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Mensagens

humores e apatias

Todos querem que eu explique, que dê uma justificação, uma resposta que faça algum sentido para explicar esta apatia, esta tristeza. Para explicar este nada. Mas até a falar eu sinto um vazio. Não tenho resposta. Gostava de me entender, que me entendessem. Gostava que inventassem um tradutor para os sentimentos que não entendemos. Gostava que, de alguma forma, entrassem no meu cérebro e pudessem reproduzir em sons e imagens os meus pensamentos. Tenho a certeza que seria assustador para algumas pessoas, mas facilitaria tudo.  A minha apatia e tristeza não fazem sentido e isso ainda piora tudo. Elas surgem do nada e eu, fraca, apanhada desprevenida, deixo que me controlem. Como explico a alguém que me viu cheia de sorrisos ontem à noite no meio dos amigos que na verdade onde me sinto bem ultimamente é deitada, encolhida sobre mim, na minha cama, tapada pelo edredon? Como é que explico às pessoas que hoje sou a rainha do mundo, capaz de tudo, vibro de ideias e energia e amanhã dou...

Cartas para ti XI

Desculpa. A culpa é minha devia ter-te avisado antes. Mostrei-te quem sou, mas talvez tenha deixado aparecer mais o que é mais feliz e tranquilo. Esqueci-me de te falar das sombras. Não porque te quisesse esconder algo, simplesmente não quis pesar-te e quis aproveitar cada momento nosso com sorrisos e não com monstros da minha cabeça. Mas sim, existem sombras e momentos maus. Desculpa. Volta e meia é possível que não me reconheças. Volta e meia não vou querer sair da cama, nem que me prometas a paz do mundo. Vão haver dias como o de hoje. Talvez pior. Dias em que a voz me foge e só quero encolher-me, tornar-me o mais pequenina possível e se possível desaparecer para ninguém me encontrar, nem mesmo tu. Dias em que vou querer não sair do meu casulo nem deixar ninguém entrar. Dias em que vou querer gritar, chorar e revoltar-me contra algo que não existe. Dias em que vou sentir-me miserável, sem razão aparente. Dias em que a motivação e o brilho nos meus olhos vão morrer, vai ficar ape...

Cartas para ti X

Já não me lembrava de chorar de amor. Mas no outro dia, olhei para ti e emocionei-me, senti o peito cheio de algo, de uma energia boa que não sei definir melhor do que isto, caiu-me uma lágrima e sorri. Foi um lágrima tão feliz, acredita. Deixei-a cair, deixei-me senti-la e sentir a sensação doce de te querer, de admirar e de gostar de ti. Foi nesse momento que percebi que um pequenino lugar dentro de mim seria teu, sempre, independentemente do amanhã. Aquele pedacinho de mim é teu. Sim, esse. Aquele bocadinho de pele no ombro, aquele sinal na bochecha, aquele canto do lábio, aquele brilho nos olhos, aquele fio de cabelo que afastaste dos meus olhos e que teima em voltar sempre para a frente da minha cara. Afinal, são vários pedacinhos. E são teus.

fotografar-te.

Os dois deitados e tu olhas-me com cara de quem está a magicar um plano. Olhas para mim, olhas para a janela e para as luz que entra pela persiana, depois ficas a pensar. - Posso tirar-te um fotografia? Olho-te a tentar perceber o que estás a pensar. - Podes, acho eu. Porquê? - Queria tirar-te uma fotografia assim, contigo assim. És tão bonita, a sério. Apetece-me tirar-te uma fotografia. Rio-me um pouco envergonhada e lisonjeada, ao mesmo tempo, e escondo-me um bocado debaixo do lençol. É impossível dizer-te que não. - A sério. Gostava de guardar este momento assim: tu deitada na minha cama, nua e meia coberta com o lençol, sem quereres saber do que se passa lá fora, do tempo, das pessoas, do mundo. Só existimos nós os dois, aqui e agora. Eu não quero a fotografia para mostrar a ninguém. Quero-a só para mim, só para eu guardar este momento em mim, mesmo se um dia me esquecer.   Silêncio. - Tira. - O quê? - Tira, podes tirar a fotografia. - A sério? - Sim....

Para os meus putos preferidos X

Hoje choro. Só me apetece pedir-vos desculpa por não fazer mais. Desculpem. A sério, desculpem. As lágrimas caem-me e as respiração fica completamente alterada. Apetece-me abraçar-vos e pedir-vos mil vezes desculpa.  Desculpa em meu nome, em nome de todas as pessoas que vos rodeiam e que dizem que estão aqui para vos protegerem mas não o fazem, em nome das instituições que vos deviam servir e não fazem. Queria pedir-vos desculpa em nome do mundo. Queria pedir-vos desculpa e agarrar-vos e salvar-vos desta estupidez. Queria dar-vos os sonhos que merecem ter, esperança e amor. Queria mostrar-vos que é possível. Queria mostrar-vos que não merecem nada do que vos acontece. Queria pedir-vos desculpa por quem vos abandonou e desculpa por quem está presente, mas não faz o seu papel. Eu queria fazer mais. Eu quero fazer mais. Eu vou fazer mais. Mas hoje, queria pedir-vos desculpa, porque vocês são grandes e não merecem nada disto.

indefinição.

Não bebo para me esquecer de quem sou, simplesmente não sei quem sou, o que sou, o que quiserem. Não bebo sempre, mas são várias as vezes em que bebo e perco o controlo. Procuro a sensação de me perder, porque no fundo é isso que sinto todos os dias como um peso no peito. Procuro perder-me, atingir aquele estado em que as vozes ficam longe, os pensamentos ficam demasiado altos e os sentimentos muito perto. Procuro perder-me na esperança de me encontrar, na esperança de que daquele copo de vinho ou daquele charro emerja o meu ser, a minha pessoa. Porém, a única coisa que surge são frases sem sentido, comportamentos parvos, atos que magoam tudo e todos à minha volta, são vidros partidos e nódoas no corpo, são mãos que me tocam sem eu querer ou saber, são feridas no corpo, memórias turvas, pessoas que se afastam. Tudo o que emerge é errado, é negro, é ao lado; tudo o que emerge é demasiado desadequado, caótico, estúpido para a realidade em que vivo. E, se calhar, tudo o que emerge é tud...

Casa.

Ando perdida, sem casa. Tenho um lugar no qual entro e posso dizer " estou em casa ", mas não tenho um lugar onde entre e me sinta em casa. Às vezes esquecemo-nos que são duas coisas diferentes. Não me sinto em casa em lugar nenhum, não há quatro paredes e um teto que me façam sentir assim. Entro em casa e falta-me o conforto, sei que não é para lá que quero ir, porque não é a minha casa. Não há um sítio que seja a minha casa e isso inquieta-me. Em contra partida, tenho pessoas na minha vida que me fazem sentir em casa. Dão-me calor, carinho, segurança e apoio sempre que faz frio lá fora. Quando o mundo me empurra para baixo, quando chove na minha vida, quando há tempestades por todo lado, procuro o meu teto junto dessas pessoas. A minha casa está em todo o lado e em lugar nenhum. Está onde as minhas pessoas estiverem e nem sempre elas estão perto, por diversas razões, mas conseguem sempre, sempre, sempre, aconchegar-me os cobertores, desligar a luz e desejar-me uma boa n...