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Mensagens

A mostrar mensagens de Dezembro, 2014

Casa.

Ando perdida, sem casa. Tenho um lugar no qual entro e posso dizer "estou em casa", mas não tenho um lugar onde entre e me sinta em casa. Às vezes esquecemo-nos que são duas coisas diferentes. Não me sinto em casa em lugar nenhum, não há quatro paredes e um teto que me façam sentir assim. Entro em casa e falta-me o conforto, sei que não é para lá que quero ir, porque não é a minha casa. Não há um sítio que seja a minha casa e isso inquieta-me. Em contra partida, tenho pessoas na minha vida que me fazem sentir em casa. Dão-me calor, carinho, segurança e apoio sempre que faz frio lá fora. Quando o mundo me empurra para baixo, quando chove na minha vida, quando há tempestades por todo lado, procuro o meu teto junto dessas pessoas. A minha casa está em todo o lado e em lugar nenhum. Está onde as minhas pessoas estiverem e nem sempre elas estão perto, por diversas razões, mas conseguem sempre, sempre, sempre, aconchegar-me os cobertores, desligar a luz e desejar-me uma boa noite e…
Às vezes sinto-me  a ovelha negra, a mancha no caderno, a maquiagem borratada, a carta fora do baralho, sinto-me diferente, sinto-me longe. E, às vezes (só mesmo às vezes), tem alguma piada como se me retirasse um peso dos ombros, como se não houvesse expectativas a cumprir e logo não houvesse nada a falhar... mas a maioria das vezes, quando me sinto assim, não tem piada nenhum, porque me sinto lixo, sinto-me falhada, sinto-me nada. Eu sei que a minha maneira de ser não é comum para muita gente, não me acho especial, mas sei que muita gente não me compreende. Sei que às vezes incomodo, faço impressão, salto fora da caixa, e sou, dirão alguns, desadequada, desajustada, destrambelhada, desnaturada, desligada... alguns dirão coisas piores, acreditem. Alguns dirão que não valho nada e que não quero saber de ninguém - o que não poderia ser menos verdade. Não é nada esta a imagem que tenho de mim, mas acreditem que há dias em que a opinião dos outros é tão forte e eu sinto-me tão fraca que …

A minha vida dava um filme...

A minha vida dava um filme. Ou se calhar não dava, mas às vezes, gosto de imaginar que é como se fosse. E eu sou uma daquelas personagens estranhas do filme, que quase que passam despercebidas e andam sempre meias perdidas. Uma personagem de espírito melancólico e livre. Uma personagem que está sempre longe e que não sabemos definir, porque ela também não se consegue definir. Ela é meio mistério, e o mundo também é para ela um grande mistério. Não se encontra em lado nenhum e tem dificuldade em entender muito do que se passa à sua volta, porque é que as pessoas tendem a interpretar as coisas com tanta maldade, porque é que se complica tudo, porque é que não aproveitamos o momento a cada momentos ou porque é que nos limitamos tanto. Tem dificuldade em entender o mundo e também dificuldade em entender-se a si própria. Ela não sabe porque é que tantas vezes se sente triste e apática, porque é que por vezes se alimenta da melancolia e da beleza que vê nesse sentimento.  Ela não se conhece,…

Para os meus putos preferidos VI

Hoje foram a tua inocência, a tua carência e o teu carinho que fizeram o meu dia.
O meu coração ficou quentinho e aconhegado com o teu olhar de ternura. Nasceu um sorriso na minha cara, um sorriso sincero. Depois destes dias cinzentos, soube tão partilhar momentos tão simples contigo. Os teus gestos foram tão simples, mas denunciaram a tua carência. As tuas mãos a agarrarem a minha camisola, sem te aperceberes sequer e sem te aperceberes que eu me apercebia, como quem não quer ficar sozinho. A tua procura em tocares-me, com os pés nas pernas, seja como for, só para saberes que tens ali alguém, que estou contigo, que não estás só. E não estás. Nem sempre estou lá, nem sempre posso estar. Poderia estar mais, nem sabes o quanto falho nisso, acho que não te apercebes, mas falho. Mas quero tornar isto uma missão minha também: sempre que lá estiver, estar lá para ti. Porque tu mereces. Porque muita coisa te aconteceu tão cedo, porque de repente te viste separado de toda a tua família, longe de…