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A mostrar mensagens de Junho, 2009

Devaneios numa noite só

A incerteza de um tudo torna-nos seres insatisfeitos com o que há.
Podíamos ser felizes assim, apenas vivendo, mas sabemos que a vida não é só isto e, por isso, caímos. Caímos na certeza de que podíamos ser diferentes e acabamos sempre sabendo que se fossemos diferentes não seríamos nós, mas outra pessoa.

A noite já caiu e cai a chuva simultaneamente. Não há nada que eu pudesse pedir mais esta noite do que chuva e noite cerrada. Porque não há nada que me dê mais vontade de escrever, nem nada capaz de preencher este buraco no estômago a esta hora. Não, nem o meu iogurte preferido é capaz de calar o grito vazio da minha barriga que chama por algo mais forte e mais sentido que a fome. Esta não é um estado sentimental, apenas físico. Não sei o que uma pessoa pode querer mais da vida do que isto. E, no entanto, entendo que nunca se contente com o mínimo. A vida não é o mínimo, mas sim o máximo. Até a mim a vida me engana. Tenho tudo o que quero e não me chega. Porque falta alguém em quem c…

Eu.

Percebo cada vez mais e melhor que tudo aquilo que sou me diz respeito a mim, e a mim apenas... Não vale a pena tentar entender a ideia que têm de nós, tal como não vale a pena explicar aos outros aquilo que somos. O que somos, ou pelo menos o que sou é aquilo que as pessoas vêem. Porém, nem todos vêem em mim o mesmo.
Para uns sou o certo, para outros o errado. E nenhum deles me vê realmente a mim.
Conhecem-me totalmente aqueles que o querem fazer e a esses mostro tudo o que sou, com virtudes e defeitos, embora talvez estes sejam mais.
Ainda assim, não sendo perfeita, sou eu.
Sinto-me completamente fora do contexto do mundo inteiro.
Às vezes perceber-me a mim própria é difícil e ao ambiente e pessoas que me rodeiam.
Sinto-me à parte de uma sociedade que não tem lugar para o ser estranho que sou.
Quero esconder-me, isolar-me, não falar, não nada.
Preciso de me entender, preciso que me entendam...
Quero estar só, preciso de alguém.
Preciso tanto que alguém me perceba, me ajude, me ouça.


Esqueçam, de qualquer maneira não interessa...
Vem. Põe um bom vestido em cima, calça uns sapatos caros, maquilha-te. Transforma-te e vem.
Mesmo que não sejas tu própria a vir vem, o que interessa é que estejas, ainda que não sejas realmente tu.

Vou. Mas vou sem esse bom vestido, sem esses sapatos caros e sem pinturas na cara. Vou eu. Vou com um vestidos e uns sapatos, é verdade. Porém ainda sou eu que vou.
Não me consigo mudar. Não tenho jeito para vestidos caros, nem sapatos de salto alto, e muito menos para maquilhagem. Porque essa não sou eu. Nem sequer vou mexer no meu cabelo, porque o meu cabelo é assim e mudá-lo seria mudar-me. Decidi que não quero mudar.
Aparecerei porque estaremos todos juntos e porque também lá estarão pessoas que deixaram saudades e outras que deixarão mais tarde. Vou. Talvez vá por alguma força maior que não me deixa dizer que não. Mas essa mesma força que há em mim diz-me para não me perder naquilo que não sou, para não esquecer a essência do meu mundo que quero defender e proteger. Não esquecerei aquil…