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Mensagens

Dá-me a mão que o tempo passa e eu quero guardar-nos. Dá-me a mão que as pessoas que mais quero esquecem-se que as palavras são pedras que ferem. Dá-me a mão para que eu saiba que ainda que os vidros das janelas se partam as portas se fechem os caminhos desapareçam as casas se destruam os muros caiam algo persite ainda imune a esse caos Dá-me a mão para que eu sinta que ainda que outros laços fortes se quebrem como papel fraco os nossos são eternos Dá-me a mão para que  no meio de um tudo sem qualquer sentido eu me possa agarrar a algo único que é o sentido da minha vida. Dá-me a tua mão para que eu sinta a segurança da simplicidade deste amor que ninguém quer ver, reconhecer ou aceitar. Dá-me a tua mão só porque sim Dá-me a tua mão.

Escrever...

A vontade de escrever assola-me e não consigo resistir-lhe. Pego num caderno e caneta e as palavras atropelam-se para virem todas cá para fora. Escrever é viver. Por isso sinto tanto desejo de o fazer. É viver esta vida e ainda outra, talvez mais livre, mais pura e mais verdadeira. Porque a verdade é que, é no papel que colocamos realmente a verdade nua e crua dos nossos pensamentos, de tudo o que está escondido nos recantos da mente. Podemos, oralmente, com quem temos mais cumplicidade e confiança, desvendar algumas dessas ideias, porém, a sua totalidade nem sempre é expressa ou bem compreendida. De modo que, a verdade e significados reais daquilo que dizemos fica sempre em nós. A escrita é mais transparente, porque não precisamos de poupar ou ter tanto cuidado com as palavras. O papel só pede para que se escreva nele e a caneta anseia por voltar a escrever; as pessoas, essas, têm outras expectativas em relação a nós e ao que dizemos. Quem lê, se para isso é o que e...

Excertos que marcam

2 "A verdadeira bondade do homem só pode manifestar-se em toda a sua pureza e toda a sua liberdade com aqueles que não representam força nenhuma. O verdadeiro teste moral da humanidade (o teste mais radical, aquele que por se situar a um nível tão profundo nos escapa ao olhar) são as suas relações com quem se encontra à sua mercê: isto é, com os animais. E foi aí que se deu o maior fracasso do homem, o desaire fundamental que está na origem de todos os outros. (...) Ainda tenho nos olhos a imagem de Tereza sentada num tronco a afagar a cabeça de Karenine e a meditar no fracasso da humanidade. Ao mesmo tempo, aparece-me outra imagem: a de Nietzsche  a sair de um hotel em Turm. Vê um cocheiro a vergastar um cavalo. Chega-se ao pé do cavalo e, sob o olhar do cocheiro, abraça-se à sua cabeça e desata a chora. A cena passa.se em 1889 e Nietzsche, também ele, já se encontrava muito longe dos homens. (...) A sua loucura (e portanto o seu divórcio da humanidade) começa no inst...
A partir do momento em que comecei soube que nunca mais iria querer parar. Porque sim, acredito que cada um se constrói a si próprio, deve reflectir, olhar para dentro, querer conhecer-se, mas será sempre um ser para os outros e é também por causa dos outros que olha tanto para si e tenta ser melhor. O voluntariado é uma parte central da minha vida. E a felicidade que me dá é do mais pura possível, pois o que recebo não se toca, às vezes, não se vê, mas sente-se e é tanto que não cabe em mim. É uma troca de bens que muita gente hoje em dia não vê. Sei que também dou. Dou tempo, dedicação e amor. Digo que é uma felicidade pura, porque no fundo os bens que circulam aqui não são palpáveis, mas valem muito mais do que um salário milionário. Devia começar a promover-se este tipo de actividades, já que nós jovens somos o futuro, parece-me que seria bom que tivéssemos trabalhadas as nossas capacidades de nos relacionarmos com os outros e a sensibilidade de nos preocuparmos e de ol...

José Saramago, A Jangada de Pedra

"...portanto nada mais natural que terem-se logo abraçado José Anaiço e Joana Carda como se há um ano estivessem separados e padecessem de saudades desde o primeiro dia. Beijaram-se em ânsia, sôfregos, não foi um relâmpago mas uma sucessão deles, as palavras foram menos, é difícil falar num beijo, mas enfim passados minutos, puderam ouvir-se, Gosto de ti, creio que te amo, disse José Anaiço honestamente, Também eu gosto de ti, e também creio que te amo, por isso te beijei ontem, não, não é bem assim, não te teria beijado se não sentisse que te amava, mas posso amar-te muito mais, Nada sabes de mim, Se uma pessoa para gostar da outra, estivesse à espera de conhecê-la, não lhe chegaria a vida toda, Duvidas que duas pessoas possam conhecer-se, E tu, acreditas, É a ti que pergunto, Primeiro diz-me o que é conhecer, Não tenho aqui um dicionário, Neste caso, ir ao dicionário é ficar a saber o que já se sabia antes, Os dicionários só dizem o que pode servir a todos, Repito a pergunta,...

Onde está a ética dos veterinários?

Não entendo como num mundo que dizemos tão evoluído continuamos a ver os animais como seres inferiores ao ser humano e que, portanto, não são portadores dos direitos mais básicos que o ser humano reconhece instintivamente para si. Se no outro dia eu tivesse visto um senhor no meio da rua ferido e tivesse chamado um ambulância, esta teria vindo imediatamente (ainda que pudesse demorar algum tempinho...), porque obviamente estava uma vida em jogo. Mas não, o que eu vi no outro dia foi um gato ferido, com o pescoço aberto e ferido numa pata, magro, fraco, apenas cheirava os meus dedos que tentavam chegar-lhe. Não tinha dinheiro, nem manta, nem nada. Ia a passar e vi-o. Inês, vamos lá. Primeira tentativa, liguei para a veterinário do meu gato a pedir ajuda, mas como estão longe deram-me o contacto de um veterinário mais próximo. Ok. Segunda tentativa: Clínica XX "Boa tarde, estou a ligar-lhe porque encontrei um gato aqui na Rua XX, está ferido e fraco e eu queria fazer alguma coisa...
E foi só quando chegamos à praia que eu vi, verdadeiramente, a sua magia. Sabia já que eram especiais, mas nunca tinha percebido que, apesar de tudo o que já tinham passado e passavam ainda, ainda possuiam a inocência natural de ser criança. Foi aí que percebi que ainda havia esperança e que poderia ainda ter um papel importante nas suas vidas, porque nada estava perdido. Afinal, sabiam sorrir, brincar, afinal podia acreditar, existe um caminho melhor para vocês. E, por tudo isto e muito mais, não sei como vos deixar, não sei como dizer que chegou o fim desta viagem, não sei como explicar que já não estarei tão presente como dantes, como vocês se habituaram e como eu me habituei. E não foi apenas um hábito, mas sim algo que preenchia o meu tempo livre, me dava prazer, me fazia feliz, porque comecei a ligar-me a vocês, a gostar de vocês. Sempre achei que eram mais do que mostravam ser, que eram mais do que julgavam ser capazes e continuo a acreditar cada vez mais. O que vocês nem ...