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Eu sei. Sei que não estou bem. Sei que luto todos os dias para me sentir um pouco melhor ou para fingir que estou aos poucos a voltar ao normal. E, às vezes, acredito que realmente estou a conseguir. Mas é uma ilusão. Nunca consigo o equilibrio. Ando sempre no oito ou oitenta. Nunca saio disto. Já disse a mim própria vezes sem conta "Hoje acabo com isto", "Hoje vou mudar", É Hoje". Mas nunca é hoje, nem no dia seguinte. Nunca é dia para mudar para mim.
E sinto-me como um viciado que quer parar o vício, mas volta sempre, pois é mais forte do que ele. Sinto-me fraca.
Sinto que não tenho controlo sobre a minha vida e quero manter-me ocupada, para não ter tempo de pensar em nada, para não ter tempo para reparar em mim e no quanto não me sinto bem nem confortável comigo própria.
É preciso ter energia, positivismo e aceitar pequenas conquistas. Eu sei, sei tudo isso, sei que temos de seguir passo a passo, com paciência e persistência... Sei. Mas tenho os meus dias. Nesses dias em que acordo de manhã e o meu mundo já está do avesso, em que todos de manhã reclamam comigo por eu ir trabalhar (como se eu estivesse a cometer algum crime), em que não consigo organizar as coisas e o que planeio me sai ao lado, em que vejo aqueles que mais amo em baixo, em que o namorado está chateado porque demorei de mais, porque estou com cara de enterro, porque estou cansada e porque só me apetece deitar a cabeça na almofada e acordar desse dia que mais parece pesadelo.

É uma estupidez, tudo isto. Ao escrever percebo-o e pergunto-me "Afinal, porquê tudo isto? Porquê estas mudanças de humor repentinas? Esta tristeza e melancolia frequentes? Este mal-estar comigo e com o meu corpo?"... Afinal de onde vem tudo isto?

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Tu que és psicóloga...

"Tu que és psicóloga..."
É o início de uma frase que me irrita bastante e que normalmente, na minha experiência, antecede um conjunto de disparates que as pessoas acham, que eu que sou "psicóloga" "sei" que obviamente são a verdade mais correta e óbvia deste mundo.

"Tu que és psicóloga sabes que as crianças com pais separados são assim..."
"Tu que és psicóloga sabes que quem fuma erva acaba sempre por experimentar e passar para coisas mais graves"
"Tu que és psicóloga sabes que se um pai é assim o filho também vai ser, não há por onde fugir"
"Tu que és psicóloga sabes que as crianças mais quietas e sossegadas normalmente crescem com problemas"
"Tu que és psicóloga sabes que as crianças irrequietas depois acabam por ter mau aproveitamento, problemas na escolas e comportamentos de risco"
"Tu que és psicóloga, dá-me lá a tua opinião sobre o meu filho/a minha amiga/o meu pai/o meu patrão/etc.."

São só alguns…

#paciênciadevegetariano

Desde que me tornei vegetariana que tenho vindo a exercitar diariamente uma competência muito importante: a paciência. É que a partir desse momento, todas as pessoas viraram especialistas em alimentação ou então passaram a achar imensa piada gozar com o facto de eu ser vegetariana. Ok, toda a gente não, mas muita, muita gente faz isso. Aqui vai uma lista do que tenho ouvido ao longo dos anos, depois de dizer que sou vegetariana:

- então, o que é que comes?
- então, e a proteína?
- comes como os coelhos?
- ai, eu não consegui comer só saladas!
- eu também já fui vegetariana por um mês.
- eu já tentei, mas tenho anemia crónica.
- não sei como consegues, eu não passo sem um bom bife! Ai que maravilha!
- mas de vez em quando comes carne e peixe, não é?
- e não tens problema nenhum?
- mas dá muito trabalho fazer essas comidas, não dá?
- coitado do teu namorado, também tem de comer disso, não é? deve passar uma fome!
- então lá em casa fazem dois jantares não é? Porque o teu namorado não é vegetariano!
Decidi desistir da frustração e passar a focar-me no que de bom tem a minha realidade. Há aspetos da vida aos quais, às vezes, damos demasiada importância, ignorando o que nos corre bem. Alguns verão esta minha atitude como pessimista ou conformista, talvez seja. Mas eu não desisti de procurar emprego na minha área, desisti sim de me sentir frustrada e desanimada, dia após dia. Para os empregadores que andam por aí, continuo 100% motivada para ser psicóloga! Mas a minha felicidade não pode depender de ter trabalho na minha área e, portanto a vida tem de andar para a frente. E, no meio de envio de currículos para os mais variados locais, dentro e fora da minha área de residência, dedico-me a tentar ser cada vez melhor nas minhas funções enquanto profissional, no trabalho temporário que entretanto encontrei, e como voluntária. Porque a vida é agora, é o hoje e hoje eu trabalho neste local e sou voluntária desta associação, e ambos merecem a minha dedicação e respeito, ambos merecem que se…