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Recado para o meu pai

Foi bom ter-te comigo estes dias. Sei que seremos sempre assim, unidos. Sei que onde quer que tu estejas, eu posso contar contigo. Acho que durante muito tempo vivi com a ideia de que não te preocupavas com o que sentia por estares fora. Hoje quando me perguntaste "Faço muita falta cá?", deu-me vontade de chorar porque pensei "Bolas, afinal tu importaste, tu preocupaste com o que sinto". Sim, fazes falta. Já cresci um pouco e aprendi a lidar com isso, mas não deixas de fazer falta. Não és substituível. És uma pessoa única. E eu adoro-te. Agora sei lidar melhor com o facto de quase nunca estares fisicamente presente, porque aprendi que as pessoas podem continuar a estar presentes, mesmo que a quilómetros de distância. E, agora sou capaz de perceber o teu lado e acredito que estás muito bem assim.
Sinto-me sempre um pouco triste quando vais embora. O tempo parece sempre pouco e que não chega para nada. Sim, gostava de ter mais momentos contigo, sem pensar que daqui a dois dias já vais embora, porque acho que não tive muitos, pelo menos que me lembre porque era pequena, momentos  de pai e filha contigo, momentos nossos, de diversão, de palhaçada.
Mas, sabes, também tento aproveitar antes os dias que tenho para poder aproveitar a tua presença do que pensar nos poucos dias que cá estás comigo. E, sim, lembro-me de um ou outro momento nosso, e pego em fotografias nossas e sei que eu estava feliz e tu também.
A verdade é que gostava que muita coisa tivesse sido diferente e não foi. A verdade é que muitas vezes acho que foi tudo muito injusto. Mas, no fundo, acho que todos nos safamos bem, não?
Estou a chorar mas acho que é de alivio de todas as dúvidas que tinha dentro de mim, de achar que podias nem sequer te importar minimamente por estares fora. Hoje percebi que não é assim. Percebi que te importas, preocupas.
Obrigado. Adoro-te.

Comentários

Mafalda disse…
comovente...até a mim as lágrimas caíram.

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Tu que és psicóloga...

"Tu que és psicóloga..."
É o início de uma frase que me irrita bastante e que normalmente, na minha experiência, antecede um conjunto de disparates que as pessoas acham, que eu que sou "psicóloga" "sei" que obviamente são a verdade mais correta e óbvia deste mundo.

"Tu que és psicóloga sabes que as crianças com pais separados são assim..."
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"Tu que és psicóloga sabes que as crianças mais quietas e sossegadas normalmente crescem com problemas"
"Tu que és psicóloga sabes que as crianças irrequietas depois acabam por ter mau aproveitamento, problemas na escolas e comportamentos de risco"
"Tu que és psicóloga, dá-me lá a tua opinião sobre o meu filho/a minha amiga/o meu pai/o meu patrão/etc.."

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Decidi desistir da frustração e passar a focar-me no que de bom tem a minha realidade. Há aspetos da vida aos quais, às vezes, damos demasiada importância, ignorando o que nos corre bem. Alguns verão esta minha atitude como pessimista ou conformista, talvez seja. Mas eu não desisti de procurar emprego na minha área, desisti sim de me sentir frustrada e desanimada, dia após dia. Para os empregadores que andam por aí, continuo 100% motivada para ser psicóloga! Mas a minha felicidade não pode depender de ter trabalho na minha área e, portanto a vida tem de andar para a frente. E, no meio de envio de currículos para os mais variados locais, dentro e fora da minha área de residência, dedico-me a tentar ser cada vez melhor nas minhas funções enquanto profissional, no trabalho temporário que entretanto encontrei, e como voluntária. Porque a vida é agora, é o hoje e hoje eu trabalho neste local e sou voluntária desta associação, e ambos merecem a minha dedicação e respeito, ambos merecem que se…