Avançar para o conteúdo principal

Passear e Pensar Sozinha.

Às vezes, gosto de passear sozinha. Às vezes, com auriculares a ouvir música, outras vezes não. Gosto de ir por ali fora e pensar nas coisas. Gosto de me sentar no metro, à beira da janela e ver a paisagem, ver as ruas, as pessoas, tudo a passar àquela velocidade. Gosto de ficar ali a olhar e a pensar em várias coisas. Hoje foi um desses dias.
Não sei se foi pela música que estava a ouvir, ou por outra razão qualquer. Fiquei um pouco melancólica. Fiquei a pensar no que realmente eu ando à procura. No fundo, no fundo, acho que não procuro nada. Mas, de vez em quando sinto falta de algo e não sei bem o que é. Acho que tem algo a ver com o amor, mas não sei, porque quando penso nisso não sei bem o que quero. Quero uma relação séria com alguém? Quero algo sem compromissos? Não quero ninguém? Pois, não sei.
Eu tenho muitos problemas ou preconceitos em no que toca a relações sérias, mas também não tenho nada contra relações sem compromissos. Acho que o importante é a sinceridade sempre. Mas olhando para as relações sérias que tive, faltou sempre algumas coisa. Se calhar a culpa foi ou é minha. Agora que tudo acabou, torna-se fácil achar que faltava alguma coisa... Mas será que faltava mesmo? Opá... Acho que houve momentos em que fui muito feliz e outros nem tanto. Acho que se calhar hoje, com tudo o que tenho aprendido e crescido, talvez tudo fosse diferente. Se é uma relação séria que quero? Não sei, não se pode responder a essa questão assim. 
Para mim, estando solteira, torna-se mais fácil dizer que prefiro algo sem compromisso. Muito porque, na verdade, eu não tenho sentimentos mais profundos por ninguém. Portanto, à partida não iria iniciar uma relação a sério com ninguém. Então, é algo casual que eu procuro? Talvez. Se não sentir nada mais profundo, se calhar é isso que procuro no momento. Mas... Do que sei, senti, vivi... Ficou-me a faltar algo também. Às vezes cansa. Outras vezes é divertido. 

Ah... Agora percebi. Às vezes, sinto falta dessa diversão, dessa adrenalina, desse mistério, dessa novidade, dessa surpresa. Às vezes, sinto falta de algo diferente na minha vida, da emoção e dos sentimentos à flor da pele. Agora percebi. Não tem necessariamente a ver com amor, com relações sérias, com paixão, com relações casuais... Tem a ver com sentir-me viva, sentir o sangue a ferver e o coração aos pulos cá dentro... Seja com o que for. Amor ou não. O que eu quero é sentir essa vida.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

As desculpas pedem-se, os erros é que se evitam

As desculpas não se pedem, evitam-se. Passei a minha vida inteira a ouvir isto, para chegar aos 25 anos e perceber que é a maior estupidez de sempre.  Essa é a uma frase que as pessoas usam quando colocam expectativas demasiado elevadas para as outras. As desculpas pedem-se sim, as desculpas são para se pedir, é das primeiras coisas que ensinamos às crianças: pedir desculpa quando erram ou fazem uma asneira. Porque é que a partir de determinada altura já não queremos que as pessoas nos peçam desculpa? As desculpas pedem-se, o que se evita são os erros e ainda assim sabemos que ao longo da nossa vida iremos errar várias vezes.  Novamente, quem diz o contrário são as pessoas que criam expectativas excessivamente altas para os outros, impossíveis de cumprir. E ainda que digamos que devemos evitar os erros, não por aí umas quantas linhas filosóficas ou o que lhe quiserem chamar que defendem que é a partir dos erros que aprendemos? Que é com os que crescemos? Que os erros são parte essencial d…

Quantos queres?

Diz-me lá, quantos queres?
Nesta brincadeira de crianças
que está prestes a tornar-se séria, diz-me lá
Quantos queres?
Dias de sol, quantos queres?
Abraços de quem amas, quantos queres?
Uma festa no cabelo, quantos queres?
Noites de amor intenso e sem fim, quantos queres?
Diz-me lá, sinto que queres algo mais.
Dias de liberdade, quantos queres?
Momentos em que podes ser tu próprio, quantos queres?
Passeios na rua julgamentos dos outros, quantos queres?
Diz-me lá o quanto queres ser livre e seres tu, sem que ninguém te critique ou coloque em causa quem és. Diz-me o quanto queres gritar ao mundo de quem gostas, sem que ninguém te olhe de lado. Diz-me o quantos olhares de lado já sentiste, quantas pessoas a desaprovar um abraço, umas mãos dadas, um beijo que tenhas dado. Diz-me quantas vezes já te sentiste preso/a dentro do teu próprio corpo, quantas vezes escondeste o que realmente pensavas e  sentias para te enquadrares na sociedade, no teu grupo, na tua família, para fazeres parte do quadrado que…

Sobre a arte de estar sempre a aprender

O senhor V. e a dona P. têm sido uma verdadeira descoberta para mim. Nunca imaginei que fosse gostar tanto do que faço atualmente, que me fosse sentir tão bem, que fosse simpatizar tanto com os meus patrões, e lhes ter carinho, aquele carinho que criamos quase automaticamente por pessoas que nos fazem lembrar e que poderiam ser nossos pais. O senhor V. disse-me num dos primeiros dias que trabalhei na ourivesaria: "O saber não ocupa lugar" e é tão verdade. Tenho aprendido tanto com ele. Por vezes, chama-me de "Dra.", sabendo que eu não gosto nada disso, e diz com toda a certeza que eu sei fazer tudo o que ele faz, diga-se: mudar pilhas aos relógios, mudar braceletes, e arranjar umas quantas outras coisas. Porque fui para a universidade e portanto saberei tudo isso, porque sou "Dra.". Mas não sei e não sou Dra. Na faculdade não aprendi metade das coisas que tenho aprendido nas restantes áreas da minha vida, nem a faculdade de me ensinou, nem poderia ensinar …