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Mensagens

O dia em que fui apanhar mexilhões com o meu pai

Hoje lembrei-me de um dia em que fui apanhar mexilhões com o meu pai. Lembro-me de termos combinado isso, no dia anterior e quando ele me perguntou se eu queria ir, fiquei tão feliz. Imaginei logo uma grande aventura de pai e filha pelas no meio das rochas das praias da foz, com a maré vaza, a apanhar os mexilhões. Imagino e imaginei na altura que o meu pai também ficou feliz por eu querer ir, por ter companhia. Eu não era só a tua menina querida pequenina, era a tua companheira, a tua parceira, numa missão importante. Tínhamos de calçados, pelos menos com um chinelos ou sapatilhas velhas para não nos magoarmos ou escorregarmos. E tínhamos de ter atenção à maré que entretanto subiria. Mas aquele momento foi nosso e lembrar-me dele foi tão doce. Lembro-me como se tivesse sido ontem (como dizemos sempre) e ao mesmo tempo parece-me tudo tão vago. Se calhar foi só uma memória de algo que nunca foi, mas que em alguma altura gostaria que tivesse sido.

Mensagens recentes

As desculpas pedem-se, os erros é que se evitam

As desculpas não se pedem, evitam-se. Passei a minha vida inteira a ouvir isto, para chegar aos 25 anos e perceber que é a maior estupidez de sempre.  Essa é a uma frase que as pessoas usam quando colocam expectativas demasiado elevadas para as outras. As desculpas pedem-se sim, as desculpas são para se pedir, é das primeiras coisas que ensinamos às crianças: pedir desculpa quando erram ou fazem uma asneira. Porque é que a partir de determinada altura já não queremos que as pessoas nos peçam desculpa? As desculpas pedem-se, o que se evita são os erros e ainda assim sabemos que ao longo da nossa vida iremos errar várias vezes.  Novamente, quem diz o contrário são as pessoas que criam expectativas excessivamente altas para os outros, impossíveis de cumprir. E ainda que digamos que devemos evitar os erros, não por aí umas quantas linhas filosóficas ou o que lhe quiserem chamar que defendem que é a partir dos erros que aprendemos? Que é com os que crescemos? Que os erros são parte essencial d…

Ideias Aleatórias - Gostar

Gostar de raparigas é uma armadilha, por essa mesma razão: são raparigas (Que hipócrita!). Fazem jogos, mostram ou escondem sentimentos, escondem-sem tal como os rapazes (?). Gostar de raparigas (e já agora, de rapazes também, porque não?, somos todos tão parecidos) é uma armadilha e às vezes sobrevivemos e gostamos. E gostamos tanto que voltamos a tentar. E caímos na armadilha.
Gostar de raparigas é como gostar de rapazes e dizer o contrário é achar que as raparigas são melhores que os rapazes. Não são. Não iguais. Há raparigas que mentem, traem e fazem jogos. Há raparigas que se entregam. Há raparigas perdidas, sem saber muito bem do que é que gostam, quem é que querem, e se estão perante o momento em que vão perceber se são hetero, bi, ou lésbicas. E o mesmo se passa com os rapazes. Podem haver detalhes um pouco diferentes, mas no fundo é isso.
Eu achei que gostar de raparigas seria algo super profundo, com significado para ambas as partes, mesmo que não passasse de uma curte de uma …

a terceira vez

É a terceira vez que passo por isso. A terceira vez que começo a tomar medicamentos para tratar nem sei bem o quê: ansiedade, depressão, mal-estar geral com a vida, que teima em aparecer de quando em vez. E eu que nem sou de tomar medicação. Um conselho: quando iniciarem um tratamento farmacêutico para doença mental, mantenham-no até ao fim e/ou façam a descontinuação gradual como acompanhamento médico. (Claro que depois sabemos lá se o médico nos acompanha em condições e tem o mínimo de noção do que está a fazer). A sério. A determinado ponto, vão achar que já estão bem, que a nuvem cinzenta que pairava na vossa mente passou e foi embora de vez, vão achar que podem tudo e que a vida é bela. E a vida é bela sim, mas o mais provável é que ao pararem a medicação de forma drástica a nuvem volte. E por nuvem refiro-me à imensa falta de vontade de sequer por um pé fora da cama, de acordar e lavar os dentes, de cuidarmos de nós, de comermos, quando mais de irmos trabalhar ou sermos gente. Q…

Ela.

Apaixonei-me. Foi isso. Demorei imenso tempo para perceber porque é que algo me afetava tanto, até perceber, que era paixão. Do género de paixão que acontece quando temos 14 anos, quando achamos que aquela pessoa é a tal e seremos felizes para sempre. Algo do género. Acho que foi isso que aconteceu com ela. Apaixonei-me, sem nenhum aviso prévio, simplesmente aconteceu. Talvez não quisesse que ficássemos juntas para sempre, numa relação, acho sinceramente. Acho que queria saber que eu seria para sempre única para ela, tal como ela será para mim, queria saber que a ligação seria sempre a mesma e estaria sempre lá. E não sei. E não saber mata-me. Porque cada vez que ouço o nome dela, o meu corpo treme e a minha mente tenta manter-se sem reação. Todo o meu corpo fica em estado alerta, a gritar silenciosamente "Calma! Calma! Está tudo bem! Não reagir! Não reagir!". Cada vez que a vejo, fico contente e apetece-me voltar ao início de tudo, ao momento em que a conheci. E ao momento …

Há sempre uma razão.

Porque realmente cada pessoa entra na tua vida por alguma razão. Algumas às vezes só para te abrirem os olhos, mostrarem-te duas ou três coisas, para entretanto saírem da tua vida de novo. Seja porque na verdade nunca criaram uma ligação contigo, isso aconteceu apenas na tua imaginação; quer porque tudo aquilo que te mostraram foi fingido ou irreal. De qualquer das formas tu aprendes e isso é bom. Tens de agradecer a essas pessoas, ainda que possa ser frustrante muitas vezes. Até porque tu vês o enorme valor que elas têm e que não percebem que tu reconheces e eventualmente não te reconhecem a ti. Às vezes é triste, porque tu crias uma ligação forte com elas, que elas não vêm, não valorizam ou não conseguem corresponder. Mas não te esqueças, essas pessoas têm valor, ensinam-te coisas importantes... e tu também tens valor, por isso se eventualmente essas pessoas te fazem sentir menos ou em vez de te fazerem sentir mais te fizerem sentir a mais, tens o direito de desligar, dizer adeus co…

pedaços.

Eu queria.
Pegar em ti, em todos os teus pedaços
rasgados e perdidos por aí, 
encontrá-los a todos, 
um a um, e colá-los a mim. 
Com a toda a calma e com todo o carinho, 
cobrir-me deles, 
despedaçar-me também. 
desfazer-me,
esquecer-me
e lembrar-te.
Desfazer-me em ti 
e criar-nos de novo.