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Mensagens

O bom que é chorar

Sempre tive o dom de chorar muito facilmente. Nem sempre sinto que isso seja um dom, mas penso que é melhor vê-lo dessa forma do que sentir-me envergonhada por chorar. Porque chorar é bom, os homens também choram e quem chora não é fraco. É bom que fique claro. Porém, na verdade, sempre cresci com o rótulo "vidrinho de cheiro" , que é como quem diz " uma pessoa não lhe pode dizer nada que desata logo a chorar ", e por mais carinho que as pessoas tivessem por mim, isto nunca foi dito com muita meiguice. Fui crescendo um bocado irritada com este meu "problema", pois por muito que quisesse, não conseguia controlar o choro, principalmente em situações de confronto e em situações que me sentia exposta. Lá começava eu a rir de forma estranha e descontrolada, para tentar esconder o que sentia, e poucos segundos depois lá vinha um mar de lágrimas que eu não conseguia parar. Acredito que muitas pessoas que me são próximas conseguem ver o quanto evolui nesse a...

Certo, certinho.

Não, não vou falar das pessoas que têm a mania que estão sempre certas. Mas sim daquelas pessoas que nos estão sempre a chamar "certinhas" ou "certinhos". Nunca vos aconteceu? "Ai, tu és tão certinha!", fico sempre na dúvida sobre o que as pessoas querem dizer com isso, porque normalmente são pessoas que não me conhecem assim tão bem, nem fazem a mínima ideia do que acontece na minha vida para além dos breves momentos em que estou com elas. Mas, pelos vistos, sabem o suficiente para saberem que sou uma pessoa "certinha". O que querem dizer com isso, na verdade? Que sou certinha, no sentido de gostar de ter tudo arrumadinho? Bem podem perguntar à minha mãe que ela nega-vos isso num piscar de olhos. Que sou certinha, no sentido de cumprir horários, gostar de chegar a horas, etc? Ok, aceito, sim gosto. No sentido de seguir regras e rotinas? Hum... Até gostava de dizer que sim, mas duvido que seja verdade e, mais uma vez, perguntem à minha mãe o ...

Why I love Bojack Horseman Tv Show

I think everyone should watch it. Seriously, I do. I love it, I learn with it, and it make me think about myself and others around me in different perspectives. It is not just a tv show, it's an amazing dark tv show, that shows you how complex life is, and yet how we are the ones to blame for making it a mess. You know that saying that goes "you don't know the wars people that cross you in the street are fighting, so be gentle with everyone". Yap, Bojack is that dumbass stupid person that gets on your nerves, makes you mad and wanting her to go away. And yet, you will love Bojack. Because you will understand Bojack, you will have the opportunity to discover where all his dumbassness comes from. And you will feel empathy. You will see yourself in different situations, characters and feelings.  I tell you more, not only will you love the dickhead character, you will also feel irritated with the most friendly, nice character, just because he is too nice. Damn, what d...

Mas porque é que foste viver para o fim do mundo?

Tenho ouvido esta pergunta várias vezes ultimamente, seja por pessoas da cidade onde nasci ou outras grandes cidades, ou pessoas da cidade onde vivo atualmente. Sim, é o fim do mundo, mas no fim do mundo também há cidades. Sempre quis viver, pelo menos durante algum tempo, no interior mais próximo da natureza, das montanhas, do campo. E aqui estou. E estou tão bem. Vim viver para o fim do mundo, porque a fantasia da grande cidade nunca existiu para mim e, honestamente, acho que não passa disso, de uma fantasia.  Há muita coisa nas grandes cidades, temos tudo disponível, diferentes opções para tudo, em muita coisa é mais fácil. Mas também temos tanta coisa a mais. Temos stress, fumos, carros, casas e prédios e prédios e casas, temos muita gente, muito transito, muitas lojas, muito consumo, muito trabalho, muito stress. Temos muita confusão. Temos a individualidade. Aqui eu tenho uma comunidade. Aqui  até me sinto mal se não cumprimentar as pessoas que passam por mim n...

The need to be perfect or right.

Last days I've been wondering about something, and that is about the need that people feel to be always right and to never admit that they failed. Worst, to never put themselves in silly situations. I get it, I do it too. And I need time to understand how stupid I am being for not giving me the opportunity to fail, to make mistakes and to be silly... actually, for not giving me the opportunity to learn! I realize lately, looking to my experiences, specially professional experiences, that I was afraid to say "I don't know that" . And, although we can discuss all the reasons that made me afraid to assume it, none of them really matter. What really matters is that I was blocking my own growth and my own development. If I don't say "I don't know", people around me don't have the obligation to know that I need help and that I need them to explain to me, so they can just assume that I know and expect that I will do whatever I'm suppose to do ri...

Sobre a arte de estar sempre a aprender

O senhor V. e a dona P. têm sido uma verdadeira descoberta para mim. Nunca imaginei que fosse gostar tanto do que faço atualmente, que me fosse sentir tão bem, que fosse simpatizar tanto com os meus patrões, e lhes ter carinho, aquele carinho que criamos quase automaticamente por pessoas que nos fazem lembrar e que poderiam ser nossos pais. O senhor V. disse-me num dos primeiros dias que trabalhei na ourivesaria: " O saber não ocupa lugar" e é tão verdade. Tenho aprendido tanto com ele. Por vezes, chama-me de "Dra." , sabendo que eu não gosto nada disso, e diz com toda a certeza que eu sei fazer tudo o que ele faz, diga-se: mudar pilhas aos relógios, mudar braceletes, e arranjar umas quantas outras coisas. Porque fui para a universidade e portanto saberei tudo isso, porque sou "Dra." . Mas não sei e não sou Dra. Na faculdade não aprendi metade das coisas que tenho aprendido nas restantes áreas da minha vida, nem a faculdade de me ensinou, nem poderia ...

Todos os nomes, menos o seu.

O pai chamava-lhe todos os nomes menos o dela. E não era falta de amor, ela sabia. Apenas esquecimento. Há coisas que a distância nos traz, como a saudade; há coisas que a distância nos leva, como a capacidade de nos lembrarmos de nomes. E então, sempre que estavam juntos, ela tinha todos os nomes, menos o seu. Ela era todas as pessoas, menos ela própria. Era a mãe, a mulher, a irmã, o irmão, a tia, o primo e até o cão. Todos os nomes estavam na cabeça do seu pai, menos o dela. Mas o que lhe custava não era que o pai se enganasse no seu nome, era o facto de não se enganar no nome das outras pessoas e nunca chamar o seu nome à mãe, à mulher, à irmã, ao irmão, à tia, ao primo ou ao até mesmo ao cão. Há quanto tempo não ouvir o pai chamar por ela, de verdade, pelo seu nome. E apesar de saber que não era falta de amor, parecia-lhe haver uma grande dose de esquecimento e falta de convívio que a assustavam e a magoavam, tal como a saudade e a distância, quando estava longe. Ou talvez...