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Casa.

Ando perdida, sem casa. Tenho um lugar no qual entro e posso dizer "estou em casa", mas não tenho um lugar onde entre e me sinta em casa. Às vezes esquecemo-nos que são duas coisas diferentes. Não me sinto em casa em lugar nenhum, não há quatro paredes e um teto que me façam sentir assim. Entro em casa e falta-me o conforto, sei que não é para lá que quero ir, porque não é a minha casa.
Não há um sítio que seja a minha casa e isso inquieta-me. Em contra partida, tenho pessoas na minha vida que me fazem sentir em casa. Dão-me calor, carinho, segurança e apoio sempre que faz frio lá fora. Quando o mundo me empurra para baixo, quando chove na minha vida, quando há tempestades por todo lado, procuro o meu teto junto dessas pessoas. A minha casa está em todo o lado e em lugar nenhum. Está onde as minhas pessoas estiverem e nem sempre elas estão perto, por diversas razões, mas conseguem sempre, sempre, sempre, aconchegar-me os cobertores, desligar a luz e desejar-me uma boa noite e até amanhã, como se vivessem comigo em minha casa. São elas as minhas paredes e tetos, o meu conforto, o meu sofá depois de um dia de trabalho, o meu chá nas noites frias, o meu gelado nos dias quentes de verão, os meus cobertores quentinhos, as minhas almofadas. São eles o meu lar. E não poderia ser de outra maneira.
A minha casa não é feita de paredes e tetos reais, a minha casa, o meu lar é feito de sentimentos, de muito carinho e amor. Tenho saudades de entrar em casa e conseguir sentir-me em casa e é estranho ter que sair de casa para me sentir em casa, mas é a verdade.
Os meus amigos são o meu mundo, o meu amor, a minha família, a minha casa.

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