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Sabes o que me apetece, sabes?
Estar sozinha em casa, ter uma boa garrafa de vinho para beber e um charro para fumar. Queria uma noite assim para mim, sem ter que falar com ninguém, que dar satisfações.
Uma noite para chorar e ter saudades... Uma noite para não esconder nada. Uma noite para libertar tudo o que tenho cá dentro.

Porque apesar de, em alguns dias, conseguir manter a boa disposição e a alegria, noutros tem sido difícil... Noutros não me apetece falar, não me apetece ver niguém, apenas enterrar-me no sofá a olhar para o vazio. Nesses dias apetece-me nada. Não sei explicar, mas quase que precisava que o tempo parasse. Parece que tudo é demasiado para mim e desisto. Demasiada pressão, demasiadas coisas para fazer, demasiadas pessoas... Pouco tempo, muito pouco tempo. Pouco tempo vivido com significado.

E vêm as saudades, as saudades de ti, do que vivi contigo e do que me ensinaste em tão pouco tempo. Porque apesar de pouco, foi tão marcante, e às vezes acho que só precisava de um bocadinho disso todos os dias... Como uma droga para aliviar este vazio e este sufoco e me dar forças para cumprir as tarefas que tenho para cumprir.

É uma estupidez... Só queria a garrafa de vinho e o charro e a casa por minha conta... hoje, só hoje... para poder pensar em tudo o que poderia ter sido se tudo fosse diferente. Sorrir. Sonhar. Acordar no dia seguinte para esta sensação de não estar aqui nem em lado nenhum.

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Tu que és psicóloga...

"Tu que és psicóloga..."
É o início de uma frase que me irrita bastante e que normalmente, na minha experiência, antecede um conjunto de disparates que as pessoas acham, que eu que sou "psicóloga" "sei" que obviamente são a verdade mais correta e óbvia deste mundo.

"Tu que és psicóloga sabes que as crianças com pais separados são assim..."
"Tu que és psicóloga sabes que quem fuma erva acaba sempre por experimentar e passar para coisas mais graves"
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"Tu que és psicóloga sabes que as crianças irrequietas depois acabam por ter mau aproveitamento, problemas na escolas e comportamentos de risco"
"Tu que és psicóloga, dá-me lá a tua opinião sobre o meu filho/a minha amiga/o meu pai/o meu patrão/etc.."

São só alguns…

#paciênciadevegetariano

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- não sei como consegues, eu não passo sem um bom bife! Ai que maravilha!
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- e não tens problema nenhum?
- mas dá muito trabalho fazer essas comidas, não dá?
- coitado do teu namorado, também tem de comer disso, não é? deve passar uma fome!
- então lá em casa fazem dois jantares não é? Porque o teu namorado não é vegetariano!
Decidi desistir da frustração e passar a focar-me no que de bom tem a minha realidade. Há aspetos da vida aos quais, às vezes, damos demasiada importância, ignorando o que nos corre bem. Alguns verão esta minha atitude como pessimista ou conformista, talvez seja. Mas eu não desisti de procurar emprego na minha área, desisti sim de me sentir frustrada e desanimada, dia após dia. Para os empregadores que andam por aí, continuo 100% motivada para ser psicóloga! Mas a minha felicidade não pode depender de ter trabalho na minha área e, portanto a vida tem de andar para a frente. E, no meio de envio de currículos para os mais variados locais, dentro e fora da minha área de residência, dedico-me a tentar ser cada vez melhor nas minhas funções enquanto profissional, no trabalho temporário que entretanto encontrei, e como voluntária. Porque a vida é agora, é o hoje e hoje eu trabalho neste local e sou voluntária desta associação, e ambos merecem a minha dedicação e respeito, ambos merecem que se…