Avançar para o conteúdo principal

Certo, certinho.

Não, não vou falar das pessoas que têm a mania que estão sempre certas. Mas sim daquelas pessoas que nos estão sempre a chamar "certinhas" ou "certinhos". Nunca vos aconteceu? "Ai, tu és tão certinha!", fico sempre na dúvida sobre o que as pessoas querem dizer com isso, porque normalmente são pessoas que não me conhecem assim tão bem, nem fazem a mínima ideia do que acontece na minha vida para além dos breves momentos em que estou com elas. Mas, pelos vistos, sabem o suficiente para saberem que sou uma pessoa "certinha". O que querem dizer com isso, na verdade?
Que sou certinha, no sentido de gostar de ter tudo arrumadinho? Bem podem perguntar à minha mãe que ela nega-vos isso num piscar de olhos. Que sou certinha, no sentido de cumprir horários, gostar de chegar a horas, etc? Ok, aceito, sim gosto. No sentido de seguir regras e rotinas? Hum... Até gostava de dizer que sim, mas duvido que seja verdade e, mais uma vez, perguntem à minha mãe o que ela já passou comigo, que ela mostra-vos o quão "erradinha" eu sou. Que sou certinha, no sentido de ser boa pessoa, de acreditar nos outros? Gosto de acreditar que sim e tento sê-lo. Talvez seja isso mesmo que as pessoas querem dizer! Finalmente entendi! Mas esperem... Se é isso, porque é que as pessoas fazem o "certinho" soar tão mau, como um elogio fingido? "Ai, credo, és tão certinha!", "Chateia-te um bocadinho, és tão certinha!", "Nunca faltas, és tão certinha", etc, etc, etc. E já repararam que raramente as pessoas dizem "És tão certinha, quem me dera ser como tu!". Percebem a minha dúvida? Se é algo bom, porque o dizem com desprezo, como se fosse algo mau? E se é mau, porque o dizem?
Estou farta que a imagem da pessoa "certinha" tenha uma conotação negativa, principalmente, deduzindo que pensei bem e os seus significados, como vimos acima são positivos. Quando as pessoas me diziam que era "certinha", ficava chateada, frustrada, meia triste e com vontade de ser rebelde, principalmente na minha fase da adolescência. Hoje, acho que me sinto capaz de aceitar o termo. Que se lixe. Se somos boas pessoas, respeitamos os outros, temos paciência, empatia e procuramos entender os outros e o mundo que nos rodeia, então qual é o mal? É bom ser certinho e temos de ter orgulho em sê-lo. Podemos cometer muitos erros na nossa vida, errar mil e uma vezes, mas se calhar ser "certinhos" é algo em que somos bons. Na próxima vez que me chamarem "certinha", vou sorrir e dizer "Sou sim, obrigada por reparares", e de seguida, perguntar "Já agora porque dizes isso?"; não porque precise da resposta para me sentir bem, mas para que a pessoa pense na verdadeira razão porque disse aquilo.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

a vontade

Às vezes, vem a vontade a vontade de te ver sempre de estar contigo sempre de esquecer que tudo o resto existe e aí, venho embora, e procuro voltar a mim prefiro ter essa vontade aguentá-la,  diluí-la no tempo esticá-la,  fazendo-a durar, do que acabar com ela logo de uma só vez rapidamente, sem pensar e quase sem sentir então escrevo penso, pinto,  sonho,  grito, abraço essa vontade e trago-a comigo lá no fundo do peito como companhia E quando te volto a ver deixo-a sair para a sentir de novo e deixar que me invada e me faça feliz por te ver por te ter por estar contigo  e sentir novamente aquela vontade louca sem sentido de esquecer tudo o resto e sou só ali contigo eu e a vontade e todos os outros sentimentos e sensações e tudo e tudo. Para depois voltar a mim para que possa voltar para ti sem me esquecer de quem sou e de quem tu és independentes um do outro.
No meio da confusão, às vezes, o universo tem a sua forma de nos desafiar e de nos fazer parar. Perco-me entre a procura de pessoas, vivências, experiências e tudo o que possa haver para fazer, encontrar e visitar. Quando, na verdade, preciso de olhar para dentro, respirar e procurar em mim um lugar de calma e felicidade.  Então, lá vem a magia de estar prestes a partir numa mini viagem sozinha, algo que nunca antes fiz. E, talvez fosse demorar demasiado tempo a fazê-lo, porque partilhar me parece sempre mais interessante do que guardar só para mim. E porque apesar de parecer excitante a ideia de ir sem ninguém, ter alguém parece dar uma segurança e conforto extra.  Mas se as viagens são como a vida, então isto faz sentido. Vai sozinha, segue o teu caminho. As pessoas, entretanto, aparecem, se assim quiseres... e desaparecem também. Se sou capaz de seguir pela vida sem a necessidade de ter alguém, então sou capaz de partir também nesta viagem, sozinha, com muita confianç...

Dizer adeus no trabalho

Não nos preparam para isto. Nunca ninguém me falou disto e nunca pensei passar por isto desta forma. Mas a verdade é que nas profissões da área social, não é possível ignorar a parte relacional. Aliás, essa é a parte mais importante do nosso trabalho, as relações significativas que criámos com as pessoas, com os utentes ou clientes, como lhes quiserem chamar. São pessoas. Pessoas a quem nos ligamos, de quem gostamos e de quem sentimos saudades. Sim, nem todos os dias são cor-de-rosa e nem sempre saímos do trabalho com um sorrido no rosto. Mas isso não significa que não gostemos dessas pessoas. Só que ninguém nos prepara para o momento em que temos de sair. Principalmente, quando sair não é uma decisão nossa. É um murro no estômago, e levantam-se tantas questões: - o que lhes dizer, como lhes explicar? - quando lhes dizer? - como ajudar a conter as suas emoções, quando as nossas emoções também estão à flor da pele? - como deixar para trás anos de relação, de acompanhamento, ...