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Todos os nomes, menos o seu.

O pai chamava-lhe todos os nomes menos o dela. E não era falta de amor, ela sabia. Apenas esquecimento. Há coisas que a distância nos traz, como a saudade; há coisas que a distância nos leva, como a capacidade de nos lembrarmos de nomes.
E então, sempre que estavam juntos, ela tinha todos os nomes, menos o seu. Ela era todas as pessoas, menos ela própria. Era a mãe, a mulher, a irmã, o irmão, a tia, o primo e até o cão. Todos os nomes estavam na cabeça do seu pai, menos o dela.
Mas o que lhe custava não era que o pai se enganasse no seu nome, era o facto de não se enganar no nome das outras pessoas e nunca chamar o seu nome à mãe, à mulher, à irmã, ao irmão, à tia, ao primo ou ao até mesmo ao cão. Há quanto tempo não ouvir o pai chamar por ela, de verdade, pelo seu nome.
E apesar de saber que não era falta de amor, parecia-lhe haver uma grande dose de esquecimento e falta de convívio que a assustavam e a magoavam, tal como a saudade e a distância, quando estava longe. Ou talvez mais.
imagem retirada de weheartit.com

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