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Sobre a felicidade e o equilíbrio.

Há momentos na vida em que parece que conseguimos alcançar o equílibrio. Há momentos em que parece que, finalmente, encontramos o nosso caminho. Isso dá-nos uma sensação de bem-estar e mesmo quando algo não corre tão bem como gostaríamos, conseguimos contornar isso e não nos vamos abaixo. Eu sinto que estou num desses momentos. E se me perguntarem, sinto-me feliz. Se tenho tuuuuudo? Provavelmente, não. Tenho o essencial e dou valor a tudo o que tenho e acho que é isso que me faz ter esta sensação de leveza, de bem-estar e de gratidão para com a vida. De facto, a felicidade é uma viagem. Às vezes, afastamo-nos um pouco dela (sim, nós é que nos afastamos, porque ela está sempre lá), mas, mais cedo ou mais tarde, acabamos por reencontrar o caminho e dar de caras com ela. E é isso que eu estou a viver neste momento, dei de caras com a felicidade. Uma felicidade que eu construo a cada dia que passa, encontrando alegria em pequenas coisas, dedicando-me a outras pessoas, tentando ajudá-las, focando-me nos meus objetivos, procurando ser coerente com aquilo que penso, que quero e que faço. No fundo, não é muito difícil (apesar de eu, às vezes, também me esquecer disso)... Se olharmos bem, há tanta coisa boa no mundo para nos fazer sorrir e fazer sentir, pelo menos um bocadinho melhor.

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Tu que és psicóloga...

"Tu que és psicóloga..."
É o início de uma frase que me irrita bastante e que normalmente, na minha experiência, antecede um conjunto de disparates que as pessoas acham, que eu que sou "psicóloga" "sei" que obviamente são a verdade mais correta e óbvia deste mundo.

"Tu que és psicóloga sabes que as crianças com pais separados são assim..."
"Tu que és psicóloga sabes que quem fuma erva acaba sempre por experimentar e passar para coisas mais graves"
"Tu que és psicóloga sabes que se um pai é assim o filho também vai ser, não há por onde fugir"
"Tu que és psicóloga sabes que as crianças mais quietas e sossegadas normalmente crescem com problemas"
"Tu que és psicóloga sabes que as crianças irrequietas depois acabam por ter mau aproveitamento, problemas na escolas e comportamentos de risco"
"Tu que és psicóloga, dá-me lá a tua opinião sobre o meu filho/a minha amiga/o meu pai/o meu patrão/etc.."

São só alguns…

#paciênciadevegetariano

Desde que me tornei vegetariana que tenho vindo a exercitar diariamente uma competência muito importante: a paciência. É que a partir desse momento, todas as pessoas viraram especialistas em alimentação ou então passaram a achar imensa piada gozar com o facto de eu ser vegetariana. Ok, toda a gente não, mas muita, muita gente faz isso. Aqui vai uma lista do que tenho ouvido ao longo dos anos, depois de dizer que sou vegetariana:

- então, o que é que comes?
- então, e a proteína?
- comes como os coelhos?
- ai, eu não consegui comer só saladas!
- eu também já fui vegetariana por um mês.
- eu já tentei, mas tenho anemia crónica.
- não sei como consegues, eu não passo sem um bom bife! Ai que maravilha!
- mas de vez em quando comes carne e peixe, não é?
- e não tens problema nenhum?
- mas dá muito trabalho fazer essas comidas, não dá?
- coitado do teu namorado, também tem de comer disso, não é? deve passar uma fome!
- então lá em casa fazem dois jantares não é? Porque o teu namorado não é vegetariano!
Decidi desistir da frustração e passar a focar-me no que de bom tem a minha realidade. Há aspetos da vida aos quais, às vezes, damos demasiada importância, ignorando o que nos corre bem. Alguns verão esta minha atitude como pessimista ou conformista, talvez seja. Mas eu não desisti de procurar emprego na minha área, desisti sim de me sentir frustrada e desanimada, dia após dia. Para os empregadores que andam por aí, continuo 100% motivada para ser psicóloga! Mas a minha felicidade não pode depender de ter trabalho na minha área e, portanto a vida tem de andar para a frente. E, no meio de envio de currículos para os mais variados locais, dentro e fora da minha área de residência, dedico-me a tentar ser cada vez melhor nas minhas funções enquanto profissional, no trabalho temporário que entretanto encontrei, e como voluntária. Porque a vida é agora, é o hoje e hoje eu trabalho neste local e sou voluntária desta associação, e ambos merecem a minha dedicação e respeito, ambos merecem que se…