Avançar para o conteúdo principal

Correr

Antigamente, não era grande fã de desporto. Andava a pé, jogava um volley no verão e tal, mas não era grande desportista.
Interessei-me pelo desporto quando conheci o remo. Um desporto que para além de trabalhar a minha parte física, mas libertava psicologicamente. Nunca tinha tido aquela sensação fantástica de, sozinha ou acompanhada (mas mais sozinha), estar no meio do rio e observar toda aquela paisagem, sentindo-me pequenina, mas maravilhada com o que rodeava e sentindo que era ali que eu pertencia. Subir até à ponte dos comboios e voltar a descer... Fantástico, uma liberdade que não consigo descrever. Eu senti uma mudança física, mas acima de tudo mental: eu sentia-me bem naquele lugar com aquelas pessoas. 
Entretanto, desenvolvi o gosto pelo exercício físico e comecei também a praticar por mim. E iniciei as minhas corridas. Primeiro, apenas 20 minutos ao fim-de-semana. Depois, corria todos os dias de manhã cedo antes de ir para as aulas e ao fim-de-semana. Mais tarde, aumentei para 30 minutos. E por fim, era 30 minutos nos dias de aulas e 1 hora ao fim-de-semana. Sem contar com os treinos. Quem me tirava a corrida matinal tirava-me tudo. Acordava bem-disposta e cheia de energia.
Infelizmente, tive de parar e, infelizmente, de novo, não sei até quando ou se mesmo definitivamente. Já estou parada há 2 meses pelo menos, sem treinos nem corridas. A única coisa que faço é caminhar. Quando naquele dia ao correr senti uma dor pela perna toda que quase me fez falhar a perna, percebi que devia parar um pouco, nunca pensei que fosse tanto. Deixei andar, até ao momento em que a dor começa a surgir apenas com o andar. Aí, parou tudo, assustei-me. Fui fazer raio-x, mas a linguagem dos médicos é demasiado técnica para eu perceber o que é sem explicação da médica. Sei que algo não está muito bem ou como deveria. Segunda-feira vou à médica saber. Estou ansiosa, pois quero saber o que posso ou não fazer. Quero voltar ao desporto, nem que seja natação ou hidroginástica, mas quero fazer algo, porque estar assim parada faz-me mal ao corpo e à mente. E o que me deixa mais chateada é que mesmo as caminhadas ás vezes custam um pouquinho, manco um bocado e não sei até que ponto estarei a forçar algo que já não está bem.
Mas, é mais forte do que eu, simplesmente já não sei estar parada. Apetece-me uma boa corridinha!

Comentários

NewMe / Dany disse…
estou a começar a apaixonar-me pela corrida e garanto-te que nunca imaginei tal coisa. revejo-me no teu texto, pois eu também nunca fui pessoa de seguir algo e investir a sério na área do desporto mas agora começo mesmo a sentir-me bem, inclusive mentalmente.
Tenho a certeza que o problema poderá resolver-se e que durante a resolução possas pelo menos fazer a hidroginástica. pensamento positivo! beijinho :)

Mensagens populares deste blogue

a vontade

Às vezes, vem a vontade a vontade de te ver sempre de estar contigo sempre de esquecer que tudo o resto existe e aí, venho embora, e procuro voltar a mim prefiro ter essa vontade aguentá-la,  diluí-la no tempo esticá-la,  fazendo-a durar, do que acabar com ela logo de uma só vez rapidamente, sem pensar e quase sem sentir então escrevo penso, pinto,  sonho,  grito, abraço essa vontade e trago-a comigo lá no fundo do peito como companhia E quando te volto a ver deixo-a sair para a sentir de novo e deixar que me invada e me faça feliz por te ver por te ter por estar contigo  e sentir novamente aquela vontade louca sem sentido de esquecer tudo o resto e sou só ali contigo eu e a vontade e todos os outros sentimentos e sensações e tudo e tudo. Para depois voltar a mim para que possa voltar para ti sem me esquecer de quem sou e de quem tu és independentes um do outro.
No meio da confusão, às vezes, o universo tem a sua forma de nos desafiar e de nos fazer parar. Perco-me entre a procura de pessoas, vivências, experiências e tudo o que possa haver para fazer, encontrar e visitar. Quando, na verdade, preciso de olhar para dentro, respirar e procurar em mim um lugar de calma e felicidade.  Então, lá vem a magia de estar prestes a partir numa mini viagem sozinha, algo que nunca antes fiz. E, talvez fosse demorar demasiado tempo a fazê-lo, porque partilhar me parece sempre mais interessante do que guardar só para mim. E porque apesar de parecer excitante a ideia de ir sem ninguém, ter alguém parece dar uma segurança e conforto extra.  Mas se as viagens são como a vida, então isto faz sentido. Vai sozinha, segue o teu caminho. As pessoas, entretanto, aparecem, se assim quiseres... e desaparecem também. Se sou capaz de seguir pela vida sem a necessidade de ter alguém, então sou capaz de partir também nesta viagem, sozinha, com muita confianç...

Dizer adeus no trabalho

Não nos preparam para isto. Nunca ninguém me falou disto e nunca pensei passar por isto desta forma. Mas a verdade é que nas profissões da área social, não é possível ignorar a parte relacional. Aliás, essa é a parte mais importante do nosso trabalho, as relações significativas que criámos com as pessoas, com os utentes ou clientes, como lhes quiserem chamar. São pessoas. Pessoas a quem nos ligamos, de quem gostamos e de quem sentimos saudades. Sim, nem todos os dias são cor-de-rosa e nem sempre saímos do trabalho com um sorrido no rosto. Mas isso não significa que não gostemos dessas pessoas. Só que ninguém nos prepara para o momento em que temos de sair. Principalmente, quando sair não é uma decisão nossa. É um murro no estômago, e levantam-se tantas questões: - o que lhes dizer, como lhes explicar? - quando lhes dizer? - como ajudar a conter as suas emoções, quando as nossas emoções também estão à flor da pele? - como deixar para trás anos de relação, de acompanhamento, ...