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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2014

Para os meus miúdos preferidos IV

Sempre me fascinaste desde o primeiro dia que te vi. O teu olhar longe, a tua distância de tudo, o teu jeito de ser solitário. Nunca me deste confiança, nunca te deste. Pouco consegui arrancar da tua boca, alguns "olás", algumas frases perdidas por aí que nem sequer eram, muitas vezes, dirigidas a mim. Sempre te mantiveste longe, eu sempre quis conhecer-te melhor, aproximar-me, mas respeito a tua vontade. Não ganho nada a impôr-me. Apenas posso mostrar-me disponível. Porém, sei que dificilmente virás falar comigo. Não me importa. Eu admiro-te e quero tudo de bom para ti.
Hoje sei que a tua vida não foi e não é fácil. A vida foi injusta contigo e tu não deverias ter vivido metade do que viveste. Merecias mais. Todos vocês merecem mais. Todos vocês tiveram a vossa dose (alguns continuam a ter). A tua forma de ser solitária e calada, traiu-te. Dificultou-te as coisas. Mas hoje percebi um pouco mais de quem tu és. Sofreste em silêncio, calado no escuro, perdido nas ruas do Porto,…

Asas, para que vos quero?

Às vezes, qeremos a todo o custo fugir ou evitar certas situações. 'Pernas, para que vos quero?', perguntamo-nos tantas vezes, enquanto o medo, a ansiedade ou o nervosismo se vão apoderando de nós conforme os formos deixando. Queremos pernas para correr dali para fora, para corrermos e podermos voltar para nossa zona de conforto, para o nosso ninho pessoal e emocional, onde conseguimos que tudo faça sentido. Na maioria das vezes, na minha vida, não queria ter pernas para fugir... queria ter asas para voar e ir atrás dos meus sonhos. Queria tanto as minhas asas imaginárias ou reais para concretizar todas as minhas ideias. Há dias de enorme extâse e criatividade, dias em que basta acordar para fazer acontecer. As ideias invadem a minha mente, uma atrás da outra, ou todas aos tropeções, às vezes nem consigo distingui-las. Dias em que sou grande, gigante, capaz de tudo, sou uma heroína. Sou tudo o que quero, imagino e sonho. E até consigo ser o que os outros querem. Nos dias exepci…

Cartas para ti IX

Ontem à noite, o meu pensamento estava contigo. Aliás, como acredito que está sempre, só não está também o corpo porque ainda não descobri forma de o teletransportar como bem me apetece. Mas o meu pensamento estava contigo, levou o meu sono embora e manteve-me acordada a noite toda. Ontem eras tu em todo o lado. Toda a casa gritava por ti, a cama, os lençóis... tudo pedia a tua presença e tu tão longes, sem saberes sequer que te queríamos aqui. Que te queria. Agarrei a almofada, apertei-a junto ao corpo na tentativa de preencher um vazio que não sei de onde vinha, mas foi em vão. Dormir agarrada a uma almofada pode ser confortável, pode até ser mais confortável do que dormir contigo... mas escolheria mil vezes dormir no desconforto do teu corpo, do teu abraço, ficar com o braço ou a mão dormente, apenas porque quero abraçar-te a noite toda. Mil vezes não dormir a noite toda porque não consigo parar de te fazer festas no cabelo, nas costas, no ombro. Mil vezes noites em claro a convers…

Para os meus miúdos preferidos III

Meu menino, que te aconteceu? A tua mente trai-te, por vezes, e nem te reconheço. E só me apetece abraçar-te bem forte e dizer-te que vai ficar tudo bem. Porque pode ficar tudo bem, se tu deixares. Se deixares, há pessoas para te ajudarem, para te apoiarem e para combaterem contigo os momentos maus.  Sei que isto parece pouco para ti e, na verdade, é. Mas é tudo o que te posso dar. A única coisa que te posso dar é o meu apoio e a minha presença.
Hoje quis estar do teu lado enquanto te revoltavas e gritavas para o mundo. Queria apertar a tua mão e dizer-te que percebo a tua dor, a tua revolta, a tua frustração. Queria de qualquer maneira que soubesses que estou contigo. Pronto. Também sei que para ti sou uma pessoa igual às outras, provavelmente não vez em mim (ainda) uma pessoa em quem possas confiar (quem sabe, um dia), uma pessoa que te oferece segurança e conforto. Provavelmente, sou igual aos outros que te julgam, te criticam, te provocam tantas vezes (sim, eu sei... tu não és santo,…

Os meus miúdos preferidos II

O meu coração estava apertadinho, sem saber por onde andavas. Aposto que não sabias, nem desconfiavas sequer da minha preocupação, porque ainda não me conheces bem e porque a tua mente devia estar ocupada com outras preocupações imagino. O meu coração estava apertadinho, mas hoje quando te vi, são e salvo, explodiu de alegria. Tive de o controlar e de me controlar a mim para não explodir também. Sabia que tinha ganho o dia naquele instante em que entraste no gabinete. Tinhas voltado, estavas bem, já podia respirar de alívio. Não sei se serei capaz de te apoiar. Às vezes sinto que se anteriormente tivesse estado mais presente, se calhar teria feito a diferença, se calhar tinha-te ajudado a fugires de alguns problemas, se calhar tinha-se evitado muita coisa. Mas a verdade é que não sei, se calhar não tinha adiantado nada.  Mas sei que agora estou aqui, estou presente e quero saber de ti.  E tu devias saber que há quem goste de ti, há quem queira ajudar-te, há quem queira ver para além das t…

A minha montanha russa

Sempre achei que nunca andaria numa montanha russa... É giro de ver e consigo perceber que seja divertido, mas penso sempre ficaria enjoada e mal disposta naquelas descidas. Talvez por vontade própria e num primeiro momento, nunca andaria. Claro que digo isto a pensar nas montanhas russas das feiras populares.

E só depois me lembrei das montanhas russas das emoções. Ah, se penso que nunca entraria numa das outras, destas se calhar penso que nunca irei sair. Não sendo sempre com altas descidas ou subidas, a minha vida é a minha montanha russa pessoal. Ora momentos de êxtase e alegria quase louca, ora humores cinzentos, apatia e vontade de nada nem de coisa nenhuma. 
É engraçado como num momento sinto uma paixão pela vida contagiante, eufórica e inabalável e, de repente, às vezes, parece que a bateria se acabou, já não tenho energia e tudo desaba... mas desaba por razão nenhuma quase sempre. Sem que eu consiga identificar algo que perceba que me faz realmente sentir mal e em baixo.

Pois...