Avançar para o conteúdo principal
São estas pequenas coisas que fazem a diferença e nos motivam a levantarmo-nos de novo. Sim, éramos poucos, ainda menos do que da última vez, mas marcámos presença. Deixa-me triste ver que muita gente não se interessa, mas os animais também estão "à rasca" e precisam que alguém lute por eles, de gente que se levante e manifeste. Admiro as pessoas que organizaram estas manifestações, é por elas as terem criado que as poucas pessoas que lá estavam apareceram. 
Não ando nas melhores fases da minha vida e hoje dei por mim, quase a aproveitar todas as desculpas para não aparecer: porque me dói a perna, porque vou sozinha, porque o dia está assim, porque não carreguei o passe e não posso gastar muito dinheiro, porque estou atrasada, porque tenho de estudar. 
Nenhuma delas é mentira, mas só me impediriam de ir  se eu, de facto, não quisesse ir. Mas fui e não me arrependo. só me sinto triste por sermos poucos, mas ao menos somos alguns. E senti-me bem por, apesar, de andar em baixo, fui capaz de não desistir hoje e não foi por mim que me ergui, foi pelos animais, e foi pelo meu Snoopy. 
Não houve um momento daquela manifestação que eu não te recordasse, tinha pensado levar-te desta vez, mas tu foste-te embora antes e não foi possível. Sei que estavas lá comigo a lutar pelos teus companheiros. Sim, porque também tu, se não tivesses ficado connosco quando eras pequenininho, bolinha de pêlo, terias sido abatido, tal como os teus irmãos, provavelmente, foram. Viveste numa casa, onde não tratavam muito bem os outros cães, mas tu sempre soubeste safar-te. Eras educado e carinhoso, não chateavas ninguém. Não era o teu lar, mas vivias bem. Desculpa não ter podido ficar contigo, trazer-te para esta casa depois da avó morrer, mas sabes que não tínhamos condições e, para ti, penso que deve ter sido melhor. Espero eu. 
Estou a dispersar. Lutar por aquilo em que acredito fez-me sentir bem, melhor. E quero tentar fazer mais pelos animais, sim, e pelas pessoas também. Vou tentando ir com calma, se não depressa fico de rastos.

 Só gostava que as pessoas se interessassem mais por estas acções, que se posicionassem, que não falassem só, mas agissem, aparecessem... Não somos só nós que estamos "à rasca", os animais também estão... Veja-se a última atitude da câmara do porto, a proibir as pessoas de dar comida aos animais da rua, ficando sujeitas a multas se o fizerem.

Às vezes as pessoas são mesmo tristes. E, volto a dizer "quanto mais conheço o Homem mais gosto dos outros Animais".

Comentários

Mensagens populares deste blogue

As desculpas pedem-se, os erros é que se evitam

As desculpas não se pedem, evitam-se. Passei a minha vida inteira a ouvir isto, para chegar aos 25 anos e perceber que é a maior estupidez de sempre.  Essa é a uma frase que as pessoas usam quando colocam expectativas demasiado elevadas para as outras. As desculpas pedem-se sim, as desculpas são para se pedir, é das primeiras coisas que ensinamos às crianças: pedir desculpa quando erram ou fazem uma asneira. Porque é que a partir de determinada altura já não queremos que as pessoas nos peçam desculpa? As desculpas pedem-se, o que se evita são os erros e ainda assim sabemos que ao longo da nossa vida iremos errar várias vezes.  Novamente, quem diz o contrário são as pessoas que criam expectativas excessivamente altas para os outros, impossíveis de cumprir. E ainda que digamos que devemos evitar os erros, não por aí umas quantas linhas filosóficas ou o que lhe quiserem chamar que defendem que é a partir dos erros que aprendemos? Que é com os que crescemos? Que os erros são parte essencial d…

Quantos queres?

Diz-me lá, quantos queres?
Nesta brincadeira de crianças
que está prestes a tornar-se séria, diz-me lá
Quantos queres?
Dias de sol, quantos queres?
Abraços de quem amas, quantos queres?
Uma festa no cabelo, quantos queres?
Noites de amor intenso e sem fim, quantos queres?
Diz-me lá, sinto que queres algo mais.
Dias de liberdade, quantos queres?
Momentos em que podes ser tu próprio, quantos queres?
Passeios na rua julgamentos dos outros, quantos queres?
Diz-me lá o quanto queres ser livre e seres tu, sem que ninguém te critique ou coloque em causa quem és. Diz-me o quanto queres gritar ao mundo de quem gostas, sem que ninguém te olhe de lado. Diz-me o quantos olhares de lado já sentiste, quantas pessoas a desaprovar um abraço, umas mãos dadas, um beijo que tenhas dado. Diz-me quantas vezes já te sentiste preso/a dentro do teu próprio corpo, quantas vezes escondeste o que realmente pensavas e  sentias para te enquadrares na sociedade, no teu grupo, na tua família, para fazeres parte do quadrado que…

Sobre a arte de estar sempre a aprender

O senhor V. e a dona P. têm sido uma verdadeira descoberta para mim. Nunca imaginei que fosse gostar tanto do que faço atualmente, que me fosse sentir tão bem, que fosse simpatizar tanto com os meus patrões, e lhes ter carinho, aquele carinho que criamos quase automaticamente por pessoas que nos fazem lembrar e que poderiam ser nossos pais. O senhor V. disse-me num dos primeiros dias que trabalhei na ourivesaria: "O saber não ocupa lugar" e é tão verdade. Tenho aprendido tanto com ele. Por vezes, chama-me de "Dra.", sabendo que eu não gosto nada disso, e diz com toda a certeza que eu sei fazer tudo o que ele faz, diga-se: mudar pilhas aos relógios, mudar braceletes, e arranjar umas quantas outras coisas. Porque fui para a universidade e portanto saberei tudo isso, porque sou "Dra.". Mas não sei e não sou Dra. Na faculdade não aprendi metade das coisas que tenho aprendido nas restantes áreas da minha vida, nem a faculdade de me ensinou, nem poderia ensinar …