Sinto um turbilhão de sentimentos neste momento, tal como tu provavelmente. Tal como tu também sinto que desde há uns tempos para cá perdi a minha companheira e amiga. Nós éramos tão próximas e dávamo-nos tão bem. Eu não quero reter na minha mente as palavras, gestos, olhares que me magoaram. Mas queria plantar novos sentimentos, novas ações e novas sinergias entre nós. Se calhar tenho de me esforçar mais e talvez comece a tentar um pouco mais. Mas tenho medo que nunca venhas a acreditar em mim de verdade, tenho medo que nunca te orgulhes de mim de verdade, tenho medo que eu nunca traga nada de bom à tua vida. Quando na verdade eu gostava que algumas coisas que eu faço te fizessem feliz, te fizessem sorrir, te fizessem brilhar os olhos...
Sabes, quando me compras algo ou me dás uma prenda, eu fico contente, mas há sempre um pensamento na minha mente: "Não era isto que eu queria, eu queria sentimentos, sorrisos, felicidade, não uma tshirt/carteira/etc".
Tenho medo que tudo o que eu sou e tudo o que eu possa vir a ser não seja nada para ti, tenho medo que, seja qual for o meu trabalho ou o caminho que eu escolha para mim, tu aches sempre que é um trabalho sem sentido e o caminho errado. Tenho medo que nunca mais gostes da pessoa que eu sou e tenho medo que apesar disso eu não consiga mudar.
Tenho medo que tudo o que eu sou e tudo o que eu possa vir a ser não seja nada para ti, tenho medo que, seja qual for o meu trabalho ou o caminho que eu escolha para mim, tu aches sempre que é um trabalho sem sentido e o caminho errado. Tenho medo que nunca mais gostes da pessoa que eu sou e tenho medo que apesar disso eu não consiga mudar.
Tenho vergonha de todas as coisas que eu gosto de fazer quando estou contigo, porque sei que tu as achas erradas, estúpidas e sem sentido nenhum. Tenho vergonha de quem sou e inveja de tantas outras pessoas de quem tu gostas, a quem dás atenção e que admiras.
Eu deveria ignorar todos estes sentimentos (normalmente escondo-os, mas devia ignorá-los, ultrapassá-los) porque dessa forma permitia-me a mim própria partilhar mais coisas contigo, coisas que se calhar iam mudar a forma como me vês e como vês o meu trabalho profissional/voluntariado.
Eu deveria ignorar todos estes sentimentos (normalmente escondo-os, mas devia ignorá-los, ultrapassá-los) porque dessa forma permitia-me a mim própria partilhar mais coisas contigo, coisas que se calhar iam mudar a forma como me vês e como vês o meu trabalho profissional/voluntariado.
E, às vezes, acredito mesmo que tudo isto está assim por minha causa. Mas se achares isso, por favor acredita que as coisas que eu faço e te magoam não são com intenção, não é por mal, não quero por nada deste mundo magoar-te.
Sinto que nunca vou ser suficientemente boa para ti, nunca tenho sucesso, nunca faço nada bem, nunca estou certa. Sinto-me um peixe fora de água que nunca faz nada como deve.
Sinto-me sozinha, às vezes. Fui eu que me afastei? Foste tu? Fomos ambas? Não sei. Sei que, muitas vezes, entro em casa e penso que vivo sozinha, é verdade. Eu não quero falar das minhas coisas, por isso não tenho muito assunto para conversar a não ser as coisas banais.Eu não quero falar sobre mim, porque eu faço tudo mal. Não quero abrir a boca e ter mais um dedo apontado. Eu não quero.
E, neste momento, só me apetece esconder, desaparecer e voltar transformada numa pessoa que tu admires e gostes. Mas não consigo fazer isso.
Eu quero esforçar-me e vou fazê-lo. Eu vou tentar corrigir os erros que hoje me apontaste e que eu sei que posso melhorar e que, na verdade, não custam muito. São erros de descuido, não são erros por não te amar ou não me preocupar. Mas posso fazer melhor. Mas, de alguma forma, não consigo parar de pensar que, mesmo que eu vá mudando algumas coisas e melhorando alguns aspetos, nunca... nunca vais voltar a olhar para mim da mesma maneiras, nunca te vais orgulhar de mim, nunca vais admirar o meu trabalho...Só me ocorre que será sempre assim, que aos teus olhos farei sempre tudo mal, tomarei as decisões piores, farei as coisas mais vergonhosas, que serei sempre uma errante.
Não quis com isto criticar-te ou julgar-te, apenas dizer o que sinto.
Não tens de mudar as tuas atitudes e comportamentos, porque nada disto é tua culpa. São só coisas que eu sinto e tenho de ultrapassar.
Desculpa.
Adoro-te.
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