Avançar para o conteúdo principal

Porque é que a inveja é um sentimento feio?

Dizem que a inveja é um sentimento muito feio. Eu digo que não há sentimentos feios, mas a verdade é que se calhar ninguém nos ensinou a sentir e gerir alguns sentimentos. Simplesmente se diz que são sentimentos feios, maus, negativos, que não é suposto sentirmos. Se calhar, se dedicássemos mais tempo e perceber estes sentimentos, eles não tinham um efeito tão "negativo" em nós, porque saberíamos exatamente o que significam, porque os sentimentos e o que fazer para melhor lidar com eles e ultrapassá-los.
Eu posso senti-me feliz e de bem com a vida e ainda assim ter momentos em que me sinto triste, frustrada, chateada, etc. Não quer dizer que eu seja menos feliz. Todos os sentimentos fazem parte da minha vida e da minha história.
Mas eu comecei a falar sobre a inveja e se a inveja é um sentimentos muito feio, peço mil desculpas a quem não gosta da inveja. Mas pior do que sentir inveja, é senti-la e não a reconhecer. Mas a inveja que sinto não me faz querer mal a ninguém, acho que na verdade até me motiva a continuar a ir atrás daquilo que quero.
- Tenho inveja de algumas pessoas que já conseguiram realizar o estágio profissional de acesso à ordem.
- Tenho inveja de uma pessoa que não acabou o curso e começou logo a ganhar mais do que eu no meu primeiro emprego, e eu tenho mestrado.
- Tenho inveja de algumas pessoas que fazem exatamente aquilo que sempre quiseram fazer.
Entre outras coisas, tenho inveja de algumas pessoas, mas sabem que mais? Ao mesmo tempo, sei perfeitamente que essas pessoas merecem a situação em que estão. O reconhecimento que obtêm ou obtiveram é e foi merecido. Eu tenho inveja porque na verdade gostava de ter o mesmo, mas não desejo que elas deixem de o ter, nem acredito que não é merecido. E, a verdade, é que a inveja que sinto, me faz pensar que também eu quero chegar ali, estar na mesma situação, e se estas pessoas conseguem também eu conseguirei. Na verdade, tenho inveja de pessoas bem resolvidas, que sabem perfeitamente o que querem para a sua vida. Por outro lado, penso no de bom que tenho na minha vida e sei que não me posso queixar.
A inveja não me deixa infeliz nem me faz querer o mal dos outros. É somente um sentimento, que eu sei perfeitamente de onde vem e que não o escondo. Em vez de fugirmos destes sentimentos que, à partida, nos deixam mais desconfortáveis, devíamos permitir-nos senti-los e assim perceber que não são assim tão maus. São o que são. Há quem faça loucuras e diga que foi tudo feito em nome do amor, então isso não deveria fazer do amor um sentimento mau/perigoso? Mas não faz. Continuamos a achar que o amor é bom. O mesmo vale para todos os sentimentos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

a vontade

Às vezes, vem a vontade a vontade de te ver sempre de estar contigo sempre de esquecer que tudo o resto existe e aí, venho embora, e procuro voltar a mim prefiro ter essa vontade aguentá-la,  diluí-la no tempo esticá-la,  fazendo-a durar, do que acabar com ela logo de uma só vez rapidamente, sem pensar e quase sem sentir então escrevo penso, pinto,  sonho,  grito, abraço essa vontade e trago-a comigo lá no fundo do peito como companhia E quando te volto a ver deixo-a sair para a sentir de novo e deixar que me invada e me faça feliz por te ver por te ter por estar contigo  e sentir novamente aquela vontade louca sem sentido de esquecer tudo o resto e sou só ali contigo eu e a vontade e todos os outros sentimentos e sensações e tudo e tudo. Para depois voltar a mim para que possa voltar para ti sem me esquecer de quem sou e de quem tu és independentes um do outro.
No meio da confusão, às vezes, o universo tem a sua forma de nos desafiar e de nos fazer parar. Perco-me entre a procura de pessoas, vivências, experiências e tudo o que possa haver para fazer, encontrar e visitar. Quando, na verdade, preciso de olhar para dentro, respirar e procurar em mim um lugar de calma e felicidade.  Então, lá vem a magia de estar prestes a partir numa mini viagem sozinha, algo que nunca antes fiz. E, talvez fosse demorar demasiado tempo a fazê-lo, porque partilhar me parece sempre mais interessante do que guardar só para mim. E porque apesar de parecer excitante a ideia de ir sem ninguém, ter alguém parece dar uma segurança e conforto extra.  Mas se as viagens são como a vida, então isto faz sentido. Vai sozinha, segue o teu caminho. As pessoas, entretanto, aparecem, se assim quiseres... e desaparecem também. Se sou capaz de seguir pela vida sem a necessidade de ter alguém, então sou capaz de partir também nesta viagem, sozinha, com muita confianç...
Surgiu naturalmente e agora parece-me a forma mais incrível e sincera de gostar. Pensa no quão bom é, teres uma pessoa ao teu lado que te permite explorares tudo aquilo que és, seja com essa pessoa ou com outra. Seja sexualmente, emocionalmente ou intelectualmente, ou de qualquer outra forma que aprecies e desejes. Imagina o quão libertador seria, poderes agir sobre aquilo que sentes, sem medo de magoar a outra pessoa ou de a perder? Pelo contrário, sabendo que ao fazeres isso, podes até estar a contribuir para o aprofundamento da ligação que ambas têm, para o aprofundamento do que conhecem uma da outra e do que conheces ti próprio/a. Não. Uma relação aberta, não é uma relação onde ambas as partes traem e isso é aceite. É uma relação onde todas as partes envolvidas se respeitam e aceitam, e onde a comunicação e sinceridade são peças essenciais. Uma relação que te obrigada a explorar e a falar do que sentes e pensas, com abertura. E aprendes a ouvir e a aceitar também.  Deixas...