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Mensagens

Crescemos juntos

Digo-lhes constantemente que, é bom focarmo-nos nos aspetos positivos da vida, mas que é importante também dedicarmos tempo a refletir e explorar os sentimentos que consideramos mais desagradáveis. Fechá-los num espacinho pequeno no fundo da nossa mente ou do nosso coração não é solução, digo-lhes. Se os deixarmos lá, sozinhos, eles vão crescer sem regras e sem perceberem que também têm o seu lado bom. E vão começar a sair cá para fora de forma desorganizada, desadequada, por vezes, sem os controlarmos. Lembrem-se, cresceram sem regras: nunca se falou deles, nem com eles. Vamos ter tristeza, medo, frustração, raiva, nojo descontrolados, a passear pela nossa mente, sem nós querermos, e depois vão sair cá para fora sem nos apercebermos, em atitudes reativas e até determinado ponto, inconscientes. Digo-lhes tudo isto, explicando da melhor forma que posso para que eles possam entender a importância de falar destes sentimentos. Dizemos tantas vezes que são sentimentos maus, podemos chamar...

Pausar

Pausar Parar Ficar preso. Bloqueado  entre dois tempos Nem ali Nem acolá Dois tempos que não existem Um já foi O outro ainda será Quem saberá? Como se fosse possível parar quando o relógio continua a marcar as horas quando o tempo continua a avançar e julgamos nós ousamos nós dizer que vamos  fazer uma pausa na nossa vida,  iludidos na ideia  de que conseguimos parar tudo para pensar e concertar o que está errado. Porque é isso que queremos Abrandar a velocidade tornar o erro menos grave fazer a falha mais pequena. Sarar a ferida em pausa, para não doer. E se conseguirmos fazer isso,  não seria tão bom? Mas será que conseguimos depois avançar sem ficarmos parados no tempo nesse período de pausa pode o botão ficar bloqueado e  nunca mais avançarmos? Será que conseguimos  tornar as coisas certas e regressar à velocidade normal  das vidas e continuar a viver, a rir, a par...

Parar.

A semana passa a correr. Adoro o meu trabalho e quando dou por mim, ontem era segunda-feira, mas hoje já é sexta, é fim do dia, começo a arrumar as minhas coisas, desejo bom fim de semana aos meus colegas, fecho a porta atrás de mim e estou na rua. Começo a andar, mas para onde? Não sei o que fazer, toda a rotina, ritmo e estrutura da semana desaparecem. O que quero fazer? Para onde quero ir? Com quem me quero encontrar? E o pensamento contínuo: "Tens de fazer alguma coisa, tens de combinar alguma coisa com alguém, sair, conviver, estar com pessoas". Tenho? Tenho mesmo? Se calhar não. Se calhar, neste momento preciso de parar. E focar-me. Sim, posso fazer coisas, mas não tenho obrigação.  É-me fácil perder-me no ritmo de trabalho e do dia-a-dia, perder-me em horas no computador e pesquisar coisas para o trabalho, algumas das quais nunca vou usar, perder-me em horas em frente à televisão a ver programas que na verdade não me interessam assim tanto, perder-me em saídas e ...

As meias

São as meias. Onde estão as minhas meias afinal? Caramba, isto antes eram tão fácil, era só abrir a gaveta e tirar umas meias, todas eram minhas, todas eram tuas. Tudo era partilha. Agora foste e levaste algumas coisas. Levaste tudo, atrevo-me dizer. Só me deixaste a mim. E agora, as minhas meias, onde estão? Eram todas nossas, não havia divisão. Habituei-me de tal forma que me perdi. Já nem consigo distinguir que meias são minhas. Pensei enviar-te estas por correio, uma vez que não as reconheço, não são "minhas". Posso pedir-te para veres se tens meias minhas? Parece absurdo. Que estúpida que sou, ninguém liga a meias. São só meias. Mas preciso delas para sair de casa, ir trabalhar, fazer a minha vida. Como é que vou fazer isso sem meias? (Sem ti?) Mas afinal são só meias. Talvez vá de sandálias, é mais fácil, assim não tenho de pensar. Não preciso de abrir a gaveta e olhar para aquele monte de meias, algumas sem par, perdidas, como eu. Cinzentas, pretas, azuis? Comprá...
São duas horas de concentração, diversão e amor. Tinha-me esquecido da magia destas sessões com crianças diagnosticadas com autismo. É um novo mundo que se abre a cada sessão. Gostava de conseguir explicar com mais pormenor a ligação que se estabelece entre nós e a criança, mas não consigo. Acho que só participando é que se pode entender que o amor é muito mais complexo do que aquilo que imaginamos e que essa complexidade o torna, por incrível que pareça, simples. E começamos a conseguir ver, de verdade, com o coração, que os pequenos gestos, estão cobertos de carinho. Saio do trabalho exausta, por vezes, um pouco derrotada com situações pessoais. Não é o meu dia. Se calhar, neste momento em que me dirijo para lá não tenho muita vontade de ir. Mas tenho pela minha frente mais 2 horas de sessão com uma criança. Entro na sala, fecho a porta, ela olha para mim e o meu dia fica mais leve, o cansaço esbate-se, a frustração vai embora. Tudo é alegria, ela olhou para mim, estabeleceu co...
Ele disse que não e nesse momento apercebi-me. Não foi um "não" diferente dos outros, eu é que se calhar estava num momento diferente da vida. E aquele "não" levou-me numa viagem no tempo para analisar em segundos várias relações algumas que ainda se mantinham, outras não. Uma viagem dura que terminou com uma convulsão de emoções e sentimentos que pareciam ter surgido devido àquele simples "não" , erradamente. Era apenas um não repetido no tempo. Uma rejeição não curada. Um abandono que não foi esquecido. Era a perpetuação da ideia de que a minha pessoa não é suficiente para manter as pessoas interessadas em permanecerem na minha vida, parte de mim, da minha vivência. A repetição da ideia de que as pessoas vão embora por minha causa, porque há algo em mim que falha e as faz dizer adeus.  Há pequenas feridas que parecem não ter muita importância. No entando, se não são tratadas, não desaparecem. Por vezes nem cicatrizam, ficam só ali, ferida aberta...
Nunca quis saber dessas coisas. Sempre gostei do amor, mas não precisava de o ouvir todos os dias. O "amo-te" nunca foi uma palavra mágica para mim. Nunca ansiei enormes gestos, sempre gostei das coisas simples. Os anéis nunca foram sinal de compromisso. Algumas coisas até chegavam a irritar-me: os casais que se estão sempre a abraçar, tocar e beijar; as frases intermináveis para mostrarem o quanto gostam um do outro (perdão, o quanto se amam, porque gostar é pouco), quase como uma competição para ver quem é o mais romântico ou quem gosta mais; a chuva de prendas, por vezes sem um significado mais profundo do que esse mesmo "olha, uma prenda" . Tantas outras coisas que nunca quis, nunca precisei e para mim nunca fora sinónimo de amor, ou de uma relação saudável. Continuo a achar o mesmo. Mas não consigo evitar, por vezes, de olhar para nós e pensar: "Foi isso que nos faltou?" , essa dose sem sentido nenhum de comportamentos estranhos que não significam ...