Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Mas porque é que foste viver para o fim do mundo?

Tenho ouvido esta pergunta várias vezes ultimamente, seja por pessoas da cidade onde nasci ou outras grandes cidades, ou pessoas da cidade onde vivo atualmente. Sim, é o fim do mundo, mas no fim do mundo também há cidades. Sempre quis viver, pelo menos durante algum tempo, no interior mais próximo da natureza, das montanhas, do campo. E aqui estou. E estou tão bem. Vim viver para o fim do mundo, porque a fantasia da grande cidade nunca existiu para mim e, honestamente, acho que não passa disso, de uma fantasia.  Há muita coisa nas grandes cidades, temos tudo disponível, diferentes opções para tudo, em muita coisa é mais fácil. Mas também temos tanta coisa a mais. Temos stress, fumos, carros, casas e prédios e prédios e casas, temos muita gente, muito transito, muitas lojas, muito consumo, muito trabalho, muito stress. Temos muita confusão. Temos a individualidade. Aqui eu tenho uma comunidade. Aqui  até me sinto mal se não cumprimentar as pessoas que passam por mim na rua, só porque passa…
Mensagens recentes

The need to be perfect or right.

Last days I've been wondering about something, and that is about the need that people feel to be always right and to never admit that they failed. Worst, to never put themselves in silly situations. I get it, I do it too. And I need time to understand how stupid I am being for not giving me the opportunity to fail, to make mistakes and to be silly... actually, for not giving me the opportunity to learn! I realize lately, looking to my experiences, specially professional experiences, that I was afraid to say "I don't know that". And, although we can discuss all the reasons that made me afraid to assume it, none of them really matter. What really matters is that I was blocking my own growth and my own development. If I don't say "I don't know", people around me don't have the obligation to know that I need help and that I need them to explain to me, so they can just assume that I know and expect that I will do whatever I'm suppose to do right, …

Sobre a arte de estar sempre a aprender

O senhor V. e a dona P. têm sido uma verdadeira descoberta para mim. Nunca imaginei que fosse gostar tanto do que faço atualmente, que me fosse sentir tão bem, que fosse simpatizar tanto com os meus patrões, e lhes ter carinho, aquele carinho que criamos quase automaticamente por pessoas que nos fazem lembrar e que poderiam ser nossos pais. O senhor V. disse-me num dos primeiros dias que trabalhei na ourivesaria: "O saber não ocupa lugar" e é tão verdade. Tenho aprendido tanto com ele. Por vezes, chama-me de "Dra.", sabendo que eu não gosto nada disso, e diz com toda a certeza que eu sei fazer tudo o que ele faz, diga-se: mudar pilhas aos relógios, mudar braceletes, e arranjar umas quantas outras coisas. Porque fui para a universidade e portanto saberei tudo isso, porque sou "Dra.". Mas não sei e não sou Dra. Na faculdade não aprendi metade das coisas que tenho aprendido nas restantes áreas da minha vida, nem a faculdade de me ensinou, nem poderia ensinar …

Todos os nomes, menos o seu.

O pai chamava-lhe todos os nomes menos o dela. E não era falta de amor, ela sabia. Apenas esquecimento. Há coisas que a distância nos traz, como a saudade; há coisas que a distância nos leva, como a capacidade de nos lembrarmos de nomes. E então, sempre que estavam juntos, ela tinha todos os nomes, menos o seu. Ela era todas as pessoas, menos ela própria. Era a mãe, a mulher, a irmã, o irmão, a tia, o primo e até o cão. Todos os nomes estavam na cabeça do seu pai, menos o dela. Mas o que lhe custava não era que o pai se enganasse no seu nome, era o facto de não se enganar no nome das outras pessoas e nunca chamar o seu nome à mãe, à mulher, à irmã, ao irmão, à tia, ao primo ou ao até mesmo ao cão. Há quanto tempo não ouvir o pai chamar por ela, de verdade, pelo seu nome. E apesar de saber que não era falta de amor, parecia-lhe haver uma grande dose de esquecimento e falta de convívio que a assustavam e a magoavam, tal como a saudade e a distância, quando estava longe. Ou talvez mais.

Quantos queres?

Diz-me lá, quantos queres?
Nesta brincadeira de crianças
que está prestes a tornar-se séria, diz-me lá
Quantos queres?
Dias de sol, quantos queres?
Abraços de quem amas, quantos queres?
Uma festa no cabelo, quantos queres?
Noites de amor intenso e sem fim, quantos queres?
Diz-me lá, sinto que queres algo mais.
Dias de liberdade, quantos queres?
Momentos em que podes ser tu próprio, quantos queres?
Passeios na rua julgamentos dos outros, quantos queres?
Diz-me lá o quanto queres ser livre e seres tu, sem que ninguém te critique ou coloque em causa quem és. Diz-me o quanto queres gritar ao mundo de quem gostas, sem que ninguém te olhe de lado. Diz-me o quantos olhares de lado já sentiste, quantas pessoas a desaprovar um abraço, umas mãos dadas, um beijo que tenhas dado. Diz-me quantas vezes já te sentiste preso/a dentro do teu próprio corpo, quantas vezes escondeste o que realmente pensavas e  sentias para te enquadrares na sociedade, no teu grupo, na tua família, para fazeres parte do quadrado que…

Voltar lá atrás no tempo

Um dia queria voltar contigo lá atrás no tempo perceber tudo o que aconteceu crescer de novo contigo ser de novo contigo numa infância que já aconteceu há tanto tanto tempo que ambos nos esquecemos.
Um dia queria voltar lá atrás no tempo contigo deixar a conversa fluir por todos e quaisquer assuntos que nos apeteçam sem deixar que o medo ou a vergonha nos impeçam de falar ou de ficar em silencio.
Um dia queria voltar lá atrás no tempo contigo perceber-te melhor conhecer os teus dias as tuas as tuas angústias as tuas dores as tuas alegrias saber as tuas asneiras os teus erros e crimes saber-te, enfim, conhecer-te, com todos os vícios todo o mal todas as fugas todos os desaparecimentos todas as ressacas toda a podridão todo o escuro toda a ferida.
Um dia queria voltar lá atrás no tempo contigo sabendo que vou chorar e que vai custar mas queria voltar lá atrás contigo para relembrar momentos que nunca tive para me voltar a aproximar da pessoa que criei para ti para seres quem eu te fiz ou i…

The trick.

There is always something. Something missing, something too much. Something here, something there. My life has been like this since ever. Probably all lives are like this, then it depends on how you look at it. My friends would say I’m a chilled person and I believe I am too, but then, there is this part of me, that seems to never be okay, happy or satisfied. It never settles. And if it feels right, then let’s feel better, and better, and better… You understand where this is going, right? I mean this can be positive personality trait, meaning that you always work for more. Yeah, right, sure. It can be exhausted and you might end up needing to train yourself to balance your two “yous”. Sure, it is good to want more, to be persistent and ambitious, but then you also should ask yourself what do you want in life. And be ambitious about it, about what you want, instead of creating different aims every morning and every night and make yourself tired, because you want to accomplish them all b…