Avançar para o conteúdo principal

procurar o lado bom

Não somos iguais e, felizmente, nunca seremos. Mas, não posso deixar de ficar um pouco triste às vezes, quando sinto que as coisas que mais gosto de fazer, aquilo que me motiva e no que me empenho, são também coisas que não entendes e que te magoam. Pode parecer estranho, mas sabes: eu não gosto de te magoar! (Só para que conste, não vás tu pensar que eu sinto imenso prazer nisso, porque não sinto!).
Eu sei que às vezes tenho dificuldade em organizar o meu tempo e dividi-lo de forma justa e coerente. Sei disso e aos poucos acho que vou conseguindo fazê-lo melhor. Mas acabo por me sentir derrotada quando sinto que faço algo que eu vejo como um "passo", um "avanço" e tu não vês ou  focas-te noutro aspecto e voltas a reclamar. Sinto que só vez o que faço pior, o negativo, o mau, o que não está bem, sem conseguires ver o meu esforço, as minhas melhorias.
Eu amo-te e gostava de poder partilhar esta parte da minha vida doutra forma contigo. Não estou a dizer que tens culpa, talvez seja eu que não sei explicar o porquê de algo ser tão importante na minha vida. Por outro lado, eu não te quero forçar a ver as coisas como eu vejo e, portanto, não quero estar sempre a falar do mesmo e a tentar defender a minha visão até que te canses e digas "sim, está bem". Eu não quero isso.

Só gostava que fizesses um pequenito esforço de procurar os meus pontos positivos, em vez de os pontos negativos. Porque isso só te faz mal a ti e a mim. A ti, porque começas a olhar para a pessoa que amas como se só tivesse defeitos e a mim, porque começo a sentir que só tenho defeitos, que não consigo fazer nada direito e que não valho nada. E quem não se sente bem consigo, não está bem com os outros, e eu sei bem disso, porque luto todos os dias para me aceitar como sou (e sinto-.me no caminho certo!).
Não ignores o negativo, fala comigo sobre isso, avisa-me, ajuda-me a ser melhor e não te magoar. Celebra os positivos, mostra-me que os vês, que há coisas boas em mim, que valho alguma coisa. E eu vou tentar fazer o mesmo contigo, porque por vezes posso também falhar.

Eu amo-te, nada do que faço é para te magoar. Posso fazê-lo, mas acredita que é sem maldade nenhuma. E tentarei fazê-lo menos. 

Mas amo-te. E acho que não tens razões para duvidares do que digo, porque sempre te disse o que penso e sinto. Mesmo quando a verdade magoa, mas prefiro dizer a verdade do que esconder-te coisas e ter segredos para ti.

Amo-te.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Tu que és psicóloga...

"Tu que és psicóloga..."
É o início de uma frase que me irrita bastante e que normalmente, na minha experiência, antecede um conjunto de disparates que as pessoas acham, que eu que sou "psicóloga" "sei" que obviamente são a verdade mais correta e óbvia deste mundo.

"Tu que és psicóloga sabes que as crianças com pais separados são assim..."
"Tu que és psicóloga sabes que quem fuma erva acaba sempre por experimentar e passar para coisas mais graves"
"Tu que és psicóloga sabes que se um pai é assim o filho também vai ser, não há por onde fugir"
"Tu que és psicóloga sabes que as crianças mais quietas e sossegadas normalmente crescem com problemas"
"Tu que és psicóloga sabes que as crianças irrequietas depois acabam por ter mau aproveitamento, problemas na escolas e comportamentos de risco"
"Tu que és psicóloga, dá-me lá a tua opinião sobre o meu filho/a minha amiga/o meu pai/o meu patrão/etc.."

São só alguns…

#paciênciadevegetariano

Desde que me tornei vegetariana que tenho vindo a exercitar diariamente uma competência muito importante: a paciência. É que a partir desse momento, todas as pessoas viraram especialistas em alimentação ou então passaram a achar imensa piada gozar com o facto de eu ser vegetariana. Ok, toda a gente não, mas muita, muita gente faz isso. Aqui vai uma lista do que tenho ouvido ao longo dos anos, depois de dizer que sou vegetariana:

- então, o que é que comes?
- então, e a proteína?
- comes como os coelhos?
- ai, eu não consegui comer só saladas!
- eu também já fui vegetariana por um mês.
- eu já tentei, mas tenho anemia crónica.
- não sei como consegues, eu não passo sem um bom bife! Ai que maravilha!
- mas de vez em quando comes carne e peixe, não é?
- e não tens problema nenhum?
- mas dá muito trabalho fazer essas comidas, não dá?
- coitado do teu namorado, também tem de comer disso, não é? deve passar uma fome!
- então lá em casa fazem dois jantares não é? Porque o teu namorado não é vegetariano!
Decidi desistir da frustração e passar a focar-me no que de bom tem a minha realidade. Há aspetos da vida aos quais, às vezes, damos demasiada importância, ignorando o que nos corre bem. Alguns verão esta minha atitude como pessimista ou conformista, talvez seja. Mas eu não desisti de procurar emprego na minha área, desisti sim de me sentir frustrada e desanimada, dia após dia. Para os empregadores que andam por aí, continuo 100% motivada para ser psicóloga! Mas a minha felicidade não pode depender de ter trabalho na minha área e, portanto a vida tem de andar para a frente. E, no meio de envio de currículos para os mais variados locais, dentro e fora da minha área de residência, dedico-me a tentar ser cada vez melhor nas minhas funções enquanto profissional, no trabalho temporário que entretanto encontrei, e como voluntária. Porque a vida é agora, é o hoje e hoje eu trabalho neste local e sou voluntária desta associação, e ambos merecem a minha dedicação e respeito, ambos merecem que se…