Avançar para o conteúdo principal
Um dia caímos. Um dia levantamo-nos.
Ninguém te mandou correr atrás de uma aventura sem garantias. Ires para longe de todos, arriscar mais uma vez, em busca dos teus objetivos, do teu futuro, da tua vida. Ninguém te mandou. Foste tu que quiseste. Quiseste e continuas a querer. Continuas a não te arrepender. Mas ninguém sabe os dias cinzentos que já tiveste aqui. A falta de motivação para acordar mais um dia e ir trabalhar, as saudades que quem gostas, as lágrimas à noite, a vontade de chamar por alguém que não está perto ou de apanhar a camioneta de volta a casa. Não estás no fim do mundo, mas não estás já ali ao lado. Faz a diferença, tu sabes. Já te questionaste tantas vezes se aqueles que amas permanecerão a teu lado, depois de tudo. Estarão eles lá no final? Valerá a pena continuar a lutar? Acredito que sim.
Haverão sempre dias cinzentos, quem nunca? E tu, já tiveste tantos dias bem mais cinzentos que esses. A vida há de ser generosa contigo, ajudar-te a encontrar o teu novo mundo, ajudar-te a criar amigos no teu novo lugar, ajudar-te a criar o teu pequeno espaço, ajudar-te a diminuir as saudades e a aumentar a presença. A vida há de te ajudar. Tudo irá acalmar. Tudo vai ficar bem.
Caíste, levantaste-te. E amanhã é outro dia. Talvez caias de novo, talvez subas um pouco mais alto. Amanhã é dia de voltares com garra, a lutar por aquilo que queres.
E se precisares de outra pausa. Faz. Tu és e sempre foste a pessoa em controlo da tua vida. 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

a vontade

Às vezes, vem a vontade a vontade de te ver sempre de estar contigo sempre de esquecer que tudo o resto existe e aí, venho embora, e procuro voltar a mim prefiro ter essa vontade aguentá-la,  diluí-la no tempo esticá-la,  fazendo-a durar, do que acabar com ela logo de uma só vez rapidamente, sem pensar e quase sem sentir então escrevo penso, pinto,  sonho,  grito, abraço essa vontade e trago-a comigo lá no fundo do peito como companhia E quando te volto a ver deixo-a sair para a sentir de novo e deixar que me invada e me faça feliz por te ver por te ter por estar contigo  e sentir novamente aquela vontade louca sem sentido de esquecer tudo o resto e sou só ali contigo eu e a vontade e todos os outros sentimentos e sensações e tudo e tudo. Para depois voltar a mim para que possa voltar para ti sem me esquecer de quem sou e de quem tu és independentes um do outro.
No meio da confusão, às vezes, o universo tem a sua forma de nos desafiar e de nos fazer parar. Perco-me entre a procura de pessoas, vivências, experiências e tudo o que possa haver para fazer, encontrar e visitar. Quando, na verdade, preciso de olhar para dentro, respirar e procurar em mim um lugar de calma e felicidade.  Então, lá vem a magia de estar prestes a partir numa mini viagem sozinha, algo que nunca antes fiz. E, talvez fosse demorar demasiado tempo a fazê-lo, porque partilhar me parece sempre mais interessante do que guardar só para mim. E porque apesar de parecer excitante a ideia de ir sem ninguém, ter alguém parece dar uma segurança e conforto extra.  Mas se as viagens são como a vida, então isto faz sentido. Vai sozinha, segue o teu caminho. As pessoas, entretanto, aparecem, se assim quiseres... e desaparecem também. Se sou capaz de seguir pela vida sem a necessidade de ter alguém, então sou capaz de partir também nesta viagem, sozinha, com muita confianç...

Dizer adeus no trabalho

Não nos preparam para isto. Nunca ninguém me falou disto e nunca pensei passar por isto desta forma. Mas a verdade é que nas profissões da área social, não é possível ignorar a parte relacional. Aliás, essa é a parte mais importante do nosso trabalho, as relações significativas que criámos com as pessoas, com os utentes ou clientes, como lhes quiserem chamar. São pessoas. Pessoas a quem nos ligamos, de quem gostamos e de quem sentimos saudades. Sim, nem todos os dias são cor-de-rosa e nem sempre saímos do trabalho com um sorrido no rosto. Mas isso não significa que não gostemos dessas pessoas. Só que ninguém nos prepara para o momento em que temos de sair. Principalmente, quando sair não é uma decisão nossa. É um murro no estômago, e levantam-se tantas questões: - o que lhes dizer, como lhes explicar? - quando lhes dizer? - como ajudar a conter as suas emoções, quando as nossas emoções também estão à flor da pele? - como deixar para trás anos de relação, de acompanhamento, ...