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O curso de hoje era sobre a morte. O professor disse para pensarmos sobre a morte, principalmente a nossa, pois a nossa sociedade tem excluído este assunto, tornando-o um tabu.
Penso, então, na minha morte. Disseste-me no outro dia que nós estávamos a envelhecer juntos, chegará o tempo disso, somos novos e ainda vamos continuar a sê-lo. Mas, para a morte é sempre tempo, porque pode aparecer a qualquer momento. Se eu morresse amanhã queria ter-te ao meu lado para te dizer o quanto te amor e o quão importante foi a tua presença na minha vida, foi e será até ao momento em que feche definitivamente os meus olhos, em que dê o meu último suspiro de amor por ti, em que pense uma última vez em ti, em que o meu coração fraco bata uma última vez a lutar por este amor que não tem fim nem com a morte. Porque as pessoas que cá ficam não deixam de amar, têm é de seguir em frente com a vida que lhes resta.
Não sei como quero morrer, mas sei que quero a oportunidade de te poder olhar mais uma vez tendo a consciência de que seria a última. Tenho medo de pensar que isso te traria algum sofrimento, mas acredito que sofrerias mais se eu deixasse de existir de um momento para o outro.
Por isso quando estiver a morrer vem falar comigo sobre a minha morte, vamos os dois decidir o que fazer, vem ouvir as minhas inquietações enquanto eu seco as tuas lágrimas contendo as minhas. Vamos pensar como será quando eu for apenas um corpo, vamos fazer isso para que eu tenha a certeza, morra com a certeza de que fomos um até ao momento inevitável dessa separação, até eu ter de passar para o outro lado e deixar-te aqui a viver sem mim. Sem mim corpo, porque acredito que, mesmo que morresse amanha, ficaria em ti, colada, tatuada. Acredito não, sei que sim e acredito que assim quererias. Sei que ficaria em ti devido à intensidade da nossa vida juntos. Há quem diga que o tempo que as coisas duram é que importa, mas eu acredito que conta mais a qualidade do que vivemos. Por isso é que sei que se morresse amanha, a minha vida teria sido bem vivida e morreria feliz, pois apesar de ter apenas 19 anos, tenho a sorte de ter passado por algumas situações - boas e más - que me fizeram experimentar diferentes sensações, emoções e sentimentos e conferiram intensidade à minha existência. Mas, mais que isso, vivi o que muita gente procura uma vida inteira sem encontrar. Senti o amor - senti-me amada e amei - e isso nem a morte mo poderá tirar, percebes? Nem e mim, nem a ti. Por isso a morte pode vir. Receio-a apenas por me afastar de ti, por me tirar o poder de te tocar, beijar, abraçar, fazer amor contigo. Primeiro, afastar-me-ia fisicamente, enterrava-se ou cremava-se um corpo que não pertenceria a ninguém e o meu espírito permaneceria a teu lado, vivendo contigo. Estaria contigo no meu funeral e estaria a teu lado todos os dias para te ajudar a seguir em frente, a viver por ti e por mim, a procurar de novo o amor e a ser feliz. Quando conseguisses isso tudo teria de ir embora, mas seguindo sempre os teus passos certificando-me de que esse sorriso nunca morreria.
Se calhar parece absurdo tocar este tema, mas ele é importante e também o é no amor. Normalmente, as pessoas não têm tempo de uma despedida digna e de dizer o que sempre calaram. As pessoas não sabem como fazê-lo porque a morte incomoda.
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