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A minha vida dava um filme...

A minha vida dava um filme. Ou se calhar não dava, mas às vezes, gosto de imaginar que é como se fosse. E eu sou uma daquelas personagens estranhas do filme, que quase que passam despercebidas e andam sempre meias perdidas. Uma personagem de espírito melancólico e livre. Uma personagem que está sempre longe e que não sabemos definir, porque ela também não se consegue definir. Ela é meio mistério, e o mundo também é para ela um grande mistério. Não se encontra em lado nenhum e tem dificuldade em entender muito do que se passa à sua volta, porque é que as pessoas tendem a interpretar as coisas com tanta maldade, porque é que se complica tudo, porque é que não aproveitamos o momento a cada momentos ou porque é que nos limitamos tanto. Tem dificuldade em entender o mundo e também dificuldade em entender-se a si própria. Ela não sabe porque é que tantas vezes se sente triste e apática, porque é que por vezes se alimenta da melancolia e da beleza que vê nesse sentimento. 
Ela não se conhece, não se percebe e, no entanto, gostava tanto que alguém a compreendesse. Acho que é o principal significado dessa personagem: a infinita procura do eu. Ela personifica as questões "Quem sou eu?", "O que faço aqui?", "Que significado tem a vida, esta vida, a minha vida?". O papel dela é fazer-nos refletir. 
Ela é uma personagem que está fora de tudo, não se insere em lado nenhum, vagueia no vazio.

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Tu que és psicóloga...

"Tu que és psicóloga..."
É o início de uma frase que me irrita bastante e que normalmente, na minha experiência, antecede um conjunto de disparates que as pessoas acham, que eu que sou "psicóloga" "sei" que obviamente são a verdade mais correta e óbvia deste mundo.

"Tu que és psicóloga sabes que as crianças com pais separados são assim..."
"Tu que és psicóloga sabes que quem fuma erva acaba sempre por experimentar e passar para coisas mais graves"
"Tu que és psicóloga sabes que se um pai é assim o filho também vai ser, não há por onde fugir"
"Tu que és psicóloga sabes que as crianças mais quietas e sossegadas normalmente crescem com problemas"
"Tu que és psicóloga sabes que as crianças irrequietas depois acabam por ter mau aproveitamento, problemas na escolas e comportamentos de risco"
"Tu que és psicóloga, dá-me lá a tua opinião sobre o meu filho/a minha amiga/o meu pai/o meu patrão/etc.."

São só alguns…

#paciênciadevegetariano

Desde que me tornei vegetariana que tenho vindo a exercitar diariamente uma competência muito importante: a paciência. É que a partir desse momento, todas as pessoas viraram especialistas em alimentação ou então passaram a achar imensa piada gozar com o facto de eu ser vegetariana. Ok, toda a gente não, mas muita, muita gente faz isso. Aqui vai uma lista do que tenho ouvido ao longo dos anos, depois de dizer que sou vegetariana:

- então, o que é que comes?
- então, e a proteína?
- comes como os coelhos?
- ai, eu não consegui comer só saladas!
- eu também já fui vegetariana por um mês.
- eu já tentei, mas tenho anemia crónica.
- não sei como consegues, eu não passo sem um bom bife! Ai que maravilha!
- mas de vez em quando comes carne e peixe, não é?
- e não tens problema nenhum?
- mas dá muito trabalho fazer essas comidas, não dá?
- coitado do teu namorado, também tem de comer disso, não é? deve passar uma fome!
- então lá em casa fazem dois jantares não é? Porque o teu namorado não é vegetariano!
Decidi desistir da frustração e passar a focar-me no que de bom tem a minha realidade. Há aspetos da vida aos quais, às vezes, damos demasiada importância, ignorando o que nos corre bem. Alguns verão esta minha atitude como pessimista ou conformista, talvez seja. Mas eu não desisti de procurar emprego na minha área, desisti sim de me sentir frustrada e desanimada, dia após dia. Para os empregadores que andam por aí, continuo 100% motivada para ser psicóloga! Mas a minha felicidade não pode depender de ter trabalho na minha área e, portanto a vida tem de andar para a frente. E, no meio de envio de currículos para os mais variados locais, dentro e fora da minha área de residência, dedico-me a tentar ser cada vez melhor nas minhas funções enquanto profissional, no trabalho temporário que entretanto encontrei, e como voluntária. Porque a vida é agora, é o hoje e hoje eu trabalho neste local e sou voluntária desta associação, e ambos merecem a minha dedicação e respeito, ambos merecem que se…