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às vezes.

às vezes não percebo. não percebo porque é que as pessoas insistem em procurar as pessoas erradas para elas. eu sei, também não gosto da palavra 'errado' e no fundo as pessoas não são erradas. mas porque é que as pessoas procuram a confusão, o difícil, o não-amor, quando tudo o que querem é o contrário disso? é por isso que, às vezes, não percebo. às vezes, queria estar mais próximo, conseguir dar um pouco mais de amor e carinho. às vezes, queria quase curar e ajudar a sarar feridas que deixaram que outros fizessem. depois, percebo que não é esse o meu papel, não é suposto eu fazer isso. não é dessa maneira que me vêem e que desejam que eu aja. porque não é a mim que me querer a curar as feridas, não é a mim que me querem a seu lado. isto nem sequer me magoa, não fico triste, chateada, frustrada ou com fúria ou raiva em relação a essas pessoas. nada disso. continuo a sentir-me bem comigo própria e até com elas. só não entendo. de facto, às vezes, as pessoas andam atrás de algo que está mesmo ao lado delas, ou à frente, ou debaixo do nariz. mas as pessoas esquecem de fechar os olhos e de ver com o coração, tal como diz o principezinho. as pessoas acham isso muito bonito mas, às vezes, no dia-a-dia esquecem. vêem só com os olhos que já não conseguem ver bem, que já têm filtros e estão cansados. porque ver com o coração, ajuda a nossa visão, completa-a. ver com o coração ajuda-nos a ver a energia e o amor que a pessoa ou objeto nos transmite. ver com o coração ajuda-nos a filtrar e encontrar o amor. ver com o coração ajuda-nos a olhar melhor para os nosso sentimentos e a vê-los melhor. quer dizer, digo eu. eu acho que vejo melhor quando vejo com o coração. consigo ver mais além da situação em si. eu gosto de ver com o coração. mas, confesso que também eu, às vezes, me esqueço.
se todos tentássemos ver mais com o coração, se calhar seríamos todos mais felizes. se calhar encontraríamos mais coisas que nos fazem sorrir. Se calhar encontraríamos mais amor.

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a vontade

Às vezes, vem a vontade a vontade de te ver sempre de estar contigo sempre de esquecer que tudo o resto existe e aí, venho embora, e procuro voltar a mim prefiro ter essa vontade aguentá-la,  diluí-la no tempo esticá-la,  fazendo-a durar, do que acabar com ela logo de uma só vez rapidamente, sem pensar e quase sem sentir então escrevo penso, pinto,  sonho,  grito, abraço essa vontade e trago-a comigo lá no fundo do peito como companhia E quando te volto a ver deixo-a sair para a sentir de novo e deixar que me invada e me faça feliz por te ver por te ter por estar contigo  e sentir novamente aquela vontade louca sem sentido de esquecer tudo o resto e sou só ali contigo eu e a vontade e todos os outros sentimentos e sensações e tudo e tudo. Para depois voltar a mim para que possa voltar para ti sem me esquecer de quem sou e de quem tu és independentes um do outro.
No meio da confusão, às vezes, o universo tem a sua forma de nos desafiar e de nos fazer parar. Perco-me entre a procura de pessoas, vivências, experiências e tudo o que possa haver para fazer, encontrar e visitar. Quando, na verdade, preciso de olhar para dentro, respirar e procurar em mim um lugar de calma e felicidade.  Então, lá vem a magia de estar prestes a partir numa mini viagem sozinha, algo que nunca antes fiz. E, talvez fosse demorar demasiado tempo a fazê-lo, porque partilhar me parece sempre mais interessante do que guardar só para mim. E porque apesar de parecer excitante a ideia de ir sem ninguém, ter alguém parece dar uma segurança e conforto extra.  Mas se as viagens são como a vida, então isto faz sentido. Vai sozinha, segue o teu caminho. As pessoas, entretanto, aparecem, se assim quiseres... e desaparecem também. Se sou capaz de seguir pela vida sem a necessidade de ter alguém, então sou capaz de partir também nesta viagem, sozinha, com muita confianç...
Surgiu naturalmente e agora parece-me a forma mais incrível e sincera de gostar. Pensa no quão bom é, teres uma pessoa ao teu lado que te permite explorares tudo aquilo que és, seja com essa pessoa ou com outra. Seja sexualmente, emocionalmente ou intelectualmente, ou de qualquer outra forma que aprecies e desejes. Imagina o quão libertador seria, poderes agir sobre aquilo que sentes, sem medo de magoar a outra pessoa ou de a perder? Pelo contrário, sabendo que ao fazeres isso, podes até estar a contribuir para o aprofundamento da ligação que ambas têm, para o aprofundamento do que conhecem uma da outra e do que conheces ti próprio/a. Não. Uma relação aberta, não é uma relação onde ambas as partes traem e isso é aceite. É uma relação onde todas as partes envolvidas se respeitam e aceitam, e onde a comunicação e sinceridade são peças essenciais. Uma relação que te obrigada a explorar e a falar do que sentes e pensas, com abertura. E aprendes a ouvir e a aceitar também.  Deixas...