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Um dia vou ser Mar.

Acho que vou mergulhar, mergulhar bem fundo e, se puder, se conseguir ficar lá para sempre até comçar a ter barbatanas e uma cauda como as sereias e conseguir respirar de baixo de àgua. Tudo para não ter de voltar à superficie, para não voltar a terra, para não enfrentar o mundo. Vou ficar lá em baixo, no fundo do oceano, a deixar-me ir com a corrente, flutuando por todo o mundo até me cansar de novo do mar ou até olhar a terra com saudade. Saudade já eu tenho, mas tenho saudade do que era o meu porto seguro e já não o é. Pelo menos, não o é da mesma maneira, e eu assim já não me sinto segura, portanto perde o efeito.
Sim, vou deixar que a àgua me engula, me transforme, me abane, me afogue, me faça desmaiar, morrer quem sabe. Para que depois me acorde, me reanime e me faça talvez vir à tona ver a luz do sol e perceber que tudo não passou de um ilusão, que foi apenas um mergulho na praia numa tarde quente de verão e que toda esta sensação de ser nada não foi mais que um fechar de olhos enquanto recebi a àgua fresca da ondas no meu corpo.

 Eu um dia vou ser Mar.

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"Tu que és psicóloga..."
É o início de uma frase que me irrita bastante e que normalmente, na minha experiência, antecede um conjunto de disparates que as pessoas acham, que eu que sou "psicóloga" "sei" que obviamente são a verdade mais correta e óbvia deste mundo.

"Tu que és psicóloga sabes que as crianças com pais separados são assim..."
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"Tu que és psicóloga sabes que as crianças mais quietas e sossegadas normalmente crescem com problemas"
"Tu que és psicóloga sabes que as crianças irrequietas depois acabam por ter mau aproveitamento, problemas na escolas e comportamentos de risco"
"Tu que és psicóloga, dá-me lá a tua opinião sobre o meu filho/a minha amiga/o meu pai/o meu patrão/etc.."

São só alguns…

#paciênciadevegetariano

Desde que me tornei vegetariana que tenho vindo a exercitar diariamente uma competência muito importante: a paciência. É que a partir desse momento, todas as pessoas viraram especialistas em alimentação ou então passaram a achar imensa piada gozar com o facto de eu ser vegetariana. Ok, toda a gente não, mas muita, muita gente faz isso. Aqui vai uma lista do que tenho ouvido ao longo dos anos, depois de dizer que sou vegetariana:

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- não sei como consegues, eu não passo sem um bom bife! Ai que maravilha!
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- e não tens problema nenhum?
- mas dá muito trabalho fazer essas comidas, não dá?
- coitado do teu namorado, também tem de comer disso, não é? deve passar uma fome!
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Decidi desistir da frustração e passar a focar-me no que de bom tem a minha realidade. Há aspetos da vida aos quais, às vezes, damos demasiada importância, ignorando o que nos corre bem. Alguns verão esta minha atitude como pessimista ou conformista, talvez seja. Mas eu não desisti de procurar emprego na minha área, desisti sim de me sentir frustrada e desanimada, dia após dia. Para os empregadores que andam por aí, continuo 100% motivada para ser psicóloga! Mas a minha felicidade não pode depender de ter trabalho na minha área e, portanto a vida tem de andar para a frente. E, no meio de envio de currículos para os mais variados locais, dentro e fora da minha área de residência, dedico-me a tentar ser cada vez melhor nas minhas funções enquanto profissional, no trabalho temporário que entretanto encontrei, e como voluntária. Porque a vida é agora, é o hoje e hoje eu trabalho neste local e sou voluntária desta associação, e ambos merecem a minha dedicação e respeito, ambos merecem que se…