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Mensagens

Quando o sonho se torna real

Ainda não fui capaz. Já disse "Adeus" a Lisboa há uma semana, mas na verdade ainda não saí de lá, nem aterrei no meu novo espaço. Lutei com Lisboa durante um ano. Foi uma aventura e pêras. Ou como dizem na minha cidade, foi uma aventura do caralho. Foi uma experiência incrível que me fez, sem dúvida crescer imenso. Lisboa é linda e recebeu-me bem, fiz amigos e sinto saudades. Tinha o meu cantinho, o meu pequeno cantinho, onde me sentia confortável e que partilhava com pessoas que me eram queridas. Lisboa tratou-me bem, mas houve muita coisa que não correu bem e, portanto, Lisboa foi também uma luta. Foram dias e noites em que dava tudo para não estar lá. Mas vá, se tivesse sido fácil, não tinha tido tanta piada e agora não tinha histórias para contar. Ai, credo, a vida é mesmo engraçada: queixamo-nos das dificuldades e dos problemas e depois, acreditamos que sem eles, a vida não era tão interessante. Vá-se lá entender esta gente! Andei tanto tempo à espera do momento em que saí…
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Quantos queres?

Diz-me lá, quantos queres?
Nesta brincadeira de crianças
que está prestes a tornar-se séria, diz-me lá
Quantos queres?
Dias de sol, quantos queres?
Abraços de quem amas, quantos queres?
Uma festa no cabelo, quantos queres?
Noites de amor intenso e sem fim, quantos queres?
Diz-me lá, sinto que queres algo mais.
Dias de liberdade, quantos queres?
Momentos em que podes ser tu próprio, quantos queres?
Passeios na rua julgamentos dos outros, quantos queres?
Diz-me lá o quanto queres ser livre e seres tu, sem que ninguém te critique ou coloque em causa quem és. Diz-me o quanto queres gritar ao mundo de quem gostas, sem que ninguém te olhe de lado. Diz-me o quantos olhares de lado já sentiste, quantas pessoas a desaprovar um abraço, umas mãos dadas, um beijo que tenhas dado. Diz-me quantas vezes já te sentiste preso/a dentro do teu próprio corpo, quantas vezes escondeste o que realmente pensavas e  sentias para te enquadrares na sociedade, no teu grupo, na tua família, para fazeres parte do quadrado que…

Voltar lá atrás no tempo

Um dia queria voltar contigo lá atrás no tempo perceber tudo o que aconteceu crescer de novo contigo ser de novo contigo numa infância que já aconteceu há tanto tanto tempo que ambos nos esquecemos.
Um dia queria voltar lá atrás no tempo contigo deixar a conversa fluir por todos e quaisquer assuntos que nos apeteçam sem deixar que o medo ou a vergonha nos impeçam de falar ou de ficar em silencio.
Um dia queria voltar lá atrás no tempo contigo perceber-te melhor conhecer os teus dias as tuas as tuas angústias as tuas dores as tuas alegrias saber as tuas asneiras os teus erros e crimes saber-te, enfim, conhecer-te, com todos os vícios todo o mal todas as fugas todos os desaparecimentos todas as ressacas toda a podridão todo o escuro toda a ferida.
Um dia queria voltar lá atrás no tempo contigo sabendo que vou chorar e que vai custar mas queria voltar lá atrás contigo para relembrar momentos que nunca tive para me voltar a aproximar da pessoa que criei para ti para seres quem eu te fiz ou i…

The trick.

There is always something. Something missing, something too much. Something here, something there. My life has been like this since ever. Probably all lives are like this, then it depends on how you look at it. My friends would say I’m a chilled person and I believe I am too, but then, there is this part of me, that seems to never be okay, happy or satisfied. It never settles. And if it feels right, then let’s feel better, and better, and better… You understand where this is going, right? I mean this can be positive personality trait, meaning that you always work for more. Yeah, right, sure. It can be exhausted and you might end up needing to train yourself to balance your two “yous”. Sure, it is good to want more, to be persistent and ambitious, but then you also should ask yourself what do you want in life. And be ambitious about it, about what you want, instead of creating different aims every morning and every night and make yourself tired, because you want to accomplish them all b…

Thank you.

I didn't know then, but I do know now that I have to thank you. For coming into my life. For smiling when I looked at you across the bar and then follow me. Thank you for kind of accept my messy stuff to come into your life and allow me to feel everything but me, for a few moments, while kissing you. And for all the other times we were together and almost didn't talk, just smiles and kissed. It did feel shallow for a couple of times. Anyway I understand now that you were not trying to shut me out from your life. That was just it. That was what I needed. To forget myself, my life, feel something different, feel something better. You allowed that without for nothing in return. Thank you. I does feel that everything has a purpose and I can see clearly why you appeared and your role and importance in my life. I apologise for following the wrong ideas and judgements that came in to my head and that I made about you, even if I didn't tell you. Only now can I apologise and thank …

O dia em que fui apanhar mexilhões com o meu pai

Hoje lembrei-me de um dia em que fui apanhar mexilhões com o meu pai. Lembro-me de termos combinado isso, no dia anterior e quando ele me perguntou se eu queria ir, fiquei tão feliz. Imaginei logo uma grande aventura de pai e filha pelas no meio das rochas das praias da foz, com a maré vaza, a apanhar os mexilhões. Imagino e imaginei na altura que o meu pai também ficou feliz por eu querer ir, por ter companhia. Eu não era só a tua menina querida pequenina, era a tua companheira, a tua parceira, numa missão importante. Tínhamos de calçados, pelos menos com um chinelos ou sapatilhas velhas para não nos magoarmos ou escorregarmos. E tínhamos de ter atenção à maré que entretanto subiria. Mas aquele momento foi nosso e lembrar-me dele foi tão doce. Lembro-me como se tivesse sido ontem (como dizemos sempre) e ao mesmo tempo parece-me tudo tão vago. Se calhar foi só uma memória de algo que nunca foi, mas que em alguma altura gostaria que tivesse sido.

As desculpas pedem-se, os erros é que se evitam

As desculpas não se pedem, evitam-se. Passei a minha vida inteira a ouvir isto, para chegar aos 25 anos e perceber que é a maior estupidez de sempre.  Essa é a uma frase que as pessoas usam quando colocam expectativas demasiado elevadas para as outras. As desculpas pedem-se sim, as desculpas são para se pedir, é das primeiras coisas que ensinamos às crianças: pedir desculpa quando erram ou fazem uma asneira. Porque é que a partir de determinada altura já não queremos que as pessoas nos peçam desculpa? As desculpas pedem-se, o que se evita são os erros e ainda assim sabemos que ao longo da nossa vida iremos errar várias vezes.  Novamente, quem diz o contrário são as pessoas que criam expectativas excessivamente altas para os outros, impossíveis de cumprir. E ainda que digamos que devemos evitar os erros, não por aí umas quantas linhas filosóficas ou o que lhe quiserem chamar que defendem que é a partir dos erros que aprendemos? Que é com os que crescemos? Que os erros são parte essencial d…