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Mas porque é que foste viver para o fim do mundo?

Tenho ouvido esta pergunta várias vezes ultimamente, seja por pessoas da cidade onde nasci ou outras grandes cidades, ou pessoas da cidade onde vivo atualmente. Sim, é o fim do mundo, mas no fim do mundo também há cidades.
Sempre quis viver, pelo menos durante algum tempo, no interior mais próximo da natureza, das montanhas, do campo. E aqui estou. E estou tão bem.
Vim viver para o fim do mundo, porque a fantasia da grande cidade nunca existiu para mim e, honestamente, acho que não passa disso, de uma fantasia. 
Há muita coisa nas grandes cidades, temos tudo disponível, diferentes opções para tudo, em muita coisa é mais fácil. Mas também temos tanta coisa a mais. Temos stress, fumos, carros, casas e prédios e prédios e casas, temos muita gente, muito transito, muitas lojas, muito consumo, muito trabalho, muito stress. Temos muita confusão. Temos a individualidade.
Aqui eu tenho uma comunidade. Aqui  até me sinto mal se não cumprimentar as pessoas que passam por mim na rua, só porque passam por mim. Aqui não há stress, não há pressas (às vezes até podia haver um bocadinho mais de pressa ahaha). Aqui pouco se passa, mas o pouco que se passa é bom. Não temos aquela discoteca da moda para ir sair, mas temos cafés com gente simpática e concertos regulares. Aqui vou a pé para o trabalho tranquilamente e venho a casa para almoçar. Aqui demorei 5 minutos a ser atendida para uma consulta sem médico de família, onde me aconselharam a fazer exames, que foram feitos 10 minutos depois e que recebi 2 dias a seguir. Tudo conta. Não tenho as melhores lojas, mas tenho as necessárias para viver com qualidade. Aqui estou entre duas serras e há sempre vistas bonitas, exceto quando há incêncios, aí é um pouco assustador.
Esta pequena cidade ainda tem muito para evoluir, mas tem muita coisa boa. Sim, as pessoas de cá ainda estão pouco habituadas à mudança e à diferença, e ainda se comenta muito a vida dos outros... mas, na verdade, não temos disso em todo o lado? Aqui, em pouco tempo, começa-se a conhecer as pessoas e a criar laços, a reconhecer as pessoas na rua, o senhor/a senhores/as do/s café/s, as pequenas lojinhas. Rapidamente, encontras o teu espaço, o teu conforto. E depois, tens um mundo de lugares, terras e terrinhas, para explorares à volta.
A vida trouxe-me até aqui e ainda bem. Estou no sítio que devo estar, num sítio onde sou feliz! Continuo a adorar o meu Porto e ser feliz quando lá vou. Mas não pretendo voltar tão cedo, nem pretendo ficar aqui para sempre. Conhecer diferentes sítios é bom e faz bem, e viver em diferentes sítios também, digo eu. E se não pensasse assim, nunca tinha vindo parar ao fim do mundo, nem saberia que afinal o fim do mundo também pode ser bom!



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Às vezes, vem a vontade a vontade de te ver sempre de estar contigo sempre de esquecer que tudo o resto existe e aí, venho embora, e procuro voltar a mim prefiro ter essa vontade aguentá-la,  diluí-la no tempo esticá-la,  fazendo-a durar, do que acabar com ela logo de uma só vez rapidamente, sem pensar e quase sem sentir então escrevo penso, pinto,  sonho,  grito, abraço essa vontade e trago-a comigo lá no fundo do peito como companhia E quando te volto a ver deixo-a sair para a sentir de novo e deixar que me invada e me faça feliz por te ver por te ter por estar contigo  e sentir novamente aquela vontade louca sem sentido de esquecer tudo o resto e sou só ali contigo eu e a vontade e todos os outros sentimentos e sensações e tudo e tudo. Para depois voltar a mim para que possa voltar para ti sem me esquecer de quem sou e de quem tu és independentes um do outro.
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