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fotografar-te.

Os dois deitados e tu olhas-me com cara de quem está a magicar um plano. Olhas para mim, olhas para a janela e para as luz que entra pela persiana, depois ficas a pensar.
- Posso tirar-te um fotografia?
Olho-te a tentar perceber o que estás a pensar.
- Podes, acho eu. Porquê?
- Queria tirar-te uma fotografia assim, contigo assim. És tão bonita, a sério. Apetece-me tirar-te uma fotografia.
Rio-me um pouco envergonhada e lisonjeada, ao mesmo tempo, e escondo-me um bocado debaixo do lençol. É impossível dizer-te que não.
- A sério. Gostava de guardar este momento assim: tu deitada na minha cama, nua e meia coberta com o lençol, sem quereres saber do que se passa lá fora, do tempo, das pessoas, do mundo. Só existimos nós os dois, aqui e agora. Eu não quero a fotografia para mostrar a ninguém. Quero-a só para mim, só para eu guardar este momento em mim, mesmo se um dia me esquecer. 
Silêncio.
- Tira.
- O quê?
- Tira, podes tirar a fotografia.
- A sério?
- Sim. Tira. 
- Está bem.
Levanto um pouco o corpo, seguro a cabeça com a mão e fico a olhar.
Tiras a fotografia e olhas para mim com um sorriso nos lábios. Beijas-me e deitas-te ao meu lado.
Concordo contigo, aqui e agora, só existimos tu e eu.

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