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Parar.

A semana passa a correr. Adoro o meu trabalho e quando dou por mim, ontem era segunda-feira, mas hoje já é sexta, é fim do dia, começo a arrumar as minhas coisas, desejo bom fim de semana aos meus colegas, fecho a porta atrás de mim e estou na rua. Começo a andar, mas para onde? Não sei o que fazer, toda a rotina, ritmo e estrutura da semana desaparecem. O que quero fazer? Para onde quero ir? Com quem me quero encontrar? E o pensamento contínuo: "Tens de fazer alguma coisa, tens de combinar alguma coisa com alguém, sair, conviver, estar com pessoas". Tenho? Tenho mesmo? Se calhar não. Se calhar, neste momento preciso de parar. E focar-me. Sim, posso fazer coisas, mas não tenho obrigação. 
É-me fácil perder-me no ritmo de trabalho e do dia-a-dia, perder-me em horas no computador e pesquisar coisas para o trabalho, algumas das quais nunca vou usar, perder-me em horas em frente à televisão a ver programas que na verdade não me interessam assim tanto, perder-me em saídas e distrair-me de mim. Isso é fácil para mim, por isso tenho gradualmente optado por fazer algo mais difícil. Tenho criado momentos de paragem no meu dia-a-dia, nos quais me foco em mim, no que se passa no meu corpo e na minha cabeça. Pode ser um momento para escrever, para fazer yoga, para passear sozinha, para meditar, para ler um livro. É normalmente um momento que me aproxima de mim e que me ajuda a ganhar consciência de como me sinto em relação a diferentes aspetos da minha vida. Por vezes, é um momento de felicidade, outras vezes de tranquilidade; também pode ser um momento de frustração e de alguma tristeza. Não tem problema. Admito que custa um bocadinho dar de caras com esses sentimentos, mas a longo prazo é bom. Deixam de estar escondidos debaixo de montes e montes de emoções, sobre as quais nem sempre tenho tempo de refletir, apenas sentir.
Parar ajuda-me a equilibrar, a voltar a mim. A perceber porque é que me abandonei algumas vezes e a encontrar formas para não voltar a deixar que isso aconteça. 
Só posso aconselhar que façam o mesmo. Podemos começar devagar, podemos só reservar 5 minutos antes de dormir ou depois de acordar, para respirar fundo e vermos que pensamos andam a rondar a nossa mente. Pode ser o que vocês quiserem, desde que sintam que vos ajuda a relaxar, acalmar, recuperar energias.
O tempo não pára, mas não precisa de andar tão rápido como nós deixamos que ele ande. O tempo não comanda as nossas vidas, não temos que andar a 120km/h, se não quisermos. Podemos parar, respirar e regressar.

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