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Eu sei. Sei que não estou bem. Sei que luto todos os dias para me sentir um pouco melhor ou para fingir que estou aos poucos a voltar ao normal. E, às vezes, acredito que realmente estou a conseguir. Mas é uma ilusão. Nunca consigo o equilibrio. Ando sempre no oito ou oitenta. Nunca saio disto. Já disse a mim própria vezes sem conta "Hoje acabo com isto", "Hoje vou mudar", É Hoje". Mas nunca é hoje, nem no dia seguinte. Nunca é dia para mudar para mim.
E sinto-me como um viciado que quer parar o vício, mas volta sempre, pois é mais forte do que ele. Sinto-me fraca.
Sinto que não tenho controlo sobre a minha vida e quero manter-me ocupada, para não ter tempo de pensar em nada, para não ter tempo para reparar em mim e no quanto não me sinto bem nem confortável comigo própria.
É preciso ter energia, positivismo e aceitar pequenas conquistas. Eu sei, sei tudo isso, sei que temos de seguir passo a passo, com paciência e persistência... Sei. Mas tenho os meus dias. Nesses dias em que acordo de manhã e o meu mundo já está do avesso, em que todos de manhã reclamam comigo por eu ir trabalhar (como se eu estivesse a cometer algum crime), em que não consigo organizar as coisas e o que planeio me sai ao lado, em que vejo aqueles que mais amo em baixo, em que o namorado está chateado porque demorei de mais, porque estou com cara de enterro, porque estou cansada e porque só me apetece deitar a cabeça na almofada e acordar desse dia que mais parece pesadelo.

É uma estupidez, tudo isto. Ao escrever percebo-o e pergunto-me "Afinal, porquê tudo isto? Porquê estas mudanças de humor repentinas? Esta tristeza e melancolia frequentes? Este mal-estar comigo e com o meu corpo?"... Afinal de onde vem tudo isto?

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a vontade

Às vezes, vem a vontade a vontade de te ver sempre de estar contigo sempre de esquecer que tudo o resto existe e aí, venho embora, e procuro voltar a mim prefiro ter essa vontade aguentá-la,  diluí-la no tempo esticá-la,  fazendo-a durar, do que acabar com ela logo de uma só vez rapidamente, sem pensar e quase sem sentir então escrevo penso, pinto,  sonho,  grito, abraço essa vontade e trago-a comigo lá no fundo do peito como companhia E quando te volto a ver deixo-a sair para a sentir de novo e deixar que me invada e me faça feliz por te ver por te ter por estar contigo  e sentir novamente aquela vontade louca sem sentido de esquecer tudo o resto e sou só ali contigo eu e a vontade e todos os outros sentimentos e sensações e tudo e tudo. Para depois voltar a mim para que possa voltar para ti sem me esquecer de quem sou e de quem tu és independentes um do outro.
No meio da confusão, às vezes, o universo tem a sua forma de nos desafiar e de nos fazer parar. Perco-me entre a procura de pessoas, vivências, experiências e tudo o que possa haver para fazer, encontrar e visitar. Quando, na verdade, preciso de olhar para dentro, respirar e procurar em mim um lugar de calma e felicidade.  Então, lá vem a magia de estar prestes a partir numa mini viagem sozinha, algo que nunca antes fiz. E, talvez fosse demorar demasiado tempo a fazê-lo, porque partilhar me parece sempre mais interessante do que guardar só para mim. E porque apesar de parecer excitante a ideia de ir sem ninguém, ter alguém parece dar uma segurança e conforto extra.  Mas se as viagens são como a vida, então isto faz sentido. Vai sozinha, segue o teu caminho. As pessoas, entretanto, aparecem, se assim quiseres... e desaparecem também. Se sou capaz de seguir pela vida sem a necessidade de ter alguém, então sou capaz de partir também nesta viagem, sozinha, com muita confianç...

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