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Mensagens

Um dia vou ser Mar.

Acho que vou mergulhar, mergulhar bem fundo e, se puder, se conseguir ficar lá para sempre até comçar a ter barbatanas e uma cauda como as sereias e conseguir respirar de baixo de àgua. Tudo para não ter de voltar à superficie, para não voltar a terra, para não enfrentar o mundo. Vou ficar lá em baixo, no fundo do oceano, a deixar-me ir com a corrente, flutuando por todo o mundo até me cansar de novo do mar ou até olhar a terra com saudade. Saudade já eu tenho, mas tenho saudade do que era o meu porto seguro e já não o é. Pelo menos, não o é da mesma maneira, e eu assim já não me sinto segura, portanto perde o efeito. Sim, vou deixar que a àgua me engula, me transforme, me abane, me afogue, me faça desmaiar, morrer quem sabe. Para que depois me acorde, me reanime e me faça talvez vir à tona ver a luz do sol e perceber que tudo não passou de um ilusão, que foi apenas um mergulho na praia numa tarde quente de verão e que toda esta sensação de ser nada não foi mais que um fechar de ...
Não sei muito bem como dizer ou explicá-lo. Portanto, opto por pedir desculpa pela complexidade da pessoa que sou. Complexidade ou chamem-lhe o que quiserem. Se calhar chamo complexidade para me defender, não sei muito bem. Sei que, às vezes, vivo vários dias num só, e passo por todos os estados possiveis desde o extremos da alegria a uma tristeza e melancolia que aparecem sem pedir licença, nem explicar de onde vêm afinal. Não sei explicá-lo melhor que isto. Deve ser difícil perceber, porque eu própria me sinto um bocado frustrada nesses dias. Mas, simplesmente não consigo evitar esses sentimentos. Nunca disse que era um pessoa com quem é fácil lidar, sou assim. E não sei muito bem definir-me, nem quero. Ao colocaram-me rótulos se calhar mais tarde acabam por desiludir-se, esperando demasiado de mim. Às vezes não vou estar à altura de corresponder às expectativas dos outros... Às vezes nem às minhas... Outras vezes superar-me-ei. Não rotulem (mesmo positiva...

Voluntariado

Passamos a olhar o mundo com outros olhos, a conhecer novas realidades. Conhecemos novas pessoas, tornamo-nos outras pessoas, transformamo-nos em várias pessoas. Isto porque todos aqueles com quem lidamos ficam com um pouco de nós (pelo menos assim esperamos) e nós ficamos, sem sombra de dúvida com muito do que são e guardamos tudo, muito bem guardadinho num lugar especial dentro de nós, tendo assim a certeza de que apesar de, às vezes sabermos que não nos voltaremos a ver, nunca os perdemos. Voluntariado é sobretudo um desafio. Desafio de nos darmos totalmente, de apredermos a fazê-lo, de forma simples e pura. Desafio de recebermos tudo o que nos oferecem, tudo o que os outros são. Voluntariado não é ter pena de, mas crescer com.

Amigos são Família

A família é a base. A família é tudo. E a família pode ser a primeira e virar-nos as costas e não nos apoiar. A família deve ser a mão estendida e não o dedo apontado a nós, julgando-nos. A família é a nossa protecção, o ninho que nos acolhe quando erramos, quado caímos, choramos, o ninho quente e acolhedor que nos recebe para rir com a nossa alegria e chorar com a nossa dor. A família, começo a pensar, não se resume a laços de sangue, mas sim a quem está presente no bem e no mal. A família tornou-se pequena de repente e sinto-me nua, despida, frágil, pequena. Não me sinto indecisa nem insegura, porque não acho que tenha de fazer uma escolha. Não se pode escolher entre a família e amor, porque os dois são necessários. ´ A família ficou pequena e eu fiquei triste. Mas aceito a força dos que estão comigo, dos que me apoiam em qualquer situação. Sei que por cada estalo que me derem, cada olhar de vergonha que me lançarem, cada dedo que me apontem, costas que me voltem, mãos que não ...

Cross the line

E eis que damos de caras com uma linha, um limite, uma regra. O que fazer? Essas linhas existem ou são-nos impostas para nos mostrar caminhos que não deveríamos seguir, algo que não devíamos ser, barreiras, zonas interditas, nas quais não podemos entrar sem saber bem porquê. O curioso e irónico de tudo isto é que quantos mais limites nos põem, mais nós sentimos necessidade de ultrapassá-los. É como um teste que queremos muito passar. É a curiosidade, a adrenalina, o perigo, o desconhecido, o quebrar as regras, o ser livre. A verdade é que não existem linhas, apenas nas nossas mentes. Só existem as barreiras que nós construímos ou que tentam construir para nós.  Existem linhas que devem ser ultrapassadas sim, porque estão a impedir a nossa felicidade, o nosso caminho. outras não, porque vão contra os nossos valores. Dentro de nós fica a resposta... Se pisarmos a linha não temos retorno, mas se não a pisarmos também não há volta a dar. É uma decisão de momento. Ou cedemos a ...

A caixa de beijinhos

Há algum tempo atrás, um homem castigou a sua filhinha de 3 anos por desperdiçar um rolo de papel de presente dourado. O dinheiro era pouco naqueles dias, razão pela qual o homem ficou furioso ao ver a menia a embrulhar uma caixinha com aquele papel dourado e a colocá-lo debaixo da árvore de Natal. Apesar de tudo, na manhã seguinte, a menina levou o presente ao seu pai e disse: "Isto é para ti, Papá!" Ele sentiu-se envergonhado da sua reacção furiosa, mas voltou a "explodir" quando viu que a caixa estava vazia. Gritou e disse: "Tu não sabes que, quando se dá um presente a alguém, se coloca alguma coisa dentro da caixa?" A menina olhou para cima, com lágrimas nos olhos e disse: "Oh, Papá, não está vazia. Eu soprei beijos para dentro da caixa. Todos para ti, Papá." O pai quase morreu de vergonha, abraçou a menina e suplicou-lhe que lhe perdoasse. Dizem que o homem guardou a caixa dourada ao lado da sua cama por anos e, sempre que se sentia triste,...

Liberdade

Liberdade é algo muito nosso que ninguém pode tirar. Sei, sim que anda de mão dada com a responsabilidade, daí que cada um seja responsável pelos seus actos e tenha que aceitar as suas consequências. Contra mim falo, dizendo que muitas vezes somos fracos e cedemos a pressões externas que em qualquer momento que estejamos mais débeis nos aparecem como um caminho mais fácil a seguir. Porém, é também fácil perceber que existe um ponto limite. Gostava que o normal fosse que cada pessoa quisesse viver a sua vida livremente e feliz sem incomodar os outros. Não digo que cada um viva para si e olhe apenas para o seu umbigo, porque existem afectos, relações, sentimentos que nos ligam. Porém, nenhum sentimento, seja ele qual for, dá o direito a alguém de nos privar da nossa própria liberdade. Viver para o outro sim, mas não limitar o outro. Isso não é um demonstração de afecto, é opressão e só faz com que nos queiramos afastar de quem nos faz sentir assim: inferiorizados, limitados, presos, ...