Avançar para o conteúdo principal

A fechar capítulos.

Não sei se acredito no karma ou se não. Normalmente, acredito que muitas vezes as coisas acontecem por alguma razão. Às vezes, acredito que, mais cedo ou mais tarde, tudo se resolve, mesmo as situações pendentes, mesmo os 'adeus', 'amo-te' e 'desculpa' que ficaram por dizer ou que só hoje passado determinado tempo temos vontade de pronunciar.
Hoje, algumas destas coisas em que acredito, tiveram um momento perfeito de acontecer. Percebi que, quando agimos naturalmente, com bondade, amor e respeito pelos outros, de facto tudo se conjuga, tudo encontra o seu caminho, as peças acabam por encaixar e o que antes eram chatices, sentimentos de frustração, raiva (por vezes) e tristeza, transformam-se em compaixão, carinho, simpatia e tranquilidade. Também consegui perceber que muita gente carrega em si um peso enorme, em vão. Muita gente procura lutas, desafios e sofrimento. Sim, muita gente procura confusão, só porque sim. Ou talvez porque acreditem que é a melhor forma de fazerem as coisas. Não fazem por mal, é a crença delas. Talvez seja assim. Gostava de mostrar a essas pessoas que podem viver com mais tranquilidade, menos confusão e mais leveza e felicidade. Mas se calhar a vida que elas têm, para elas, vista da perspetiva delas já é assim. Prefiro não me meter e cada um a seu tempo perceberá o que é melhor para si.

Agi sem interesse, com alguma curiosidade e com muita vontade de ajudar. O que recebi em troca foi uma conversa até agradável e um pedido de desculpas com anos de atraso que, neste momento, até já nem faz muito sentido. Porque neste momento sinto que se calhar não havia razões para pedir desculpas. Mas confesso que me senti bem ao recebê-lo. Voltei uns anos atrás no tempo, senti-me ainda mais menina, e sorri. Foi inesperado e bom. Senti que tudo estava bem e em equilíbrio. Senti que não havia mágoas, nem arrependimento. E mesmo que, no passado, os sentimentos não tenham sido equivalentes, hoje em dia encontramos um ponto de homeostase perfeito. Hoje em dia, não somos nada um para o outro, perfeitos desconhecidos que, se calhar, se conhecem bem. E hoje, por ventura, fomos o mais importante que nos aconteceu. A vida é feita de pequenos momentos que fazem sentido - mesmo que alguns só o façam tempos depois de acontecerem. Este foi um desses momentos. Amanhã, voltamos a ser perfeitos desconhecidos, sem nada que nos una ou aproxime. 


Um capítulo encerrado, com um final feliz. Podia ser o final de um livro de uma história de amor, mas não é. Quando muito é o final feliz de uma relação que nunca existiu e que estava em aberto há alguns anos. Mas hoje acabou, pura e simplesmente acabou, talvez com a mesma tranquilidade com que começou ou que nunca existiu.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Tu que és psicóloga...

"Tu que és psicóloga..."
É o início de uma frase que me irrita bastante e que normalmente, na minha experiência, antecede um conjunto de disparates que as pessoas acham, que eu que sou "psicóloga" "sei" que obviamente são a verdade mais correta e óbvia deste mundo.

"Tu que és psicóloga sabes que as crianças com pais separados são assim..."
"Tu que és psicóloga sabes que quem fuma erva acaba sempre por experimentar e passar para coisas mais graves"
"Tu que és psicóloga sabes que se um pai é assim o filho também vai ser, não há por onde fugir"
"Tu que és psicóloga sabes que as crianças mais quietas e sossegadas normalmente crescem com problemas"
"Tu que és psicóloga sabes que as crianças irrequietas depois acabam por ter mau aproveitamento, problemas na escolas e comportamentos de risco"
"Tu que és psicóloga, dá-me lá a tua opinião sobre o meu filho/a minha amiga/o meu pai/o meu patrão/etc.."

São só alguns…

#paciênciadevegetariano

Desde que me tornei vegetariana que tenho vindo a exercitar diariamente uma competência muito importante: a paciência. É que a partir desse momento, todas as pessoas viraram especialistas em alimentação ou então passaram a achar imensa piada gozar com o facto de eu ser vegetariana. Ok, toda a gente não, mas muita, muita gente faz isso. Aqui vai uma lista do que tenho ouvido ao longo dos anos, depois de dizer que sou vegetariana:

- então, o que é que comes?
- então, e a proteína?
- comes como os coelhos?
- ai, eu não consegui comer só saladas!
- eu também já fui vegetariana por um mês.
- eu já tentei, mas tenho anemia crónica.
- não sei como consegues, eu não passo sem um bom bife! Ai que maravilha!
- mas de vez em quando comes carne e peixe, não é?
- e não tens problema nenhum?
- mas dá muito trabalho fazer essas comidas, não dá?
- coitado do teu namorado, também tem de comer disso, não é? deve passar uma fome!
- então lá em casa fazem dois jantares não é? Porque o teu namorado não é vegetariano!
Decidi desistir da frustração e passar a focar-me no que de bom tem a minha realidade. Há aspetos da vida aos quais, às vezes, damos demasiada importância, ignorando o que nos corre bem. Alguns verão esta minha atitude como pessimista ou conformista, talvez seja. Mas eu não desisti de procurar emprego na minha área, desisti sim de me sentir frustrada e desanimada, dia após dia. Para os empregadores que andam por aí, continuo 100% motivada para ser psicóloga! Mas a minha felicidade não pode depender de ter trabalho na minha área e, portanto a vida tem de andar para a frente. E, no meio de envio de currículos para os mais variados locais, dentro e fora da minha área de residência, dedico-me a tentar ser cada vez melhor nas minhas funções enquanto profissional, no trabalho temporário que entretanto encontrei, e como voluntária. Porque a vida é agora, é o hoje e hoje eu trabalho neste local e sou voluntária desta associação, e ambos merecem a minha dedicação e respeito, ambos merecem que se…