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abro a janela e vejo o mundo lá fora. todos os grupos, juntos entre si e separados por barreiras invisiveis, que estão lá, não sei sabe bem porquê. é sábado à noite, momento de socializar, sair, beber um copo e conversar. vejo lá fora tudo isso acontecer. e, no entanto, eu estou aqui. pergunto-me porquê e tento perceber também como me sinto em relação a isso.
estou em casa e não lá fora, por escolha própria. podia facilmente calçar-me, pegar nas chaves e bater a porta. estou em casa também, porque não tenho companhia para essa socialização e hoje, não me apetece sair sozinha.
começo a sentir-me em paz com isto. onde antes habitava uma inquietude, uma frustração, uma ansiedade por algo que não sei (nunca soube) dizer o que é, agora mora uma calma e tranquilidade. penso que tudo isto faz parte de um ciclo. estou em fase de mudança. já dura há alguma tempo, umas partes foram mais difíceis de aceitar e integrar, outras mais fáceis. esta ainda não sei em que lado a colocar. sinto-me deslocada socialmente; com amigos a afastar-se, pelas mais diversas razões, mesmo quando a amizade continua viva; com alguma dificuldade em me dar e me mostrar, o que dificulta a criação conexões profundas com outras (novas) pessoas; mas, começam a entrar na minha vida pessoas com as quais me identifico bastante, cada vez mais. são lufadas de ar fresco na minha vida. tanto me identifico por terem opiniões, ideais e formas de estar idênticas às minhas, como as admiro por serem diferentes de mim em tantas outras coisas. e voltam a mostrar-me o lado bom de conhecer pessoas e de ser aceite, simplesmente como sou, sem ter de fazer esforço. 
ensinam-me muito e fazem com que estas mudanças ocorram em mim de forma mais suave fluída. começo a ver um porto de abrigo, onde dantes via insegurança e isso faz-me pensar que este ciclo, esta vida, este caminho me levam para algo muito bonito.
acabo o meu charro, fecho a janela.
estou tão bem.

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a vontade

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