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Mensagens

Sobre a arte de estar sempre a aprender

O senhor V. e a dona P. têm sido uma verdadeira descoberta para mim. Nunca imaginei que fosse gostar tanto do que faço atualmente, que me fosse sentir tão bem, que fosse simpatizar tanto com os meus patrões, e lhes ter carinho, aquele carinho que criamos quase automaticamente por pessoas que nos fazem lembrar e que poderiam ser nossos pais. O senhor V. disse-me num dos primeiros dias que trabalhei na ourivesaria: "O saber não ocupa lugar" e é tão verdade. Tenho aprendido tanto com ele. Por vezes, chama-me de "Dra.", sabendo que eu não gosto nada disso, e diz com toda a certeza que eu sei fazer tudo o que ele faz, diga-se: mudar pilhas aos relógios, mudar braceletes, e arranjar umas quantas outras coisas. Porque fui para a universidade e portanto saberei tudo isso, porque sou "Dra.". Mas não sei e não sou Dra. Na faculdade não aprendi metade das coisas que tenho aprendido nas restantes áreas da minha vida, nem a faculdade de me ensinou, nem poderia ensinar …
Mensagens recentes

Todos os nomes, menos o seu.

O pai chamava-lhe todos os nomes menos o dela. E não era falta de amor, ela sabia. Apenas esquecimento. Há coisas que a distância nos traz, como a saudade; há coisas que a distância nos leva, como a capacidade de nos lembrarmos de nomes. E então, sempre que estavam juntos, ela tinha todos os nomes, menos o seu. Ela era todas as pessoas, menos ela própria. Era a mãe, a mulher, a irmã, o irmão, a tia, o primo e até o cão. Todos os nomes estavam na cabeça do seu pai, menos o dela. Mas o que lhe custava não era que o pai se enganasse no seu nome, era o facto de não se enganar no nome das outras pessoas e nunca chamar o seu nome à mãe, à mulher, à irmã, ao irmão, à tia, ao primo ou ao até mesmo ao cão. Há quanto tempo não ouvir o pai chamar por ela, de verdade, pelo seu nome. E apesar de saber que não era falta de amor, parecia-lhe haver uma grande dose de esquecimento e falta de convívio que a assustavam e a magoavam, tal como a saudade e a distância, quando estava longe. Ou talvez mais.

Quantos queres?

Diz-me lá, quantos queres?
Nesta brincadeira de crianças
que está prestes a tornar-se séria, diz-me lá
Quantos queres?
Dias de sol, quantos queres?
Abraços de quem amas, quantos queres?
Uma festa no cabelo, quantos queres?
Noites de amor intenso e sem fim, quantos queres?
Diz-me lá, sinto que queres algo mais.
Dias de liberdade, quantos queres?
Momentos em que podes ser tu próprio, quantos queres?
Passeios na rua julgamentos dos outros, quantos queres?
Diz-me lá o quanto queres ser livre e seres tu, sem que ninguém te critique ou coloque em causa quem és. Diz-me o quanto queres gritar ao mundo de quem gostas, sem que ninguém te olhe de lado. Diz-me o quantos olhares de lado já sentiste, quantas pessoas a desaprovar um abraço, umas mãos dadas, um beijo que tenhas dado. Diz-me quantas vezes já te sentiste preso/a dentro do teu próprio corpo, quantas vezes escondeste o que realmente pensavas e  sentias para te enquadrares na sociedade, no teu grupo, na tua família, para fazeres parte do quadrado que…

Voltar lá atrás no tempo

Um dia queria voltar contigo lá atrás no tempo perceber tudo o que aconteceu crescer de novo contigo ser de novo contigo numa infância que já aconteceu há tanto tanto tempo que ambos nos esquecemos.
Um dia queria voltar lá atrás no tempo contigo deixar a conversa fluir por todos e quaisquer assuntos que nos apeteçam sem deixar que o medo ou a vergonha nos impeçam de falar ou de ficar em silencio.
Um dia queria voltar lá atrás no tempo contigo perceber-te melhor conhecer os teus dias as tuas as tuas angústias as tuas dores as tuas alegrias saber as tuas asneiras os teus erros e crimes saber-te, enfim, conhecer-te, com todos os vícios todo o mal todas as fugas todos os desaparecimentos todas as ressacas toda a podridão todo o escuro toda a ferida.
Um dia queria voltar lá atrás no tempo contigo sabendo que vou chorar e que vai custar mas queria voltar lá atrás contigo para relembrar momentos que nunca tive para me voltar a aproximar da pessoa que criei para ti para seres quem eu te fiz ou i…

The trick.

There is always something. Something missing, something too much. Something here, something there. My life has been like this since ever. Probably all lives are like this, then it depends on how you look at it. My friends would say I’m a chilled person and I believe I am too, but then, there is this part of me, that seems to never be okay, happy or satisfied. It never settles. And if it feels right, then let’s feel better, and better, and better… You understand where this is going, right? I mean this can be positive personality trait, meaning that you always work for more. Yeah, right, sure. It can be exhausted and you might end up needing to train yourself to balance your two “yous”. Sure, it is good to want more, to be persistent and ambitious, but then you also should ask yourself what do you want in life. And be ambitious about it, about what you want, instead of creating different aims every morning and every night and make yourself tired, because you want to accomplish them all b…

Thank you.

I didn't know then, but I do know now that I have to thank you. For coming into my life. For smiling when I looked at you across the bar and then follow me. Thank you for kind of accept my messy stuff to come into your life and allow me to feel everything but me, for a few moments, while kissing you. And for all the other times we were together and almost didn't talk, just smiled and kissed. It did feel shallow for a couple of times. Anyway I understand now that you were not trying to shut me out from your life. That was just it. That was what I needed. To forget myself, my life, feel something different, feel something better. You allowed that without asking for nothing in return. Thank you. I does feel like everything has a purpose and I can see clearly why you appeared and your role and importance in my life. I apologize for following the wrong ideas and judgements that came in to my head and that I made about you, even if I didn't tell you. Only now can I apologize and…

O dia em que fui apanhar mexilhões com o meu pai

Hoje lembrei-me de um dia em que fui apanhar mexilhões com o meu pai. Lembro-me de termos combinado isso, no dia anterior e quando ele me perguntou se eu queria ir, fiquei tão feliz. Imaginei logo uma grande aventura de pai e filha pelas no meio das rochas das praias da foz, com a maré vaza, a apanhar os mexilhões. Imagino e imaginei na altura que o meu pai também ficou feliz por eu querer ir, por ter companhia. Eu não era só a tua menina querida pequenina, era a tua companheira, a tua parceira, numa missão importante. Tínhamos de calçados, pelos menos com um chinelos ou sapatilhas velhas para não nos magoarmos ou escorregarmos. E tínhamos de ter atenção à maré que entretanto subiria. Mas aquele momento foi nosso e lembrar-me dele foi tão doce. Lembro-me como se tivesse sido ontem (como dizemos sempre) e ao mesmo tempo parece-me tudo tão vago. Se calhar foi só uma memória de algo que nunca foi, mas que em alguma altura gostaria que tivesse sido.