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Cartas para ti XI

Desculpa. A culpa é minha devia ter-te avisado antes. Mostrei-te quem sou, mas talvez tenha deixado aparecer mais o que é mais feliz e tranquilo. Esqueci-me de te falar das sombras. Não porque te quisesse esconder algo, simplesmente não quis pesar-te e quis aproveitar cada momento nosso com sorrisos e não com monstros da minha cabeça. Mas sim, existem sombras e momentos maus. Desculpa. Volta e meia é possível que não me reconheças. Volta e meia não vou querer sair da cama, nem que me prometas a paz do mundo.
Vão haver dias como o de hoje. Talvez pior. Dias em que a voz me foge e só quero encolher-me, tornar-me o mais pequenina possível e se possível desaparecer para ninguém me encontrar, nem mesmo tu. Dias em que vou querer não sair do meu casulo nem deixar ninguém entrar. Dias em que vou querer gritar, chorar e revoltar-me contra algo que não existe. Dias em que vou sentir-me miserável, sem razão aparente. Dias em que a motivação e o brilho nos meus olhos vão morrer, vai ficar apenas uma enorme apatia, um vazio que me vai consumir as poucas forças que me restarão. Dias em que vais querer encontrar uma réstia de mim, mas eu vou estar a fugir o mais longe possível de toda a gente, até de ti. Dias em que se calhar vais achar que não gosto de ti, que já não te quero, que me fui embora.
Eu podia prometer-te que não vão haver dias desses, mas iria mentir-te. Eu estou a tentar ultrapassar tudo isso e acabar com esses dias, porque também não gosto deles. Mas não te posso prometer tal coisa. Desculpa.
Hoje eu não te queria ver nem falar. Ainda assim tu vieste. 
Desculpa não te ter avisado que há dias em que eu não sou eu.
Obrigada por teres vindo.

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