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Força

Todos temos momentos de fraqueza. Por mais fortes que nos sintamos e que acreditemos que somos, não podemos negar a nossa vulnerabilidade, os nosso limites. Acredito que é melhor reconhecê-los do que ignorá-los porque depois, na altura em que nos deparamos com as nossas fraquezas, o choque é maior, bem como a frustração e o sentimento de impotência.
Sempre acreditei que era forte, ultimamente tentei evitar determinados obstáculos, medos, achando que assim  poderia ultrapassá-los. ("Olhos que não vêm coração que não sente"). Queria apagá-los, fazê-los desaparecer. Não resultou, porque durante todo o tempo em que os ignorei eles estiveram lá e foram crescendo sem eu dar conta; o tempo passou e várias outras situações se foram juntando e formando uma grande bola de neve. Ora, se eu não tinha forças  para enfrentar o problema no início, agora sentia-o 10 vezes mais forte do que eu. Era de mais. Não, eu não consigo aguentar isto. Rebento.
Deveria ter reconhecido esta fragilidade mais cedo, deveria ter pedido ajuda, ter falado, gritado mais cedo para que alguém me pudesse auxiliar nesta batalha.  Um(a) companheiro(a) para lutar a meu lado e me dar força.
Agora sinto-me incompreendida, pois ninguém  percebe como é que estas situações me estão a afectar tanto. Eu não sei, na verdade, explicar-me, não sei compreender-me também, o que só piora tudo.
Mas, alguém no outro dia me disse algo que faz sentido. No fundo, é normalmente a minha forma de olhar o mundo, só que naquele momento de quebra tudo falhou. Disse-me o meu pai: "Eu estou sempre do teu lado, se tens feito o bem e dado o melhor de ti, se tens a consciência tranquila, deixa lá o que possam dizer. Quem gosta, gosta, quem não gosta também não tem de gostar".
Normalmente, penso assim, mas quando acreditas que estás a fazer o bem e as pessoas te apontam o dedo e dizem que estás mal, por vezes, depois de tanto ouvires, chegas mesmo a duvidar de ti. Foi o que me aconteceu, duvidei de mim ao ponto de me culpabilizar de certa forma por algo que sabia não ter culpa. A minha incapacidade para lidar com este conflito levou-me a ter vontade de me rebaixar, de me desculpar, só para o problema ter fim. Só que não terá nunca desta forma, porque o que precisamos de analisar é se, de facto, a responsabilidade é nossa, ou pelo menos, totalmente nossa. Se não somos os responsáveis, culpabilizarmo-nos e tentarmos mudar para solucionar a situação não vai alterar nada, uma vez que a mudança não tem de ocorrer em nós, mas num outro.
Então, eu passei o tempo a deixar que me pisassem, a culpar-me, a fazer tudo para que o ambiente melhorasse, até me aperceber que o problema continuava lá- Foi aí que desesperei, porque me deparei com a minha impotência... Achei que podia consertar tudo, esqueci-me que não tenho esse poder.
Porém, a pergunta continua lá: como posso eu resolver o problema? É isto que me cansa e entristece... porque continuo a preocupar-me demasiado com algo que não está nas minhas mãos.
Espero e acredito que agora que tomei consciência disso vou conseguir adoptar de novo uma atitude que me permitirá voltar a encontrar o equilíbrio: continuar a fazer e dar o melhor de mim em tudo e esquecer opiniões dos outros. Elogios não elevam, criticas não deitam abaixo. Tenho de agir por mim e se puser o melhor de mim, então não tenho nada que temer, nada que provar, pois sei que fiz tudo pelo melhor para bem dos outros e de mim - o que posso esperar é receber a felicidade dos outros e tentar que quando me interpretem mal, mais cedo ou mais tarde, percebam a verdadeira essência das minhas acções.
Para quê chatear-me com coisas que não posso mudar, que não dependem de mim? Mais vale seguir em frente e pensar positivo, acreditar que ninguém poderá manter a mente assim tão fechada para sempre e que se isso acontecer, não me cabe a mim modificar esse facto.

"Força para aguentar o que não posso mudar, Coragem para mudar o que posso, e Sabedoria para distinguir..."

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