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O dia em que fui apanhar mexilhões com o meu pai

Hoje lembrei-me de um dia em que fui apanhar mexilhões com o meu pai. Lembro-me de termos combinado isso, no dia anterior e quando ele me perguntou se eu queria ir, fiquei tão feliz. Imaginei logo uma grande aventura de pai e filha pelas no meio das rochas das praias da foz, com a maré vaza, a apanhar os mexilhões. Imagino e imaginei na altura que o meu pai também ficou feliz por eu querer ir, por ter companhia. Eu não era só a tua menina querida pequenina, era a tua companheira, a tua parceira, numa missão importante. Tínhamos de calçados, pelos menos com um chinelos ou sapatilhas velhas para não nos magoarmos ou escorregarmos. E tínhamos de ter atenção à maré que entretanto subiria. Mas aquele momento foi nosso e lembrar-me dele foi tão doce.
Lembro-me como se tivesse sido ontem (como dizemos sempre) e ao mesmo tempo parece-me tudo tão vago. Se calhar foi só uma memória de algo que nunca foi, mas que em alguma altura gostaria que tivesse sido.

Foto retirada de Mapio.net

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