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(in)adequação

É um alívio enorme quando te apercebes e aceitas a tua inadequação. Hoje percebi que todo o mal que tenho sentido em mim, veio da minha tentativa de encaixar, de achar que eu tinha que caber naquela forma, de achar que o sentir-me mal ou desadequada era da minha cabeça, que só tinha que tentar um pouco mais, forçar um pouco mais, trabalhar um pouco mais. E hoje, ao falar simplesmente, a resposta saiu-me dos lábios como se fosse a frase mais comum e natural que eu poderia dizer: "Hoje eu sei que ando sempre em altos e baixos, porque a realidade em que vivo e que vou criando à minha volta não me diz nada, não faz sentido, não me satisfaz". E é ao aperceber-me disso que ganho força e encontro maneiras de tornar a minha realizada mais adequada a quem eu sou e não aos outros. Só percebendo isso é que posso começar a moldar o meu pequeno mundo, a encontrar aquilo que realmente quero ser e fazer com a vida que me foi dada, ao invés de andar a passar pelo mundo como se ele não fosse feito para eu o viver. Tudo o que tenho é o meu mundo, a minha pessoa, a minha mente, as minhas ideias. Tudo isso é meu e é tanto. Só tenho de pegar em tudo isso e deixar de querer que eles se enquadram numa estrutura que não é minha e que, portanto, não me satisfaz. E quando eu me adequar a mim, entender quem sou e finalmente deixar esse ser fluir, existir e crescer sem limites, eu sei, eu sei, tenho tanto para dar ao mundo. Quando me finalmente deixar ser quem sou.

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Tu que és psicóloga...

"Tu que és psicóloga..."
É o início de uma frase que me irrita bastante e que normalmente, na minha experiência, antecede um conjunto de disparates que as pessoas acham, que eu que sou "psicóloga" "sei" que obviamente são a verdade mais correta e óbvia deste mundo.

"Tu que és psicóloga sabes que as crianças com pais separados são assim..."
"Tu que és psicóloga sabes que quem fuma erva acaba sempre por experimentar e passar para coisas mais graves"
"Tu que és psicóloga sabes que se um pai é assim o filho também vai ser, não há por onde fugir"
"Tu que és psicóloga sabes que as crianças mais quietas e sossegadas normalmente crescem com problemas"
"Tu que és psicóloga sabes que as crianças irrequietas depois acabam por ter mau aproveitamento, problemas na escolas e comportamentos de risco"
"Tu que és psicóloga, dá-me lá a tua opinião sobre o meu filho/a minha amiga/o meu pai/o meu patrão/etc.."

São só alguns…

#paciênciadevegetariano

Desde que me tornei vegetariana que tenho vindo a exercitar diariamente uma competência muito importante: a paciência. É que a partir desse momento, todas as pessoas viraram especialistas em alimentação ou então passaram a achar imensa piada gozar com o facto de eu ser vegetariana. Ok, toda a gente não, mas muita, muita gente faz isso. Aqui vai uma lista do que tenho ouvido ao longo dos anos, depois de dizer que sou vegetariana:

- então, o que é que comes?
- então, e a proteína?
- comes como os coelhos?
- ai, eu não consegui comer só saladas!
- eu também já fui vegetariana por um mês.
- eu já tentei, mas tenho anemia crónica.
- não sei como consegues, eu não passo sem um bom bife! Ai que maravilha!
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- e não tens problema nenhum?
- mas dá muito trabalho fazer essas comidas, não dá?
- coitado do teu namorado, também tem de comer disso, não é? deve passar uma fome!
- então lá em casa fazem dois jantares não é? Porque o teu namorado não é vegetariano!
Decidi desistir da frustração e passar a focar-me no que de bom tem a minha realidade. Há aspetos da vida aos quais, às vezes, damos demasiada importância, ignorando o que nos corre bem. Alguns verão esta minha atitude como pessimista ou conformista, talvez seja. Mas eu não desisti de procurar emprego na minha área, desisti sim de me sentir frustrada e desanimada, dia após dia. Para os empregadores que andam por aí, continuo 100% motivada para ser psicóloga! Mas a minha felicidade não pode depender de ter trabalho na minha área e, portanto a vida tem de andar para a frente. E, no meio de envio de currículos para os mais variados locais, dentro e fora da minha área de residência, dedico-me a tentar ser cada vez melhor nas minhas funções enquanto profissional, no trabalho temporário que entretanto encontrei, e como voluntária. Porque a vida é agora, é o hoje e hoje eu trabalho neste local e sou voluntária desta associação, e ambos merecem a minha dedicação e respeito, ambos merecem que se…