Avançar para o conteúdo principal
Farta dos interesses.
Farta das confusões.
Farta dos julgamentos
e das falsas revoluções.
Farta das intrigas
Farta das discussões
Farta que não se abram mais
os corações.
Farta de quem não pensa
e de quem não quer saber
Farta de quem finge 
e de quem só quer aparecer.
Farta de ficar para segundo
Farta de não ter segundos suficientes
para estar com aqueles
que são mais importantes.
Farta de quem não ouve
e de quem finge ouvir
Farta de quem fala muito
e não quer agir.
Farte de dar amor 
e receber facadas.
Farta de relações vazias
e corações presos.
Farta de mentes pequenas 
e de mãos fechadas.
Farte de abraços que não apertam
Farta de perder
Farta de que me percam.
Farta das brigas
das guerras
e das agressões
Farta de tudo o que passa 
nas televisões.
Farta de um mundo cheio.
Farta de aparências.
Farta de nódoas negras.
Farta de ver crianças a chorar
E pessoas a matar.
Farta da falta
de amor
de compaixão
de paz
e da esperança.
Farta da falta de equilíbrio
e de segurança.
Farta de um mundo 
onde toda a gente parece
mas ninguém é.
Onde toda a gente tem
(ou quer ter)
e poucos sentem
e poucos dão
e poucos se entregam.
Farta de olhos vazios
e peitos pesados.
Farta de nós no pescoço
e pulsos atados.
Farta de rabos sentados 
e olhos que não querem ver.
Falta do que não chega
Falta do que sobra. 
Farta da saudade
Farta da tristeza
Farta da pobreza
e da maldade.
Farta do mesquinho
e com falta do que é
verdadeiro.
Farta de casas desfeitas
e de frases feitas.
Falta do genuíno
Falta de olhos nos olhos
Falta da mão no peito.
Falta de estarmos todos 
juntos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

a vontade

Às vezes, vem a vontade a vontade de te ver sempre de estar contigo sempre de esquecer que tudo o resto existe e aí, venho embora, e procuro voltar a mim prefiro ter essa vontade aguentá-la,  diluí-la no tempo esticá-la,  fazendo-a durar, do que acabar com ela logo de uma só vez rapidamente, sem pensar e quase sem sentir então escrevo penso, pinto,  sonho,  grito, abraço essa vontade e trago-a comigo lá no fundo do peito como companhia E quando te volto a ver deixo-a sair para a sentir de novo e deixar que me invada e me faça feliz por te ver por te ter por estar contigo  e sentir novamente aquela vontade louca sem sentido de esquecer tudo o resto e sou só ali contigo eu e a vontade e todos os outros sentimentos e sensações e tudo e tudo. Para depois voltar a mim para que possa voltar para ti sem me esquecer de quem sou e de quem tu és independentes um do outro.
No meio da confusão, às vezes, o universo tem a sua forma de nos desafiar e de nos fazer parar. Perco-me entre a procura de pessoas, vivências, experiências e tudo o que possa haver para fazer, encontrar e visitar. Quando, na verdade, preciso de olhar para dentro, respirar e procurar em mim um lugar de calma e felicidade.  Então, lá vem a magia de estar prestes a partir numa mini viagem sozinha, algo que nunca antes fiz. E, talvez fosse demorar demasiado tempo a fazê-lo, porque partilhar me parece sempre mais interessante do que guardar só para mim. E porque apesar de parecer excitante a ideia de ir sem ninguém, ter alguém parece dar uma segurança e conforto extra.  Mas se as viagens são como a vida, então isto faz sentido. Vai sozinha, segue o teu caminho. As pessoas, entretanto, aparecem, se assim quiseres... e desaparecem também. Se sou capaz de seguir pela vida sem a necessidade de ter alguém, então sou capaz de partir também nesta viagem, sozinha, com muita confianç...

Dizer adeus no trabalho

Não nos preparam para isto. Nunca ninguém me falou disto e nunca pensei passar por isto desta forma. Mas a verdade é que nas profissões da área social, não é possível ignorar a parte relacional. Aliás, essa é a parte mais importante do nosso trabalho, as relações significativas que criámos com as pessoas, com os utentes ou clientes, como lhes quiserem chamar. São pessoas. Pessoas a quem nos ligamos, de quem gostamos e de quem sentimos saudades. Sim, nem todos os dias são cor-de-rosa e nem sempre saímos do trabalho com um sorrido no rosto. Mas isso não significa que não gostemos dessas pessoas. Só que ninguém nos prepara para o momento em que temos de sair. Principalmente, quando sair não é uma decisão nossa. É um murro no estômago, e levantam-se tantas questões: - o que lhes dizer, como lhes explicar? - quando lhes dizer? - como ajudar a conter as suas emoções, quando as nossas emoções também estão à flor da pele? - como deixar para trás anos de relação, de acompanhamento, ...