidade de ter alguém, então sou capaz de partir também nesta viagem, sozinha, com muita confianç...
Surgiu naturalmente e agora parece-me a forma mais incrível e sincera de gostar. Pensa no quão bom é, teres uma pessoa ao teu lado que te permite explorares tudo aquilo que és, seja com essa pessoa ou com outra. Seja sexualmente, emocionalmente ou intelectualmente, ou de qualquer outra forma que aprecies e desejes. Imagina o quão libertador seria, poderes agir sobre aquilo que sentes, sem medo de magoar a outra pessoa ou de a perder? Pelo contrário, sabendo que ao fazeres isso, podes até estar a contribuir para o aprofundamento da ligação que ambas têm, para o aprofundamento do que conhecem uma da outra e do que conheces ti próprio/a. Não. Uma relação aberta, não é uma relação onde ambas as partes traem e isso é aceite. É uma relação onde todas as partes envolvidas se respeitam e aceitam, e onde a comunicação e sinceridade são peças essenciais. Uma relação que te obrigada a explorar e a falar do que sentes e pensas, com abertura. E aprendes a ouvir e a aceitar também.  Deixas...